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  • GREVE TOTAL GARANTE CONQUISTAS NA GALVANI

     

    Turno da manhã, dia 21: depois da troca de informações, trabalhadores entram na Galvani e mantêm greve de ocupação

     

    A greve de ocupação na Galvani, que teve início na manhã do dia 20 de julho, garantiu uma antecipação de R$ 500,00 aos trabalhadores, sendo R$ 300,00 referentes à PLR – Participação nos Lucros e Resultados, e mais R$ 200,00 opcionais aos que os desejarem relativos a adiantamento do 13º salário, com prazo de pagamento até 27 de julho. Os cerca de 500 trabalhadores da empresa também terão estabilidade no emprego até o dia 30 de setembro e não serão descontados os dois dias de paralisação. Essa proposta foi negociada entre uma comissão de trabalhadores, o sindicato e a empresa e aceita em assembléia no final da tarde do dia 21, com o consequente final da greve.

     

    A greve de ocupação por dois dias, que paralisou totalmente a produção na Galvani, teve início no dia 20 pelo não pagamento da 1ª parcela da PLR, conforme era expectativa dos trabalhadores. A empresa também estava atrasada nas negociações com os trabalhadores e o sindicato sobre as condições da PLR/2006. Com a greve, ficou definido que elas terão início em 10 de agosto próximo.

     

    A Galvani produz fertilizantes e está situada na Av. Profº Benedito Montenegro nº 1.300, no bairro Betel, em Paulínia.

     

    julho/2006

     

    Trabalhadores recusam proposta da Galvani e greve de ocupação entra no segundo dia

     

    A greve de ocupação que teve início ontem na Galvani Indústria, Comércio e Serviços pelo não pagamento da 1ª parcela da PLR – Participação nos Lucros e Resultados teve prosseguimento hoje (21 de julho), após os cerca de 500 trabalhadores recusarem a contraproposta feita pela direção da empresa. A decisão tomada em assembléia realizada às 6 horas de hoje – entrada do primeiro turno – reafirmou posição decidida pelo terceiro turno às 22 horas de ontem.

     

    Contra a reivindicação do pagamento da primeira parcela da PLR cuja expectativa é de que fosse realizada ontem e que os trabalhadores calculam em um mínimo de R$ 500,00, após o início da greve a Galvani ofereceu R$ 400,00 a título de adiantamento do 13º. Esta proposta foi recusada pois são dois direitos trabalhistas diferentes e a mobilização atual é pelo pagamento de parcela da PLR.

     

    Diferentemente do que ocorre todos os anos, a Galvani está atrasada nas negociações sobre as condições da PLR e quer um prazo de mais trinta dias para a retomada das reuniões sobre a questão.

     

    A greve se realiza no formato ocupação. Ou seja, os trabalhadores batem o cartão e reúnem-se no pátio interno, sem dar início à produção que, assim, está 100% paralisada.

     

    A Galvani produz fertilizantes e está situada na Av. Profº Benedito Montenegro nº 1.300, no bairro Betel, em Paulínia.

     

    Para maiores informações, favor contatar o dirigente sindical Luis Zuchetto, da regional de Campinas do Sindicato Químicos Unificados, pelo fone/rádio (19) 7850.1727, que acompanha a greve na portaria da Galvani.

  • DEFENDA SEUS DIREITOS E PROTEJA SUA SAÚDE!

    Vários companheiros e companheiras constantemente procuram o sindicato para obter informações se têm ou não direito a receber o adicional insalubridade devido à atividade que exercem e aos produtos a que manipulam e/ou estão expostos.

     

    Nossa luta sempre tem sido no caminho da eliminação dos riscos no local de trabalho, para que ninguém exponha sua saúde e sua vida a riscos. Entretanto, muitas empresas, além de continuarem a expor os trabalhadores ao risco da insalubre, ainda arranjam inúmeras formas ou despistes para não lhes pagar esse adicional que têm direito, conforme garantido no acordo coletivo e na legislação.

     

    Para melhor se preparar no enfrentamento desta questão, o Sindicato Químicos Unificado realizou um curso e treinamento para seus dirigentes, no qual um engenheiro do trabalho deu informações e orientações sobre a insalubridade no local de trabalho.

     

    Abaixo, veja uma lista com alguns produtos químicos e atividades que podem gerar a insalubridade, que deve ser comprovada por laudo técnico. Além destes, podem existir ainda outros mais como o ruído e o calor.

     

    Se você tem alguma dúvida sobre a questão insalubridade ou contaminação em seu local de trabalho, procure imediatamente um dirigente do Unificados nas regionais de Campinas, Osasco ou Vinhedo. Há dirigentes preparados para lhe dar todas as orientações e informações necessárias para que você defenda seus direitos, principalmente a sua saúde e a sua vida.

     

    ARSÊNICO

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Extração e manipulação de arsênico e preparação de seus compostos. Fabricação e preparação de tintas à base de arsênico.
    – Fabricação de produtos parasiticidas, inseticidas e raticidas contendo compostos de arsênico.
    – Pintura a pistola com pigmentos de compostos de arsênico, em recintos limitados ou fechados.
    – Preparação do Secret.
    – Produção de trióxido de arsênico.

     

    Insalubridade de grau médio

     

    – Bronzeamento em negro e verde com compostos de arsênico.
    – Conservação e peles e plumas; depilação de peles à base de compostos de arsênico.
    – Descoloração de vidros e cristais à base de compostos de arsênico.
    – Emprego de produtos parasiticidas, inseticidas e raticidas à base de compostos de arsênico.
    – Fabricação de cartas de jogar, papéis pintados e flores artificiais à base de compostos de arsênico.
    – Metalurgia de minérios arsenicais (ouro, prata, chumbo, zinco, níquel, antimônio, cobalto e ferro).
    – Operações de galvanotécnica à base de compostos de arsênico.
    – Pintura manual (pincel, rolo e escova) com pigmentos de compostos de arsênico em recintos limitados ou fechados, exceto com pincel capilar.

     

    Insalubridade de grau mínimo

     

    – Empalhamento de animais à base de compostos de arsênico.
    – Fabricação de tafetá sire.
    – Pintura a pistola ou manual com pigmentos de compostos de arsênico ao ar livre.

     

    CARVÃO

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Trabalho permanente no subsolo em operações de corte, furação e desmonte, de carregamento no local de desmonte, em atividades de manobra, nos pontos de transferência de carga e de viradores.

     

    Insalubridade de grau médio

     

    – Demais atividades permanentes do subsolo compreendendo serviços, tais como: operações de locomotiva, condutores, engatadores, bombeiros, madeireiros, trilheiros e eletricistas.

     

    Insalubridade de grau mínimo

     

    – Atividades permanentes de superfícies nas operações a seco, com britadores, peneiras, classificadores, carga e descarga de silos, de transportadores de correia e de teleférreos.

     

    CHUMBO

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Fabricação de compostos de chumbo, carbonato, arseniato, cromato mínio, litargírio e outros.
    – Fabricação de esmaltes, vernizes, cores, pigmentos, tintas, ungüentos, óleos, pastas, líquidos e pós à base de compostos de chumbo.
    – Fabricação e restauração de acumuladores, pilhas e baterias elétricas contendo compostos de chumbo.
    – Fabricação e emprego de chumbo tetraetila e chumbo tetrametila.
    – Fundição e laminação de zinco velho, cobre e latão.
    – Limpeza, raspagem e reparação de tanques de mistura, armazenamento e demais trabalhos com gasolina contendo chumbo tetraetila.
    – Pintura a pistola com pigmentos de compostos de chumbo em recintos limitados ou fechados.
    – Vulcanização de borracha pelo litargírio ou outros compostos de chumbo.
    – Insalubridade de grau médio
    – Aplicação e emprego de esmaltes, vernizes, cores, pigmentos, tintas, ungüentos, óleos, pastas, líquidos e pós à base de compostos de chumbo.
    – Fabricação de porcelana com esmaltes de compostos de chumbo.
    – Pintura e decoração manual (pincel, rolo e escova) com pigmentos de compostos de chumbo (exceto pincel capilar), em recintos limitados ou fechados.
    – Tinturaria e estamparia com pigmentos à base de compostos de chumbo.

     

    Insalubridade de grau mínimo

     

    – Pintura a pistola ou manual com pigmentos de compostos de chumbo ao ar livre.

     

    CROMO

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Fabricação de cromatos e bicromatos.
    – Pintura a pistola com pigmentos de compostos de cromo, em recintos limitados ou fechados.

     

    Insalubridade de grau médio

     

    – Cromagem eletrolítica dos metais.
    – Fabricação de palitos fosfóricos à base de compostos de cromo (preparação da pasta e trabalho nos secadores).
    – Manipulação de cromatos e bicromatos.
    – Pintura manual com pigmentos de compostos de cromo em recintos limitados ou fechados (exceto pincel capilar).
    – Preparação por processos fotomecânicos de clichês para impressão à base de compostos de cromo.
    – Tanagem a cromo.

     

    FÓSFORO

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Extração e preparação de fósforo branco e seus compostos.
    – Fabricação de defensivos fosforados e organofosforados.
    – Fabricação de projéteis incendiários, explosivos e gases asfixiantes à base de fósforo branco.
    – Insalubridade de grau médio
    – Emprego de defensivos organofosforados.
    – Fabricação de bronze fosforado.
    – Fabricação de mechas fosforadas para lâmpadas de mineiros.

     

    HIDROCARBONETOS E OUTROS

    COMPOSTOS DE CARBONO

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Destilação do alcatrão da hulha.
    – Destilação do petróleo.
    – Manipulação de alcatrão, breu, betume, antraceno, óleos minerais, óleo queimado, parafina ou outras substâncias cancerígenas afins.
    – Fabricação de fenóis, cresóis, naftóis, nitroderivados, aminoderivados, derivados halogenados e outras substâncias tóxicas derivadas de hidrocarbonetos cíclicos.
    – Pintura a pistola com esmaltes, tintas, vernizes e solventes contendo hidrocarbonetos aromáticos.

    Insalubridade de grau médio

     

    – Emprego de defensivos organoclorados: DDT (diclorodifeniltricloretano) DDD (diclorodifenildicloretano), metoxicloro (dimetoxidifeniltricloretano), BHC (hexacloreto de benzeno) e seus compostos e isômeros.
    – Emprego de defensivos derivados do ácido carbônico.
    – Emprego de aminoderivados de hidrocarbonetos aromáticos (homólogos da anilina).
    – Emprego de cresol, naftaleno e derivados tóxicos.
    – Emprego de isocianatos na formação de poliuretanas (lacas de desmoldagem, lacas de dupla composição, lacas protetoras de madeira e metais, adesivos especiais e outros produtos à base de poliisocianetos e poliuretanas).
    – Emprego de produtos contendo hidrocarbonetos aromáticos como solventes ou em limpeza de peças.
    – Fabricação de artigos de borracha, de produtos para impermeabilização e de tecidos impermeáveis à base de hidrocarbonetos.
    – Fabricação de linóleos, celulóides, lacas, tintas, esmaltes, vernizes, solventes, colas, artefatos de ebonite, guta-percha, chapéus de palha e outros à base de hidrocarbonetos.
    – Limpeza de peças ou motores com óleo diesel aplicado sob pressão (nebulização).
    – Pintura a pincel com esmaltes, tintas e vernizes em solvente contendo hidrocarbonetos aromáticos.

     

    MERCÚRIO

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Fabricação e manipulação de compostos orgânicos de mercúrio.

     

    SILICATOS

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    – Operações que desprendam poeira de silicatos em trabalhos permanentes no subsolo, em minas e túneis (operações de corte, furação, desmonte, carregamentos e outras atividades exercidas no local do desmonte e britagem no subsolo).
    – Operações de extração, trituração e moagem de talco.
    – Fabricação de material refratário, como refratários para fôrmas, chaminés e cadinhos; recuperação de resíduos.

     

    SUBSTÂNCIAS CANCERÍGENAS

     

    Para as seguintes substâncias ou processos não deve ser permitida nenhuma exposição ou contato, por qualquer via:

     

    – Amido difenil (p-xenilamina).
    – Produção de Benzidina.
    – Betanaftilamina.
    – Nitrodifenil.
    – Nenhuma exposição ou contato significa hermetizar o processo ou operação, por meio dos melhores métodos praticáveis de engenharia, sendo que o trabalhador deve ser protegido adequadamente de modo a não permitir nenhum contato com o carcinogênio.

     

    Sempre que os processos ou operações que envolvem as 4 (quatro) substâncias citadas não forem hermetizados, será considerada como situação de risco grave e iminente para o trabalhador, além de insalubridade de grau máximo.

     

    OPERAÇÕES DIVERSAS

     

    Insalubridade de grau máximo

     

    Operações com cádmio e seus compostos, extração, tratamento, preparação de ligas, fabricação e emprego de seus compostos, solda com cádmio, utilização em fotografia com luz ultravioleta, em fabricação de vidros, como antioxidante, em revestimentos metálicos, e outros produtos.

     

    Operações com as seguintes substâncias:

     

    – Éter bis (clorometílico).
    – Benzopireno.
    – Berílio.
    – Cloreto de dimetilcarbamila.
    – Diclorobenzidina.
    – Dióxido de vinil ciclohexano.
    – Epicloridrina.
    – Hexametilfosforamida.
    – Metileno bis (2-cloro anilina).
    – Metileno dianilina.
    – Nitrosaminas.
    – Propano sultone.
    – Betapropiolactona.
    – Tálio.
    – Produção de trióxido de amônio ustulação de sulfeto de níquel.

    Insalubridade de grau médio

     

    – Aplicação a pistola de tintas de alumínio.
    – Fabricação de pós de alumínio (trituração e moagem).
    – Fabricação de emetina e pulverização de ipeca.
    – Fabricação e manipulação de ácido oxálico, nítrico sulfúrico, bromídrico, fosfórico, pícrico.
    – Metalização a pistola.
    – Operações com o timbó.
    – Operações com bagaço de cana nas fases de grande exposição à poeira.
    – Operações de galvanoplastia: douração, prateação, niquelagem, cromagem, zincagem, cobreagem, anodização de alumínio.
    – Telegrafia e radiotelegrafia, manipulação em aparelhos do tipo Morse e recepção de sinais em fones.
    – Trabalhos com escórias de Thomás: remoção, trituração, moagem e acondicionamento.
    – Trabalho de retirada, raspagem a seco e queima de pinturas.
    – Trabalhos na extração de sal (salinas).
    – Fabricação e manuseio de álcalis cáusticos.
    – Trabalhos em convés de navios.

     

    Insalubridade de grau mínimo

     

    – Fabricação e transporte de cal e cimento nas fases de grande exposição a poeiras.
    – Trabalhos de carregamento, descarregamento ou remoção de enxofre ou sulfitos em geral, em sacos ou a granel.

     

    OUTROS AGENTES POSSÍVEIS DE GERAR A INSALUBRIDADE

     

    – Poeiras minerais –

     

    Asbesto

     

    – Aplica-se a todas e quaisquer atividades nas quais os trabalhadores estão expostos ao asbesto no exercício do trabalho.

     

    Manganês e seus compostos

     

    – O limite de tolerância para as operações com manganês e seus compostos referente à extração, tratamento, moagem, transporte do minério, ou ainda a outras operações com exposição a poeiras do manganês ou de seus compostos é de até 5mg/m3 no ar, para jornada de até 8 (oito) horas por dia.

    – O pagamento do adicional de insalubridade por parte do empregador não o desobriga da adoção de medidas de prevenção e controle que visem minimizar os riscos dos ambientes de trabalho.

     

    Sílica livre cristalizada

     

    – Sempre será entendido que “quartzo” significa sílica livre cristalizada.

     

    – Agentes químicos –

     

    – Acetaldeído
    – Acetato de cellosolve
    – Acetato de éter monoetílico de etileno glicol
    – Acetato de etila
    – Acetato de 2- etóxi etila
    – Acetileno
    – Acetona
    – Acetonitrila
    – Ácido acético
    – Ácido cianídrico
    – Ácido clorídrico
    – Ácido crômico (névoa)
    – Ácido etanóico
    – Ácido fluorídrico
    – Ácido fórmico
    – Ácido metanóico
    – Acrilato de metila
    – Acrilonitrila
    – Álcool isoamílico
    – Álcool n-butílico
    – Álcool isobutílico
    – Álcool sec-butílico (2-butanol)
    – Álcool terc-butílico
    – Álcool etílico
    – Álcool furfurílico
    – Álcool metil amílico
    – Álcool metílico
    – Álcool n-propílico
    – Álcool isopropílico
    – Aldeído acético
    – Aldeído fórmico
    – Amônia
    – Anidro sulfuroso
    – Anilina
    – Argônio
    – Arsina (arsenamina)
    – Brometo de etila
    – Brometo de metila
    – Bromo
    – Bromoetano
    – Bromofórmio
    – Bromometano
    – Butadieno
    – Butano
    – Butano
    – sec-Butanol
    – Butanona
    – Butanotiol
    – Butilamina
    – Butil cellosolve
    – Butil mercaptana
    – Butóxi etanol
    – Cellosolve
    – Chumbo
    – Cianeto de metila
    – Cianeto de vinila
    – Cianogênio
    – Ciclohexano
    – Ciclohexanol
    – Ciclohexilamina
    – Cloreto de carbonila
    – Cloreto de etila
    – Cloreto de fenila
    – Cloreto de metila
    – Cloreto de metileno
    – Cloreto de vinila
    – Cloreto de vinilideno
    – Cloro
    – Clorobenzeno
    – Clorobromometano
    – Cloroetano
    – Cloroetílico
    – Clorodifluometano (freon 22)
    – Clorofórmio
    – Cloro – nitropropano
    – Cloroprene
    – Cumeno
    – Decaborano
    – Demeton
    – Diamina Dibramoetano
    – Diclorobenzeno
    – Diclorodifluormetano (freon 12)
    – Dicloroetano
    – Dicloroetano
    – Dicloreotileno
    – Dicloroetileno
    – Diclorometano
    – Dicloro – nitroetano
    – Dicloropropano
    – Diclorotetrafluoretano (freon 114)
    – Dietil amina
    – Dietil
    – Diisocianato de tolueno (TDI)
    – Diisopropilamina
    – Dimetilacetamida
    – Dimetilamina
    – Dimetiformamida
    – Dimetil hidrazina
    – Dióxido de carbono
    – Dióxido de cloro
    – Dióxido de enxofre
    – Dióxido de nitrogênio
    – Dissulfeto de carbono
    – Estibina
    – Estireno
    – Etanol
    – Etano
    – Etanol
    – Etanotiol
    – Éter decloroetílico
    – Éter etílico
    – Éter monobutílico do etileno glicol
    – Éter monoetílico do etileno glicol
    – Éter monometílico do etileno glicol
    – Etilamina
    – Etilbenzeno
    – Etileno
    – Etilenoimina
    – Etil mercaptana
    – Etil morfolina
    – Etoxietanol
    – Fenol
    – Fluortriclorometano (freon 11)
    – Formaldeído (formol)
    – Fosfina (fosfamina)
    – Fosgênio
    – Freon
    – Freon 12
    – Freon 22
    – Freon 113
    – Freon 114
    – Gás amoníaco
    – Gás carbônico
    – Gás cianídrico
    – Gás clorídrico
    – Gás sulfídrico
    – Hélio
    – Hidrazina
    – Hidreto de antimônio
    – Hidrogênio
    – Isobutanol
    – Isopropilamina
    – Isopopil benzeno
    – Mercúrio (todas as formas, exceto orgânicas)
    – Metacrilato de metila
    – Metano
    – Metanol
    – Metilamina
    – Metil cellosolve
    – Metil ciclohexanol
    – Metilclorofórmio
    – Metil demeton
    – Metil etil cetona
    – Metil isobutilcarbinol
    – Metil mercaptana (metanotiol)
    – Metoxi etanol
    – Monometil hidrazina
    – Monóxido de carbono
    – Negro de fumo
    – Neônio
    – Níquel carbonila (níquel tetracarbonila)
    – Nitrato de n-propila
    – Nitroetano
    – Nitrometano
    – Nitropropano
    – Óxido de etileno
    – Óxido nítrico (NO)
    – Óxido nitroso (N2O)
    – Ozona
    – Pentaborano
    – n-Pentano
    – Percloroetíleno
    – Piridina
    – n-Propano
    – n-Propanol
    – Iso-Propanol
    – Propanona
    – Propileno
    – Propileno imina
    – Sulfato de dimetila
    – Sulfeto de hidrogênio
    – Systox
    – Tetrabromoetano
    – Tetracloreto de carbono
    – Tetracloroetano
    – Tetracloroetileno
    – Tetrahidrofurano
    – Tolueno (toluol)
    – Tolueno – diisocianato (TDI)
    – Tribromometano
    – Tricloreto de vinila
    – Tricloroetano
    – Tricloroetano
    – Tricloroetileno
    – Triclorometano
    – Tricloropropano
    – Tricloro – trifluoretano (freon 113)
    – Trietilamina
    – Trifluormonobramometano
    – Vinibenzeno
    – Xileno (xilol)

  • 28 DE ABRIL

    Em todo o mundo, a data lembra o outro lado do trabalho: o lado que acidenta, incapacita e mata

     

    O dia 28 de Abril é comemorado, anualmente, como o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. Este dia foi originariamente instituído em memória das vítimas da explosão da mina de Farmington, West Virginia, onde morreram 78 mineiros em 1969. Embora a OIT Organização Internacional do Trabalho comemore a data como o dia da Segurança e Saúde no Trabalho, os movimentos sindicais e de vítimas do trabalho no Brasil, que fundaram o Movimento 28 de Abril para Relembrar os Mortos e Lutar pela Vida, entendem que não há nada para comemorar e sim lamentar. Pois os acidentes de trabalho são previsíveis e, portanto, podem ser prevenidos e evitados. Assim, eles não são questões de desastre natural, sorte e azar, ou um castigo divino. São dois milhões de vidas ceifadas a cada ano no mundo pelo trabalho. No Brasil, no ano de 2.004, tivemos 325.577 acidentes de trabalho registrados, 49.642 acidentes de trajeto, 23.858 casos de doenças profissionais reconhecidas, 2.674 resultaram em óbitos. Isto sem considerar a informalidade cada vez mais crescente no mercado de trabalho brasileiro, sem qualquer proteção social. Os números de acidentes e doenças, portanto, são muito maiores do que apresentam os dados oficiais.

     

    Clique no anexo abaixo para ler mais sobre o 28 de abril em nosso boletim especial

     

  • DIA INTERNACIONAL DA MULHER

     

    Sou mulher e sou de luta,
    em casa e no trabalho.

     

    Desprezo homenagens
    obrigações de calendário.

     

    Direitos e respeito,
    na luta arrancarei.

     

    Em casa e no trabalho,
    sem a ternura perder,
    sou mulher e sou guerreira!

     

    Para muito além de nos limitarmos a dar ou a receber demagógicos botões de rosas, beijinhos e falsos cumprimentos pelo Dia Internacional da Mulher, temos que, companheiros e companheiras, compreendermos que esse dia simboliza as lutas das mulheres ao longo dos séculos contra a exploração no trabalho, a discriminação de gênero na sociedade e na opressão machista que facilmente chega à agressão moral e física. Isso, tanto no local de trabalho como, não raramente, também em casa.

     

    Aceite as rosas e aceite os cumprimentos no Dia Internacional da Mulher. Mas nesse dia, como em todos os demais do ano, exija respeito, lute por seus direitos, não abra a mão de sua dignidade.

     

    Abaixo, três importantes textos que explicam a origem do 8 de março, uma história construída duramente por companheiras de ontem e de hoje. Compreenda o real significado da data e, juntos, vamos dar continuidade a essa mais do que justa e necessária luta.

     

    Sindicato Químicos Unificados
    Campinas – Osasco – Vinhedo

     

    8 de Março: conquistas e controvérsias

     

    Eva Alterman Blay

     

    O Dia Internacional da Mulher foi proposto por Clara Zetkin em 1910 no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Nos anos posteriores a 1970 este Dia passou a ser associado a um incêndio que ocorreu em Nova Iorque em 1911. Neste artigo procuro recuperar a história do Dia 8 de Março, procuro as distorções que têm sido feitas sobre ele e sobre a luta feminista.

     

    O dia 8 de março é dedicado à comemoração do Dia Internacional da Mulher. Atualmente tornou-se uma data um tanto festiva, com flores e bombons para uns. Para outros é relembrada sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.

     

    As mulheres faziam parte das “classes perigosas”

     

    No século XIX e no início do XX, nos países que se industrializavam, o trabalho fabril era realizado por homens, mulheres e crianças, em jornadas de 12, 14 horas, em semanas de seis dias inteiros e freqüentemente incluindo as manhãs de domingo. Os salários eram de fome, havia terríveis condições nos locais da produção e os proprietários tratavam as reivindicações dos trabalhadores como uma afronta, operárias e operários considerados como as “classes perigosas”. Sucediam-se as manifestações de trabalhadores, por melhores salários, pela redução das jornadas e pela proibição do trabalho infantil.

     

    A cada conquista, o movimento operário iniciava outra fase de reivindicações, mas em nenhum momento, até por volta de 1960, a luta sindical teve o objetivo de que homens e mulheres recebessem salários iguais, pelas mesmas tarefas. As trabalhadoras participavam das lutas gerais mas, quando se tratava da igualdade salarial, não eram consideradas. Alegava-se que as demandas das mulheres afetariam a “luta geral”, prejudicariam o salário dos homens e, afinal, as mulheres apenas “completavam” o salário masculino.

     

    Subjacente aos grandes movimentos sindicais e políticos emergiam outros, construtores de uma nova consciência do papel da mulher como trabalhadora e cidadã. Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Clara Lemlich, Emma Goldman, Simone Weil e outras militantes dedicaram suas vidas ao que posteriormente se tornou o movimento feminista.

     

    Clara Zetkin propôs o Dia Internacional da Mulher

     

    Clara Zetkin (1857-1933), alemã, membro do Partido Comunista Alemão, deputada em 1920, militava junto ao movimento operário e se dedicava à conscientização feminina. Fundou e dirigiu a revista Igualdade, que durou 16 anos (1891-1907).

     

    Líderes do movimento comunista como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai ou anarquistas como Emma Goldman lutavam pelos direitos das mulheres trabalhadoras, mas o direito ao voto as dividia: Emma Goldman afirmava que o direito ao voto não alteraria a condição feminina se a mulher não modificasse sua própria consciência.

     

    Ao participar do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhagem, em 1910, Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher sem definir uma data precisa.. Contudo, vê-se erroneamente afirmado no Brasil e em alguns países da América Latina que Clara teria proposto o 8 de Março para lembrar operárias mortas num incêndio em Nova Iorque em 1857. Os dados a seguir demonstram que os fatos se passaram de maneira diferente.

     

    O movimento operário nos Estados Unidos

     

    Assim como na Europa, era intenso o movimento trabalhador nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX, sobretudo nos setores da produção mineira e ferroviária e no de tecelagem e vestuário.

     

    A emergente economia industrial norte-americana, muito instável, era marcada por crises. Nesse contexto, em 1903 formou-se, pela ação de sufragistas e de profissionais liberais, a Women’s Trade Union League para organizar trabalhadoras assalariadas. Com as crises industriais de 1907 e 1909 reduziu-se o salário dos trabalhadores, e a oferta de mão-de-obra era imensa, dada a numerosa imigração proveniente da Europa. Grande parte dos operários e operárias era de imigrantes judeus, muitos com um passado de militância política.

     

    No último domingo de fevereiro de 1908, mulheres socialistas dos Estados Unidos fizeram uma manifestação a que chamaram Dia da Mulher, reivindicando o direito ao voto e melhores condições de trabalho. No ano seguinte, em Manhatan, o Dia da Mulher reuniu 2 mil pessoas.

     

    Problemas muito conhecidos do operariado latino-americano impeliam trabalhadores e trabalhadoras a aderir às manifestações públicas por salários e pela redução do horário de trabalho. Embora o setor industrial tivesse algumas grandes empresas, predominavam as pequenas, o que dificultava a agregação e unicidade das reivindicações. O movimento por uma organização sindical era intenso e liderado no setor de confecções e vestuário por trabalhadores judeus com experiência política sindical, especialmente da União Geral dos Trabalhadores Judeus da Rússia e da Polônia (Der Alguemayner Yiddisher Arbeterbund in Russland un Poyln – BUND).

     

    Para desmobilizar o apelo das organizações e controlar a permanência dos trabalhadores/as, muitas fábricas trancavam as portas dos estabelecimentos durante o expediente, cobriam os relógios e controlavam a ida aos banheiros. Mas as difíceis condições de vida e os baixíssimos salários eram forte incentivo para a presença de operários e operárias nas manifestações em locais fechados ou na rua.

     

    Uma das fábricas, a Triangle Shirtwaist Company (Companhia de Blusas Triângulo), para se contrapor à organização da categoria, criou um sindicato interno para seus trabalhadores/as. Em outra fábrica, algumas trabalhadoras que reclamavam contra as condições de trabalho e salário foram despedidas e pediram apoio ao United Hebrew Trade, Associação de Trabalhadores Hebreus. Então as trabalhadoras da Triangle quiseram retirar alguns recursos do sindicato interno para ajudar as companheiras mas não o conseguiram.

     

    Fizeram piquetes na porta da Triangle, que contratou prostitutas para se misturarem às manifestantes, pensando assim dissuadi-las de seus propósitos. Ao contrário, o movimento se fortaleceu.

     

    Uma greve geral começou a ser considerada pelo presidente da Associação dos Trabalhadores Hebreus, Bernardo Weinstein, sempre com o objetivo de melhorar as condições de trabalho da indústria de roupas. A idéia se espalhou e, em 22 de novembro de 1909, organizou-se uma grande reunião na Associação dos Tanoeiros liderada por Benjamin Feigenbaum e pelo Forward. A situação era extremamente tensa e, durante a reunião, subitamente uma adolescente, baixa, magra, se levantou e pediu a palavra: “Estou cansada de ouvir oradores falarem em termos gerais. Estamos aqui para decidir se entramos em greve ou não. Proponho que seja declarada uma greve geral agora!” . A platéia apoiou de pé a moção da jovem Clara Lemlich.

     

    Política e etnia

     

    No movimento dos trabalhadores as relações étnicas tinham peso fundamental, razão pela qual, para garantir um compromisso com a greve, Feigenbaum usou um argumento de extraordinária importância religiosa para os judeus. Ele perguntou à assembléia: “Vocês se comprometerão com o velho mandamento judaico?” Uma centena de mãos se ergueram e todos gritaram: “Se eu esquecer de vós, ó Jerusalém, que eu perca minha mão direita”. Era um juramento de que não furariam a greve.

     

    Cerca de 15 mil trabalhadores do vestuário, a maioria moças, entraram em greve, provocando o fechamento de mais de 500 fábricas. Jovens operárias italianas aderiram, houve prisões, tentativas de contratar novas trabalhadoras, o que tornou o clima muito tenso. A direção da greve ficou com a Associação dos Trabalhadores Hebreus e com o Sindicato Internacional de Trabalhadores na Confecção de Roupas de Senhoras (International Ladies’ Garment Workers’ Union – ILGWU).

     

    À medida que as grandes empresas cederam algumas reivindicações, a greve foi se esvaziando e se encerrou em 15 de fevereiro de 1910 depois de 13 semanas.

     

    O incêndio

     

    Pouco tinha sido alterado, sobretudo nas fábricas de pequeno e médio porte, e os movimentos reivindicatórios retornaram. A reação dos proprietários repetia-se: portas fechadas durante o expediente, relógios cobertos, controle total, baixíssimos salários, longas jornadas de trabalho.

     

    O dia 25 de março de 1911 era um sábado, e às 5 horas da tarde, quando todos trabalhavam, irrompeu um grande incêndio na Triangle Shirtwaist Company, que se localizava na esquina da Rua Greene com a Washington Place. A Triangle ocupava os três últimos de um prédio de dez andares. O chão e as divisórias eram de madeira, havia grande quantidade de tecidos e retalhos, e a instalação elétrica era precária. Na hora do incêndio, algumas portas da fábrica estavam fechadas. Tudo contribuía para que o fogo se propagasse rapidamente.

     

    A Triangle empregava 600 trabalhadores e trabalhadoras, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas, jovens de 13 a 23 anos. Fugindo do fogo, parte das trabalhadoras conseguiu alcançar as escadas e desceu para a rua ou subiu para o telhado. Outras desceram pelo elevador. Mas a fumaça e o fogo se expandiram e trabalhadores/as pularam pelas janelas, para a morte. Outras morreram nas próprias máquinas. O Forward publicou terríveis depoimentos de testemunhas e muitas fotos.

     

    Morreram 146 pessoas, 125 mulheres e 21 homens, na maioria judeus.

     

    A comoção foi imensa. No dia 5 de abril houve um grande funeral coletivo que se transformou numa demonstração trabalhadora. Apesar da chuva, cerca de 100 mil pessoas acompanharam o enterro pelas ruas do Lower East Side. No Cooper Union falou Morris Hillquit e no Metropolitan Opera House, o rabino reformista Stephen Wise.

     

    A tragédia teve conseqüências para as condições de segurança no trabalho e sobretudo serviu para fortalecer o ILGWU.

     

    Para autores como Sanders, todo o processo, desde a greve de 1909, mais o drama do incêndio da Triangle, acabou fortalecendo o reconhecimento dos sindicatos. O ILGWU, de conotação socialista e um dos braços mais ?radicais’ do American Federation of Labour (AFL), se tornou o maior e mais forte dos Estados Unidos naquele momento.

     

    Atualmente no local onde se deu o incêndio foi construída a Universidade de Nova Iorque . Uma placa, lembrando o terrível episódio, foi lá colocada:

     

    “Neste lugar, em 25 de março de 1911, 146 trabalhadores perderam suas vidas no incêndio da Companhia de Blusas Triangle. Deste martírio resultaram novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho que ajudaram a tornar as condições de trabalho as melhores do mundo (ILGWU)”.

     

    Mulheres e movimentos sociais

     

    No século XX, as mulheres trabalhadoras continuaram a se manifestar em várias partes do mundo: Nova Iorque, Berlim, Viena (1911); São Petersburgo (1913). Causas e datas variavam. Em 1915, Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Cristiana, perto de Oslo, contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher. Em 8 de março 1917 (23 de fevereiro no Calendário Juliano), trabalhadoras russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Para Trotski esta teria sido uma greve espontânea, não organizada, e teria sido o primeiro momento da Revolução de Outubro.

     

    Na década de 60, o 8 de Março foi sendo constantemente escolhido como o dia comemorativo da mulher e se consagrou nas décadas seguintes. Certamente esta escolha não ocorreu em conseqüência do incêndio na Triangle, embora este fato tenha se somado à sucessão de enormes problemas das trabalhadoras em seus locais de trabalho, na vida sindical e nas perseguições decorrentes de justas reivindicações.

     

    Lenin: o que importava era a política de massas e não o direito das mulheres

     

    Mulheres e homens jovens tinham muitas outras preocupações além das questões trabalhistas e do sistema político. Nem sempre a liderança comunista entendia essas necessidades, como foi o caso de Lenin e de muitos outros líderes. Em seu Diário, Clara Zetkin relata o que ouvira do camarada e amigo Lenin, ao visitá-lo no Kremlin, em 1920. Lenin lamentava o descaso pelo Dia Internacional da Mulher que ela propusera em Copenhagem, pois este teria sido um oportuno momento para se criar um movimento de ?massa’, internacionalizar os propósitos da Revolução de 17, agitar mulheres e jovens.

     

    Para alcançar este objetivo, afirmava ele, era necessário discutir exclusivamente os problemas políticos e não perder tempo com aquelas discussões que os jovens trabalhadores traziam para os grupos políticos, como casamento e sexo. Lenin estendia suas críticas ao trabalho de Rosa Luxemburgo com prostitutas: “Será que Rosa Luxemburgo não encontrava trabalhadores para discutir, era necessário buscar as prostitutas?”

     

    Esta visão de Lenin fez escola na esquerda. A experiência do ?amor livre’ nos primeiros anos pós-Revolução trouxe enormes conflitos que levaram à restauração do sistema de família regulamentado pelo contrato civil. Temas relativos ao corpo, à sexualidade, à reprodução humana, relação afetiva entre homens e mulheres, aborto, só foram retomados 40 anos mais tarde pelo movimento feminista.

     

    O 8 de Março no Brasil

     

    No Brasil vê-se repetir a cada ano a associação entre o Dia Internacional da Mulher e o incêndio na Triangle quando na verdade Clara Zetkin o tenha proposto em 1910, um ano antes do incêndio. É muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da luta das mulheres. Mas o processo de instituição de um Dia Internacional da Mulher já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias há algum tempo e foi ratificado com a proposta de Clara Zetkin.

     

    Nas primeiras décadas do século XX, o grande tema político foi a reivindicação do direito ao voto feminino. Berta Lutz, a grande líder sufragista brasileira, aglutinou um grupo de mulheres da burguesia para divulgar a demanda. Ousadas, espalharam de avião panfletos sobre o Rio de Janeiro, pedindo o voto feminino, no início dos anos 20! Pressionaram deputados federais e senadores e se dirigiram ao presidente Getúlio Vargas. Afinal, o direito ao voto feminino foi concedido em 1933 por ele e garantido na Constituição de 1934. Mas só veio a ser posto em prática com a queda da ditadura getulista – só então foram restabelecidas as eleições – , e as mulheres brasileiras votaram pela primeira vez em 1945.

     

    Em 1901, as operárias, que juntamente com as crianças constituíam 72,74% da mão-de-obra do setor têxtil, denunciavam que ganhavam muito menos do que os homens e faziam a mesma tarefa, trabalhavam de 12 a 14 horas na fábrica e muitas ainda trabalhavam como costureiras, em casa. Como mostra Rago, a jornada era de umas 18 horas e as operárias eram consideradas incapazes física e intelectualmente. Por medo de serem despedidas, submetiam-se também à exploração sexual.

     

    Os jornais operários, especialmente os anarquistas, reproduziam suas reclamações contra a falta de higiene nas fábricas, o assédio sexual, as péssimas condições de trabalho, a falta de pagamento de horas extras, um sem número de abusos. Para os militantes operários, a fábrica era um local onde as mulheres facilmente se prostituíam, daí reivindicarem a volta das mulheres para casa. Patrões, chefes e empregados partilhavam dos mesmos valores: olhavam as trabalhadoras como prostitutas.

     

    Entre as militantes das classes mais altas, a desqualificação do operariado feminino não era muito diferente: partilhavam a imagem generalizada de que operárias eram mulheres ignorantes e incapazes de produzir alguma forma de manifestação cultural. A distância entre as duas camadas sociais impedia que as militantes burguesas conhecessem a produção cultural de anarquistas como Isabel Cerruti e Matilde Magrassi, ou o desempenho de Maria Valverde em teatros populares como o de Arthur Azevedo.

     

    Como as anarquistas americanas e européias, as brasileiras (imigrantes ou não) defendiam a luta de classes mas também o divórcio e o amor livre, como escrevia A Voz do Trabalhador de 1° de fevereiro de 1915: “Num mundo em que mulheres e homens desfrutassem de condições de igualdade… Vivem juntos porque se querem, se estimam no mais puro, belo e desinteressado sentimento de amor”.

     

    A distinção entre anarquistas e comunistas foi fatal para uma eventual aliança: enquanto as comunistas lutavam pela implantação da “ditadura do proletariado”, as anarquistas acreditavam que o sistema partidário reproduziria as relações de poder, social e sexualmente hierarquizadas.

     

    No PC a diferenciação de gênero continuava marcante: as mulheres se encarregavam das tarefas ?femininas’ na vida quotidiana do Partido. Extremamente ativas, desenvolveram ações externas de organização sem ocupar qualquer cargo importante na hierarquia partidária. Atuavam, por exemplo, junto a crianças das favelas ou dos cortiços, organizavam colônias de férias, supondo que poderiam ensinar às crianças novos valores.

     

    Zuleika Alembert, a primeira mulher a fazer parte da alta hierarquia do PC, eleita deputada estadual por São Paulo em 1945, foi expulsa do Partido quando fez críticas feministas denunciando a sujeição da mulher em seu próprio partido.

     

    O feminismo dos anos 60 e 70 veio abalar a hierarquia de gênero dentro da esquerda. A luta das mulheres contra a ditadura de 1964 uniu, provisoriamente, as feministas e as que se autodenominavam membros do ?movimento de mulheres’. A uni-las, contra os militares, havia uma data: o 8 de Março. A comemoração ocorria através da luta pelo retorno da democracia, de denúncias sobre prisões arbitrárias, desaparecimentos políticos.

     

    A consagração do direito de manifestação pública veio com o apoio internacional – a ONU instituiu, em 1975, o 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.

     

    Entrou-se numa nova etapa do feminismo. Mas velhos preconceitos permaneceram nas entrelinhas. Um deles talvez seja a confusa história propalada do 8 de Março, em que um antiamericanismo apagava a luta de tantas mulheres, obscurecendo até mesmo suas origens étnicas.

     

    Referências bibliográficas

     

    Alves, Branca Moreira. Ideologia e feminismo: a luta pelo voto feminino no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1980.

     

    Bosi, Ecléa. Simone Weil: a razão dos vencidos. São Paulo: Brasiliense, 1982.

     

    Chevalier, Charles. Classes laborieuses et classes dangereuses à Paris pendant la première moitié du XIXe. siècle. Paris: Hachette, 1984

     

    Chombart de Lauwe, Paul Henri et alii. La femme dans la sociétè: son image dans différents milieux sociaux. Paris: CNRS, 1963.

     

    Howe, Irving; Libo, Kenneth. How We Lived. A Documentay History of Immigrant Jews in America. 1880-1930. USA: Richard Marek Publishers, 1979.

     

    Isis Creation for the Australian Women’s Inta network. Internet. A History of International Women’s Day Origins. http://www.isis.aust.com/iwd

     

    Lobo, Elisabeth Souza. Emma Goldman: a vida como revolução. São Paulo: Brasiliense, 1983.

     

    Marin, Alexandra Ayala. “Caja de Pandora”. Clara Zetkin. Entrevista dada para UNIFEM. Ver. http://www.unifemandina.org

     

    Minczeles, Henri. Histoire générale du BUND, un mouvement révolutionnaire juif. Paris: Austral, 1995.

     

    Sanders, Ronald. THE DOWTOWN JEWS. Portraits of an Immigrant Generation. New York: Dover Publications, Inc., 1987.

     

    Shepherd, Naomi. A Price Below Rubies. Jewish Women as Rebels and Radicals. Harvard University Press. Cambridge. Massachusetts, 1993. ( qual a duvida aqui?)

     

    Zetkin, Clara. My Recollections of Lenin. Apêndice pp. 87-122 in V.I. Lenin. The Emancipation of Women. International Publishers. New York. 1972 (a primeira edição é de 1934). SBN 7178-0290-6

     

    Rago, Margareth. Do cabaré ao lar: a utopia da cidade disciplinar. 1890-1930. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

     

    Dados biográficos da Autora

     

    Eva Alterman Blay: Profª Titular de Sociologia da Universidade de São Paulo. Coordenadora Científica do NEMGE (Núcleo de estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero) da USP. Autora de Trabalho Domesticado – a mulher na indústria paulista (Ática, 1978); As Prefeitas, Avenir (s/d), e outros livros e artigos sobre gênero, habitação operária, participação política. Foi Senadora da República entre 1992/1994.

     

    O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas

     

    Vito Giannotti

     

    Quando começou a ser comemorado o Dia Internacional da Mulher? Quando começou a luta das mulheres por sua libertação? Qual é a influência do movimento socialista na luta das mulheres? E o 8 de Março, como nasceu? A data teve origem a partir do quê? Onde? Estas e outras questões mereceram uma atenção especial em 2003, quando nos jornais e na Internet apareceram repetidamente versões diferentes. Todas, no entanto, esqueceram a palavra-chave, que está na luta da mulher por sua libertação: mulher “socialista”.

     

    Em 2003, nas vésperas do 8 de Março, o jornal cearense O Povo publicou um longo artigo de uma professora da Universidade Federal do Ceará (UFCE) que deixou muita gente assustada. O mesmo aconteceu com vários artigos que circularam pela Internet.

     

    Para encarecer a dose, logo após a comemoração do Dia Internacional da Mulher, em 2003, o novo jornal que acabara de sair, Brasil de Fato, no seu número 1, também trazia um artigo da mesma professora da UFCE, Dolores Farias, que reafirmava o que ela havia escrito no jornal O Povo, dias antes.

    Houve pessoas que ficaram furiosas com a contestação da origem da data do Dia Internacional da Mulher.

     

    Na verdade, a questão da origem do 8 de Março já é discutida há uns 40 anos. Em 1996, o Jornal do Brasil trazia um artigo da professora da UFRJ, Naumi Vasconcelos, no qual ela dizia que a tal greve de Nova Iorque, em 1857, quando teriam morrido 129 operárias queimadas vivas, nunca existiu. E ela afirma que a origem desta data é bem outra.

     

    No mesmo ano, em março, Conselho de Classe jornal do SEPE, Sindicato dos Profissionais de Educação da rede pública do Estado do Rio de Janeiro, trazia um artigo da mesma professora Naumi, com o título sugestivo de: Quem tem medo do 8 de Março? Este mesmo texto da Naumi já tinha sido publicado no mensário Em Tempo, pouco antes.

     

    Uma pesquisa de 12 anos

     

    Neste artigo, a autora citava, como fonte fundamental para a discussão, um livro de uma pesquisadora canadense intitulado: O Dia Internacional da Mulher – Os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas.

     

    Este livro, da autora canadense Renée Côté, saiu em 1984, mas estranhamente ficou esquecido por várias razões. O livro da Renée é totalmente antiacadêmico, anticonvencional. Mas, mais do que a forma, o que fez o livro cair em esquecimento é o que ela afirma, que incomoda muita gente. Ela prova por a+b, ao longo de 240 páginas, que as certezas criadas nos anos de 1960, 70 e 80 pelos movimentos feministas, a respeito do surgimento do 8 de Março, são pura ficção.

     

    Ela derruba um mito caro às mulheres feministas, que tanto penaram para afirmar esta data. Além disso, o livro acabou caindo no esquecimento porque é mais fácil aceitar versões já consolidadas de histórias, caras às nossas vidas, do que questionar mitos estabelecidos. Assim como, para muitos, é mais fácil aceitar a historinha de Adão e Eva, criados do barro, uns seis mil anos atrás, do que questionar as origens do homem, bem mais complexas, centenas de milhares de anos atrás.

     

    Há um outro fator determinante que fez o livro da autora canadense cair no limbo: ela deixa transparecer, o tempo todo, sua visão favorável à autonomia dos movimentos sociais frente aos partidos e mostra uma prevenção à própria idéia de partido político.

     

    O livro se insere no grande leito de luta autonomista, típica dos movimentos de esquerda dos anos 70. Isto cria uma animosidade com muitos setores da esquerda mais influente, que poderiam divulgar sua obra. Mas, deixando de lado simpatias, ou alergias, vamos entrar no cipoal deste mito.

     

    A explicação da origem do mito da greve de Nova Iorque de 1857, nos EUA, e do esquecimento de outra greve real, concreta e julgada inoportuna pelo Partido e pelo Sindicato, de 1917 na Rússia, vamos ver só no final do artigo. A questão-chave é ver por quê, no mundo bipolar da Guerra Fria dos anos 60 do século passado, os dois blocos em disputa aceitaram a versão de uma greve de mulheres, em 1857, nos EUA, e esqueceram uma outra greve de mulheres, em 1917, na Rússia. Os motivos são mais políticos que psicológicos.

     

    Há vários estudos, cada um acompanhado de uma vasta bibliografia, que vão no mesmo sentido das pesquisas da Renée Côté. Entre eles destacamos os artigos “8 de Março: Conquistas e Controvérsias” de Eva A. Blay, de 1999. Outro estudo é de Liliane Kandel, de 1982, “O Mito das Origens: sobre o Dia Internacional da Mulher”. Outro texto muito rico é da Sempreviva Organização Feminista (SOF), de 2000, “8 de Março, Dia Internacional da Mulher: em busca da memória perdida”. Vamos apresentar a síntese destas recuperações históricas.

     

    O clima mundial quando nasceu o mito de 1857

     

    Na década de 60 o mundo vivia uma grande convulsão político-ideológica. Somente no começo dos anos 70, o jogo se define e o bloco ocidental americano, isto é, capitalista, leva a melhor sobre o bloco soviético, socialista. A chegada do homem à lua, por parte dos americanos, em 69, definiu o destino da humanidade por várias décadas e, quem sabe, séculos. A URSS, a partir dessa data, entra em rápida decadência e o bloco americano caminha rumo ao império neoliberal mundial.

     

    Esta década foi um vendaval nos costumes e ideologias do mundo. Mexeu com todo o equilíbrio político-cultural do planeta. Os anos 60 começam com a vitória do povo da Argélia contra o colonizador francês que foi o estopim das guerras de libertação no Congo, Senegal, Nigéria, Ghana e em toda a África.

     

    A China vivia sua Revolução Cultural, com o famoso Livro Vermelho de Mao Tse Tung, que influenciava milhões de jovens no mundo inteiro. O Vietnã, após ter derrotado a França em 54, enfrentava e preparava a derrota do maior exército do mundo. Os países ex-coloniais tinham criado o movimento dos Não-alinhados. O mundo árabe, sob a liderança de Nasser, começava a se mexer.

     

    Enquanto isso, a Revolução Cubana, com os barbudos Fidel e Che, era um modelo para os revolucionários da América Latina e do mundo.

     

    No bloco soviético, aumentava a contestação interna com a Primavera de Praga, em 68, na República Tcheca. Enquanto isso, a Igreja Católica vivia as dores do parto do nascimento da Teologia da Libertação, pós-Concílio Vaticano II, que negava o apoio a exploradores, opressores, colonizadores e senhores da guerra, com suas cruzadas, e começava a falar em libertação dos oprimidos.

     

    No mundo ocidental, os costumes tradicionais eram contestados pela entrada em cena do mundo jovem: Beatles, Woodstock, Black Power, movimento hippie e Panteras Negras. Na América Latina, faziam-se guerrilhas contra ditadores representantes do capital local e capachos do imperialismo americano.

     

    As mulheres americanas e européias haviam descoberto a pílula e as dos países do Terceiro Mundo, a metralhadora, nas guerrilhas lado a lado com os homens.

     

    No Ocidente, os estudantes passaram dos livros de Marcuse a Alexandra Kollontai e Wilhem Reich com sua Revolução Sexual e A Função do Orgasmo. As mulheres americanas se manifestavam contra a Guerra do Vietnã e falavam em Womens Lib, libertação das mulheres.

     

    Os estudantes erguiam barricadas em Paris, tomavam as ruas em Praga, Berkley e Rio de Janeiro e falavam de revolução e de amor: revolução social e sexual. E as feministas nas suas manifestações falavam de “mística feminina” e queimavam sutiãs nas praças públicas.

     

    Nesse caldeirão cultural mundial, em Chicago, em 1968 e em Berkley, em 69, se retoma, através de boletins e jornais feministas, a idéia do Dia Internacional da Mulher. Só que se esquece de que no começo do século, quando nasceu o Dia da Mulher, se acrescentava a qualificação de socialista. Este dia tinha caído no esquecimento, enterrado por sucessivas avalanches históricas.

     

    As duas guerras mundiais, a burocratização stalinista da União Soviética e o avanço do capitalismo ocidental na sua versão clássica americana, ou na sua versão socialdemocrata européia, cada vez menos socialista, não tinham interesse em comemorar o 8 de Março.

     

    Nos países comunistas, após a 2ª Guerra Mundial, voltaram as comemorações do 8 de Março. Mas estas eram mais para louvar a política dos seus respectivos governos do que para encaminhar a luta pela total libertação da mulher.

     

    É nesse clima político-ideológico que será retomada a idéia de se comemorar uma data internacional para a luta de libertação das mulheres.

     

    A origem do mito da greve de 1857

     

    O que estamos acostumados a ler nos boletins de convocação do Dia da Mulher é a história de uma greve, que aconteceu em Nova Iorque, em 1857, na qual 129 operárias morreram depois de os patrões terem incendiado a fábrica ocupada

     

    A primeira menção a essa greve, sem nenhum dos detalhes que serão acrescentados posteriormente, aparece no jornal do Partido Comunista Francês, na véspera do 8 de Março de 1955. Mas onde se dá a fixação da data do 8 de março, devido a esta greve, é numa publicação, que apareceu em Berlim, na então República Democrática Alemã, da Federação Internacional Democrática das Mulheres. O boletim é de 1966.

     

    O artigo fala rapidamente, em três linhas, do incêndio que teria ocorrido em 8 de março de 1857 e depois diz que em 1910, durante a 2ª Conferência da Mulher Socialista, a dirigente do Partido Socialdemocrata Alemão, Clara Zetkin, em lembrança à data da greve das tecelãs americanas, 53 anos antes, teria proposto o 8 de Março como data do Dia Internacional da Mulher.

     

    A confusão feita pelo jornal L ´Humanité não fala das 129 mulheres queimadas. Aonde se começa a falar desta mulheres queimadas é na publicação da Federação das Mulheres Alemã, alguns anos depois. Esta historinha fictícia teve origem, provavelmente, em duas outras greves ocorridas na mesma cidade de Nova Iorque, mas em outra época. A primeira foi uma longa greve real, de costureiras, que durou de 22 de novembro de 1909 a 15 de fevereiro de 1910.

     

    A segunda foi uma outra greve, uma das tantas lutas da classe operária, no começo do século XX, nos EUA. Esta aconteceu na mesma cidade em 1911. Nessa greve, em 29 de março, foi registrada a morte, durante um incêndio, causado pela falta de segurança nas péssimas instalações de uma fábrica têxtil, de 146 pessoas, na maioria mulheres imigrantes judias e italianas.

     

    Esse incêndio foi, evidentemente, descrito pelos jornais socialistas, numerosos nos EUA naqueles anos, como um crime cometido pelos patrões, pelo capitalismo.

     

    Essa fábrica pegando fogo, com dezenas de operárias se jogando do oitavo andar, em chamas, nos dá a pista do nascimento do mito daquela greve de 1857, na qual teriam morrido 129 operárias num incêndio provocado propositadamente pelos patrões.

     

    E como se chegou a criar toda a história de 1857? Por que aquele ano? Por que nos EUA? A explicação, provavelmente, é a combinação de casualidades, sem plano diabólico pré-estabelecido. Assim como nascem todos os mitos.

     

    A canadense Renée Côté pesquisou, durante dez anos, em todos os arquivos da Europa, EUA e Canadá e não encontrou nenhuma traça da greve de 1857. Nem nos jornais da grande imprensa da época, nem em qualquer outra fonte de memórias das lutas operárias.

     

    Ela afirma e reafirma que essa greve nunca existiu. É um mito criado por causa da confusão com as greves de 1910; de 1911, nos EUA; e 1917, na Rússia.

     

    Essa confusão se deu por motivos históricos políticos, ideológicos e psicológicos que ficarão claros no fim do artigo.

     

    Pouco a pouco, o mito dessa greve das 129 operárias queimadas vivas se firmou e apagou da memória histórica das mulheres e dos homens outras datas reais de greves e congressos socialistas que determinaram o Dia das Mulheres, sua data de comemoração e seu caráter político.

     

    Já em 1970, o mito das mulheres queimadas vivas estava firmado. Rapidamente foi feita a síntese de uma greve que nunca existiu, a de 1857, com as outras duas, de costureiras, que ocorreram em 1910 e 1911, em Nova Iorque.

     

    Nesse ano de 1970, com centenas de milhares de mulheres americanas participando de enormes manifestações contra a guerra do Vietnã e com um forte movimento feminista, em Baltimore, EUA, é publicado o boletim Mulheres-Jornal da Libertação. Neste já se reafirmava e se consolidava a versão do mito de 1857.

     

    Mas, na França, essa confusão não foi aceita tranqüilamente por todas e todos. O jornal nº 0, de 8 de março de 1977, História d´Elas, publicado em Paris, alerta para esta mistura de datas e diz que, em longas pesquisas, nada se encontrou sobre a famosa greve de Nova Iorque, em 1857. Mas o alerta não teve eco.

     

    Dolores Farias, no seu artigo no Brasil de Fato, nº 2, nos lembra que, em 1975, a ONU declarou a década de 75 a 85 como a década da mulher e reconheceu o 8 de março como o seu dia. Logo após, em 1977, a Unesco reconhece oficialmente este dia como o Dia da Mulher, em homenagem às 129 operárias queimadas vivas.

     

    No ano de 1978, o prefeito de Nova Iorque, na resolução nº 14, de 24/1, reafirma o 8 de março como Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado oficialmente na cidade de Nova Iorque.

     

    Na resolução, cita expressamente a greve das operárias de 1857, por aumento de salário e por 12 horas de trabalho diário, e mistura esta greve fictícia com uma greve real que começou em 20 de novembro de 1909. O mito estava fixado, firmado e consolidado. Agora era só repeti-lo.

     

    Por que a cor lilás?

     

    A partir de 1980, o mundo todo contará esta história acreditando ser verdadeira. Aparecerá até um pano de cor lilás, que as mulheres estariam tecendo antes da greve. Daquela greve que não existiu. A mitologia nasce assim. Cada contador acrescenta um pouquinho. “Quem conta um conto aumenta um ponto”, diz nosso ditado.

     

    Por que não vermelho? Porque vermelhas eram as bandeiras das mulheres da Internacional. Vermelhas eram as bandeiras de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai, delegadas dos seus partidos, à 1ª Conferência das Mulheres Socialistas, em 1907; e da 2ª, na Dinamarca, em 1910. Nesta última foi decidido que as delegadas, nos seus países, deveriam comemorar o Dia da Mulher Socialista.

     

    A cor lilás na luta das mulheres tem uma origem engraçada. A feminista Sylvia Pankrust nos conta que esta foi adotada pelas sufragistas inglesas, em 1908, junto com outras duas cores, como símbolo de sua luta. Estas lutadoras pelo direito de voto escolheram o lilás, o verde e o branco. O lilás se inspirava na cor da nobreza inglesa, o branco simbolizava a pureza da luta feminina e o verde a esperança da vitória.

     

    Historicamente, vamos reencontrar a cor lilás na retomada do feminismo, nos anos 60. O vermelho estava muito ligado aos Partidos Comunistas do Bloco Soviético que, na verdade, já tinham muito pouco de socialismo, ou de comunismo. Além disso, historicamente, vários destes partidos pouco apoio haviam dado às lutas específicas das mulheres.

     

    A expressão “Libertação da Mulher” não era própria destes partidos. Neles, a luta da mulher era vista quase só com o objetivo de integrá-la à luta de classe. A luta feminista, para muitos comunistas, só atrapalhava a luta geral do proletariado. Tirava forças da luta principal.

     

    Foi nesse clima que, nas décadas de 60 e 70 do século passado, a luta feminista foi retomada, num processo de auto-organização das mulheres. No movimento feminista havia uma forte crítica à prática da maioria dos partidos e sindicatos. Muitos movimentos se organizaram de forma autônoma, lutando para garantir sua independência.

     

    Assim, várias feministas adotadaram a cor lilás, como uma nova síntese entre as cores azul e rosa. O vermelho das bandeiras das mulheres da Internacional foi esquecido. Na década de 70, as mulheres socialistas reafirmavam a origem socialista do 8 de Março, ao mesmo tempo em que várias delas assumiam a cor lilás como cor específica da luta feminista.

     

    A libertação da mulher tem origem na luta socialista

     

    A idéia da libertação da mulher nasceu na terra fértil do movimento socialista mundial, no final do século XIX e começo do século XX.

     

    As raízes desta batalha podem ser encontradas nos escritos de Marx e Engels. A visão da família, da mulher proletária e da burguesa que permeiam A Origem da Família, da Propriedade e do Estado, de Engels, é a base da visão dos socialistas sobre a necessidade da libertação da mulher proletária. A frase de Marx, “A opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem”, demorou para dar seus frutos, mas deu.

     

    Contemporâneos de Marx, Paul Lafargue e Laura Marx foram batalhadores da igualdade e da libertação feminina, em seus vários escritos, sobretudo em seu livro mais conhecido, Direito à Preguiça.

     

    Clara Zetkin, desde 1890, logo após a fundação da Internacional Socialista, começou a falar, escrever e organizar a luta das mulheres visando a integrá-las à luta socialista. Visando a que elas tomassem seu lugar na luta de classes, na revolução socialista que estava próxima.

     

    Fora da 2ª Internacional, a tradição anarquista de uma parte do movimento operário também exigia a igualdade de homens e mulheres. A realidade, naquele começo do movimento da classe trabalhadora ainda era dura: partido e sindicato eram coisas de homem. Mas, mesmo nesse ambiente desfavorável, grandes mulheres passaram a discutir com as maiores lideranças da época e deixaram suas marcas em livros e artigos e na organização das forças revolucionárias.

     

    Foi neste embate de idéias que um dos teóricos da Internacional, August Bebel, em 1885, escreveu seu livro A Mulher e o Socialismo. E é nesse grande rio que deságua o célebre A Nova Mulher e a Moral Sexual, de Alexandra Kollontai, mais de 20 anos depois.

     

    Nesse ambiente de lutas operárias e de discussões teóricas, no campo socialista, é que nasceu a luta pela participação política e, pouco a pouco, pela libertação da mulher.

     

    A partir do começo do século XX, essa batalha das socialistas se cruzou com a do movimento das mulheres independentes, em sua maioria pertencentes às classes média e alta, que estavam em campanha pelo direito de voto. Essas mulheres, nos Estados Unidos e na Inglaterra, ao reivindicar o sufrágio para as mulheres, ficaram conhecidas como as sufragistas e suas relações com as socialistas eram de conflito, devido às visões e a posição de classe diferentes.

     

    As mulheres socialistas criam o Dia da Mulher

     

    Desde 1901, nos EUA, logo após a criação do Partido Socialista, surge a União Socialista das Mulheres, com a finalidade de reivindicar o direito de voto feminino. Entre os anos 1900 e 1908, sempre nos Estados Unidos, nascem vários clubes de mulheres, uns intimamente ligados ao Partido Socialista, outros mais autônomos, anarquistas ou não. Todos exigiam o direito de voto para as mulheres.

     

    Em 1908, a Federação dos Clubes de Mulheres Socialistas de Chicago toma a iniciativa, autônoma, não ligada oficialmente ao Partido Socialista, de chamar para um Dia da Mulher, num teatro da cidade. Era o domingo, 3 de maio. Os debates do dia tinham dois temas de pauta: 1. A educação da classe trabalhadora. 2. A mulher e o Partido Socialista.

     

    Nessa conferência, o palestrante Ben Hanford repetiu uma das idéias-chaves de Engels no seu A Origem da Família da Propriedade e do Estado. Nas palavras do orador, de acordo com Engels, “As mais exploradas são as mães do nosso povo. Elas estão de mãos e pés amarrados pela dependência econômica. São forçadas a vender-se no mercado do casamento, como suas irmãs prostitutas no mercado público.”

     

    Mas não foi esse encontro independente, no teatro The Garrick, de Chicago, que foi reconhecido pelo Partido Socialista como começo da comemoração do Dia da Mulher. A iniciativa desse dia tinha nascido fora da estrutura oficial do Partido.

     

    O primeiro dia da Mulher, nacional, assumido pelo Partido, foi no ano seguinte, em Nova Iorque, em 28 de fevereiro de 1909. Em outras cidades do País, como Chicago, o dia foi celebrado em outras datas.

     

    O objetivo desse dia, convocado pelo Comitê Nacional da Mulher do Partido Socialista americano, “era obter o direito de voto e abolir a escravidão sexual.” O panfleto de convocação dizia: “A realização da revolução das mulheres é um dos meios mais eficazes para a revolução de toda a sociedade.”

     

    Desde o começo do século, nos EUA havia um importante movimento pelo voto feminino, fora da órbita dos socialistas. A maioria das mulheres do Partido consideravam esse movimento como um movimento de mulheres brancas e de classe média.

     

    Dentro do Partido Socialista havia um constante vai-e-vem sobre esse tema. Por seu lado, as mulheres anarquistas não viam nenhum sentido na luta pelo voto, nem das mulheres e nem dos homens. O meio para construir uma nova sociedade, e a igualdade entre homens e mulheres, na visão anarquista, não seria certamente o voto, e sim a ação direta revolucionária. A principal porta-voz desta visão era a revolucionária anarquista Emma Goldman.

     

    O ambiente americano favorecia esta reivindicação do direito de voto. Até o ano de 1909, somente em quatro estados era reconhecido o direito ao voto feminino. A extensão do voto para toda mulher americana só viria em 1920.

     

    Na Europa, o movimento das mulheres socialistas, liderado por Clara Zetkin, também era cheio de zige-zagues.

     

    No começo, dentro da Internacional, se levava uma guerra sistemática contra a luta pelo direito de voto feminino, visto como uma forma de desviar as forças revolucionárias das mulheres e considerado como uma reivindicação burguesa. Era assim que eram tachadas as sufragistas, seja da Europa que da América, pelos socialistas.

     

    Essa visão européia será adotada pelo Partido Socialista americano, em meio a grandes debates e com vozes discordantes. No meio do calor e das contradições desse debate, na 1ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em 1907, em Stuttgart, 58 delegadas de 14 países elaboraram uma proposição que comprometia os vários Partidos Socialistas a entrar na luta pelo voto feminino. A resolução foi elaborada, na véspera, na casa de Clara Zetkin, por ela e duas camaradas, suas hóspedes: Rosa Luxemburgo e a única russa da Conferência, Alexandra Kollontai.

     

    É nesse clima de embates que, em 1910, o Partido Socialista americano organiza, pela segunda vez, o Dia da Mulher no último domingo de fevereiro, em Nova Iorque. O objetivo do dia é declarado sem rodeios no convite: “Arrolar as mulheres no exército dos camaradas da revolução social.”

     

    Esta comemoração, de 1910 foi marcada por uma grande participação de operárias. Eram as costureiras da cidade que haviam terminado uma longa greve pelo direito de ter o seu sindicato reconhecido. A greve durou de 22 de novembro de 1909 até 15 de fevereiro de 1910, quase na véspera do Dia da Mulher. Foi uma greve longa, dura, com fortes piquetes reprimidos com violência pela polícia, que prendeu mais de 600 pessoas. Encerrada a greve, as costureiras participaram ativamente da preparação e da realização do Dia da Mulher chamado pelo Partido Socialista.

     

    Dois meses depois, em maio, no congresso do partido, realizado em Chicago, foi deliberado que o partido americano enviaria delegados ao Congresso da Internacional, a ser realizado em agosto, com a tarefa, entre outras, de propor ao plenário que o Dia da Mulher fosse assumido pela Internacional. Esse dia deveria tornar-se o Dia Internacional da Mulher, a ser celebrado pelos socialistas, no último domingo de fevereiro de cada ano.

     

    Em agosto desse ano, antes do Congresso da Internacional, se realizou em Copenhague, na Dinamarca, a 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas. Foi então que as delegadas americanas levaram a proposta aprovada no Congresso do seu partido. Assim, aceitando a proposta das delegadas dos Estados Unidos, Clara Zetkin e outras camaradas propõem a realização anual do Dia Internacional da Mulher.

     

    O dia ficou indefinido. Ficou a cargo de cada país escolher a data melhor para comemorar este dia. A resolução aprovada será publicada logo em seguida, no jornal dirigido por Clara, A Igualdade, em 29 de agosto.

     

    “As mulheres socialistas de todas as nações organizarão um Dia das Mulheres específico, cujo primeiro objetivo será promover o direito de voto das mulheres. É preciso discutir esta proposta, ligando-a à questão mais ampla das mulheres, numa perspectiva socialista.” A outra proposta, de comemorar o Dia da Mulher junto com a data já clássica da luta operária, o 1º de Maio, defendida por Clara e várias outras delegadas, foi derrotada. O dia da Mulher deveria ser comemorado num dia próprio, específico.

     

    O Dia da Mulher se fixa em 8 de Março

     

    Na Europa, a primeira celebração do Dia Socialista das Mulheres aconteceu em 19 de março de 1911, por decisão da Secretaria da Mulher Socialista, órgão da Internacional. Alexandra Kollontai, que propôs a data, diz que foi para lembrar um levante de mulheres proletárias, na Prússia, em 19 de março de 1848. Nesse dia, escreveu Kollontai, as mulheres conseguiram do rei da Prússia a promessa, depois não cumprida, de obter direito de voto.

     

    Nos EUA, a tradição de realizar o Dia da Mulher no último domingo de fevereiro se repetiu em 1911, 1912 e 1913. Em 1914, será comemorado em 19 de março, seguindo a indicação da Kollontai.

     

    Nos vários países da Europa, após a decisão da 2ª Conferência, onde havia um partido socialista, se começou a comemorar o Dia da Mulher.

     

    Na Suécia, a primeira comemoração foi em 1º de março de 1911. O mesmo aconteceu na Itália.

     

    Na França, o começo do Dia da Mulher foi em 1914, comemorado dia 9 de março, próximo ao Dia da Mulher na Alemanha.

     

    Em 1914, pela primeira vez, na Alemanha, Clara Zetkin e as mulheres socialistas marcam data do Dia da Mulher para 8 de março. Não se explicou o porquê dessa data, pois não precisava. Era um detalhe sem interesse. A data era totalmente indiferente. Tinha que ser qualquer dia. Importante era a realização do dia.

     

    Na Rússia, sob da opressão do czar, o primeiro Dia da Mulher só foi comemorado em 3 de março de 1913.

     

    Em 1914 todas as organizadoras do Dia da Mulher foram presas e com isso não houve comemoração.

     

    Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de Março. Era o mesmo dia que, na Alemanha, tinha sido escolhido em 1914. Foi nesse dia que explodiu a greve espontânea das tecelãs e costureiras de Petrogrado.

     

    Nesse dia, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a decisão do Partido, que achava que aquele não era o momento para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação por pão e paz. Declararam-se em greve. Essa manifestação foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.

     

    Em outubro o Partido Bolchevique lidera a grande Revolução Russa, nos “dez dias que abalaram o mundo”.

     

    Essa greve foi documentada nos escritos de Trotsky e de Alexandra Kollontai, ambos membros do Comitê Central do Partido Operário Socialdemocrata Russo e ambos, depois, proscritos pelo stalinismo vencedor. Kollontai escreve: “O dia das operárias, 8 de Março, foi uma data memorável na história. Nesse dia as mulheres russas levantaram a tocha da revolução.”

     

    Mas o texto que melhor nos conta os fatos da greve das operárias da Petrogrado é um longo trecho de Leon Trotsky, no primeiro volume de seu livro História da Revolução Russa. Vale a pena acompanhá-lo:

     

    “O 23 de fevereiro era o Dia Nacional das Mulheres. Programava-se, nos círculos da socialdemocracia, de mostrar o seu significado com os meios tradicionais: reuniões, discursos, boletins. Na véspera, ninguém teria imaginado que este Dia das Mulheres pudesse ter inaugurado a revolução.

     

    Nenhuma organização planejava alguma greve para aquele dia. Ainda por cima, uma das combativas organizações bolcheviques, o Comitê dos Tecelões de Rayon, formado essencialmente por operários, desaconselhava qualquer greve. O estado de espírito da massa, segundo Kaiurov, um dos chefes operários deste setor, era muito tenso e cada greve ameaçava tornar-se um confronto aberto.

     

    O Comitê julgava que o momento de começar hostilidades ainda não tinha chegado e que o Partido ainda não tinha forças suficientes e, ao mesmo tempo, a união entre soldados e operários ainda era insuficiente. Por isso tinha decidido não chamar para greve, mas para se preparar para a ação revolucionária, num futuro ainda não definido.

     

    Esta era a linha de conduta preconizada pelo Comitê, na véspera do dia 23, e parecia que todos a tivessem aceitado. Mas, na manhã seguinte, contra todas as orientações, as operárias têxteis abandonaram o trabalho em várias fábricas e enviaram delegadas aos metalúrgicos para pedir-lhes que apoiassem a greve.

     

    Foi a contra-gosto, escreve Kaiurov, que os bolcheviques, seguidos pelos operários mencheviques e pelossocialistas de esquerda se juntaram à marcha.

     

    Como se tratava de uma greve de massa, era necessário comprometer todo mundo para sair às ruas e estar à frente do movimento. Esta foi a resolução proposta por Kaiurov e o Comitê de Vyborov se sentiu forçado a aprová-la.

     

    Pelos fatos, é então certo que a Revolução de Fevereiro foi iniciada por elementos da base que passaram por cima da oposição das suas organizações revolucionárias, e que a iniciativa foi tomada espontaneamente por um contingente do proletariado explorado e oprimido mais que todos os outros, as operárias têxteis. (…) O empurrão final veio das enormes filas de espera em frente às padarias.”

     

    Em 1921, realizou-se, em Moscou, na URSS, a Conferência das Mulheres Comunistas que adota o dia 8 de Março como data unificada do Dia Internacional das Operárias. A partir dessa Conferência, a 3ª Internacional, recém-criada, espalhará a data 8 de Março como data das comemorações da luta das mulheres.

     

    Um dia esquecido e depois reinventado

     

    Na Rússia comunista, após a vitória da Revolução de Outubro, nos primeiros anos do novo regime, o dia 8 de Março era comemorado todo ano, como o Dia Internacional da Mulher Comunista.

     

    O dia, pouco a pouco, perdeu seu interesse e o adjetivo comunista foi caindo à medida que o ímpeto revolucionário da União Soviética começou a se arrefecer.

     

    Nos últimos anos da década de 20 e, sobretudo, nos anos 30, o Dia Internacional da Mulher, seja comunista ou socialista, se perderá na tormenta que se abateu sobre o mundo. A ascensão do nazismo na Alemanha, o triunfo do stalinismo na URSS e o declínio da socialdemocracia na Europa e o vendaval da 2ª Guerra Mundial enterram as manifestações do Dia das Mulheres.

     

    Fora dos países comunistas, no Ocidente, a humanidade só voltará a falar do Dia da Mulher, no final dos anos 60. Nesse lapso de tempo, o marco do 8 de Março, data da greve das operárias de Petrogrado, de 1917, foi esquecido.

     

    A data da vitória das revolucionárias rebeldes russas, que impôs a derrota do absolutismo do Czar e deslanchou a Revolução Russa, não interessava aos comunistas do mundo todo. Estes, quase todos, viviam anestesiados pelos encantos ou pelo terror stalinista.

     

    Retornar a lembrança daquele 8 de Março das operárias revolucionárias de Petrogrado também não interessava à Socialdemocracia, rejuvenescida após a destruição da Segunda Guerra Mundial e em conflito aberto com o comunismo dos países do bloco soviético.

     

    8 de Março: uma data a celebrar

     

    Menos que menos, a data do 8 de Março de 1917, na nascente URSS, interessava o bloco capitalista ocidental, inimigo mortal da Rússia comunista. É neste clima, propício ao esquecimento da verdadeira história do Dia da Mulher, já na década de 1950, nas publicações do Partido Comunista, na França, se começou a falar de uma forte luta das operárias americanas, em 8 de março de 1857. Talvez, a famosíssima greve do 1º de Maio, na Chicago de 1886 e as numerosas greves nas tecelagens americanas estimularam as fantasias e levaram a enfatizar a participação dos Estados Unidos na luta da mulher, o que favoreceu esta confusão de datas. Pouco a pouco se deslocou a data para 1857, em Nova Iorque. E aí, em ondas sucessivas de contadores, se chegou a historinha completa.

     

    No dia 1º de Março de 1964, o jornal da CGT francesa, Antoinette, fala que “foram as americanas que começaram. Era 8 de março de 1857. Para exigir as 10 horas elas ocuparam as ruas de Nova Iorque”. É a continuação do que já tinha aparecido no jornal do PCF, nos anos anteriores.

     

    E finalmente, foi assim, sem precisar de uma conspiração organizada por um suposto império do mal, que na Alemanha Oriental, em 1966, a Federação das Mulheres Comunistas noticiou a história do Dia da Mulher, enriquecida com o martírio das 129 queimadas vivas.

     

    Tudo isto foi feito de forma confusa, misturando fatos com fantasias, com cada contador, escrevendo e inventando datas e detalhes.

     

    E foi assim, sem nenhuma deliberação conspiratória, que o mito que acabava de ser criado, em 1966, no Leste Europeu, começou a ser divulgado e foi depois enriquecido fartamente, nos EUA do final dos anos 60 e em todo o mundo ocidental.

     

    Depois disso, era só enriquecer o mito. O que foi feito, até sua cristalização em 1975, com a ONU e logo depois com a Unesco, em 1977.

     

    Uma data muito rica que não precisa de mitos

     

    Derrubar o mito de origem da data 8 de Março não implica desvalorizar o significado histórico que este adquiriu.

     

    Muito ao contrário. Significa retomar a verdade dos fatos que são suficientemente ricos de significado e que carregam toda a luta da mulher no caminho da sua libertação. Significa enriquecer a comemoração desse dia com a retomada de seu sentido original.

     

    Significa voltar às origens do ideal socialista da maioria das mulheres que lutavam por um mundo novo sem exploração e opressão do homem pelo homem e especificamente da mulher pelo homem.

     

    Um dia que quer retomar a comemoração e a luta de um 8 de Março sem medos. Avançar sem medos e sem vergonha pelas derrotas sofridas pelas revoluções perdidas no século XX, rumo à conquista da libertação total das mulheres.

     

    Significa integrar todos os novos e importantíssimos aspectos da luta da libertação da mulher, descobertos com a evolução histórica da humanidade no século XX, com a retomada de suas raízes socialistas.

     

    Integrar à clássica luta libertária, socialista e comunista do começo do século XX, as contribuições de diferentes linhas de pensamento e países, que vão de Wilhem Reich a Simone de Beauvoir, de Herbert Marcuse a Samora Machel, de Betty Friedann a Rose Marie Muraro. Integrar toda a luta do feminismo para construir uma sociedade onde a mulher seja reconhecida como gente.

     

    Integrar estas elaborações teóricas com as lutas e as experiências de vida de milhares de ativistas, militantes e organizadoras da luta das mulheres, no mundo inteiro: das guerrilheiras latino-americanas, às mulheres vietnamitas, das trabalhadoras das fábricas às plantadoras de arroz da Índia, das Mães dos desaparecidos argentinos às lutadoras pela reforma agrária do MST.

     

    Uma longa luta sem medo da felicidade, sem medo do prazer. Sem medo de lutar por uma revolução, que deverá ser social, sexual, e profundamente cultural. Sem medo de levantar as bandeiras vermelhas da luta pela libertação da humanidade. A libertação de homens e mulheres.

     

    Datas básicas sobre a origem do 8 de Março

     

    1900-1907
    – Movimento das Sufragistas pelo voto feminino nos EUA e Inglaterra.

     

    1907
    – Em Stuttgart, é realizada a 1ª Conferência da Internacional Socialista com a presença de Clara Zetkin, Rosa Luxemburgo e Alexandra Kollontai. Uma das principais resoluções: “Todos os partidos socialistas do mundo devem lutar pelo sufrágio feminino.”

     

    1908
    – Em Chicago (EUA), no dia 3 de maio, é celebrado, pela primeira vez, o Woman´s Day. A convocação é feita pela Federação Autônoma de Mulheres.

     

    1909
    – Novamente em Chicago, mas com nova data, último domingo de fevereiro, é realizado o Womans Day. O Partido Socialista Americano toma a frente.

     

    1910
    – A terceira edição do Womans Day é realizada em Chicago e Nova Iorque, chamada pelo Partido Socialista, em fevereiro.

     

    – Em Nova Iorque, é grande a participação de operárias devido a uma greve que paralisava as fábricas de tecido da cidade. Dos trinta mil grevistas, 80% eram mulheres. Essa greve durou três meses e acabou no dia 15/02, véspera do Womans Day.

     

    – Em maio, o Congresso do Partido Socialista Americano delibera que as delegadas ao Congresso da Internacional, que seria realizado em Copenhague, na Dinamarca, em agosto, defendam que a Internacional assuma o Dia Internacional da Mulher.

     

    “Este deve ser comemorado no mundo inteiro, no último domingo de fevereiro, a exemplo do que já acontecia nos EUA”.

     

    – Em agosto, a 2ª Conferência Internacional da Mulher Socialista, realizada dois dias antes do Congresso, delibera que: “As mulheres socialistas de todas as nacionalidades organizarão (…) um dia das mulheres específico, cujo principal objetivo será a promoção do direito a voto para as mulheres”. Não é definida uma data específica.

     

    1911
    – Durante uma nova greve de tecelãs e tecelões, em Nova Iorque, morrem 134 grevistas, a causa de um incêndio devido a péssimas condições de segurança.

     

    – Na Alemanha, Clara Zetkin lidera as comemorações do Dia da Mulher, em 19 de março. (Alexandra Kollontai diz que foi para comemorar um levante, na Prússia, em 1848, quando o rei prometeu às mulheres o direito de voto).

     

    – Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 26/02 e na Suécia, em 1º de Maio.

     

    1912
    – Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 25/02.

     

    1912 e 1913
    – Na Alemanha, o Dia da Mulher é comemorado em 19/3.

     

    1913
    – Na Rússia é comemorado, pela primeira vez, o Dia da Mulher, em 3/3.

     

    1914
    – Pela primeira vez, a Secretaria Internacional da Mulher Socialista, dirigida por Clara Zetkin, indica uma data única para a comemoração do Dia da Mulher: 8 de Março. Não há explicação sobre o porquê da data.

     

    – A orientação foi seguida na Alemanha, Suécia e Dinamarca.

     

    – Nos Estados Unidos, o Dia da Mulher foi comemorado em 19/03

     

    1917
    – No dia 8 de Março de 1917 (27 de fevereiro no calendário russo) estoura uma greve das tecelãs de São Petersburgo. Esta greve gera uma grande manifestação e dá início à Revolução Russa.

     

    1918
    – Alexandra Kollontai lidera, em 8/3, as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, em Moscou, e consagra o 8/3 em lembrança à greve do ano anterior, em São Petersburgo.

     

    1921
    – A Conferência das Mulheres Comunistas aprova, na 3ª Internacional, a comemoração do Dia Internacional Comunista das Mulheres e decreta que, a partir de 1922, será celebrado oficialmente em 8 de Março.

     

    1955
    – Dia 5/3, L´Humanité, jornal do PCF, fala pela primeira vez da greve de 1857, em Nova Iorque. Não fala da morte das 129 queimadas vivas.

     

    1966
    – A Federação das Mulheres Comunistas da Alemanha Oriental retoma o Dia Internacional das Mulheres e, pela primeira vez, conta a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

     

    1969
    – Nos Estados Unidos, o movimento feminista ganha força. Em Berkley, é retomada a comemoração do Dia Internacional da Mulher.

     

    1970
    – O jornal feminista Jornal da Libertação, em Baltimore, nos EUA consolida a versão do mito de 1857.

     

    1975
    – A ONU decreta, 75-85, a Década da Mulher.

     

    1977
    – A Unesco encampa a data 8/3 como Dia da Mulher e repete a versão das 129 mulheres queimadas vivas.

     

    1978
    – O prefeito de Nova Iorque decreta dia de festa, no município, o dia 8 de Março, em homenagem às 129 mulheres queimada s vivas.

     

    Reproduzido do NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação, sob autorização. www.piratininga.org.br

     

    Violência de gênero: um problema mundial e antigo

     

    Transcrito de Revista Estudos Avançados

     

    Agredir, matar, estuprar uma mulher ou uma menina são fatos que têm acontecido ao longo da história em praticamente todos os países ditos civilizados e dotados dos mais diferentes regimes econômicos e políticos.

     

    A magnitude da agressão, porém, varia. É mais freqüente em países de uma prevalecente cultura masculina, e menor em culturas que buscam soluções igualitárias para as diferenças de gênero. Organismos internacionais começaram a se mobilizar contra este tipo de violência depois de 1975, quando a ONU realizou o primeiro Dia Internacional da Mulher. Mesmo assim, a Comissão de Direitos Humanos da própria ONU, apenas há dez anos, na Reunião de Viena de 1993, incluiu um capítulo de denuncia e propõe medidas para coibir a violência de gênero.

     

    No Brasil, sob o pretexto do adultério, o assassinato de mulheres era legítimo antes da República. Koerner mostra que a relação sexual da mulher, fora do casamento, constituía adultério – o que pelo livro V das Ordenações Filipinas permitia que o marido matasse a ambos. O Código Criminal de 1830 atenuava o homicídio praticado pelo marido quando houvesse adultério. Observe-se que, se o marido mantivesse relação constante com outra mulher, esta situação constituía concubinato e não adultério. Posteriormente, o Código Civil (1916) alterou estas disposições considerando o adultério de ambos os cônjuges razão para desquite.

     

    Entretanto, alterar a lei não modificou o costume de matar a esposa ou companheira.

     

    O movimento feminista do fim do século XIX e começo do século XX

     

    Desde a metade do século XIX até depois da Primeira Guerra Mundial, o panorama econômico e cultural do Brasil mudou profundamente. A industrialização e a urbanização alteraram a vida cotidiana, particularmente das mulheres, que passaram a, cada vez mais, ocupar o espaço das ruas, a trabalhar fora de casa, a estudar etc. Vale a pena ler a análise de Susan Besse (1999) para se compreender o quanto essa transformação da infra-estrutura econômica, mais a alfabetização das mulheres, o cinema, os meios de transporte, a substituição de bens produzidos em casa pelos oferecidos pelas casas comerciais, alterou inteiramente o ritmo de vida e os contatos que as mulheres e homens passaram a desfrutar. Essas mudanças trouxeram o contato com comportamentos e valores de outros países, os quais passaram a ser confrontados com os costumes patriarcais ainda vigentes embora enfraquecidos.

     

    Dentre estas mudanças destacou-se a discussão sobre o casamento. Mulheres das classes média e alta, graças à educação e ao trabalho remunerado, adquiriram maior “poder social e econômico” (Besse, 1999, p. 41) e passaram a protestar contra a “tirania dos homens” no casamento, sua infidelidade, brutalidade, abandono – temas freqüentes entre escritoras, jornalistas e feministas dos anos de 1920 (Besse cita, entre elas, Cecilia Bandeira de Melo Rebêlo de Vasconcelos, que escrevia sob o pseudônimo de Chrisanthème, Elizabeth Bastos, Iracema, Amélia de Resende Martins, Andradina de Oliveira etc.) além das inúmeras leitoras da Revista Feminina. Já então se apontava que maridos tinham sido assassinados por mulheres brutalizadas (Besse, 1999, p. 46). A interpretação dessas queixas era traduzida como “crise” na família e o no casamento (Besse, 1999, p. 41) cujos responsáveis seriam o trabalho feminino e a paixão.

     

    Naquela época, como hoje, afirmava-se que o trabalho feminino fora de casa provocava a desagregação da família. Daí o Estado ter incluído no Código Civil (1916), para proteger a família (mesmo a pobre), que a mulher deveria ter autorização do marido para poder trabalhar.

     

    Quanto ao casamento, reagia-se afirmando que era necessário retirar dele a romântica união por amor, substituindo-a pelo amor “civilizado”, dotado de razão, excluindo a paixão, responsável pelos “crimes passionais sanguinários” (Peixoto apud Besse, 1999, p. 69). Os crimes passionais, um dos mais graves problemas da época, constituíam uma verdadeira “epidemia” para algumas feministas. Encabeçando o movimento contra estes crimes, Promotores Públicos como Roberto Lyra, Carlos Sussekind de Mendonça, Caetano Pinto de Miranda Montenegro e Lourenço de Mattos Borges fundaram o Conselho Brasileiro de Hygiene Social. Pretendiam coibir e punir os crimes passionais então tolerados pela sociedade e pela Justiça. Não era propriamente a defesa das mulheres que eles visavam, mas pretendiam, efetivamente, proteger a instituição família (Besse, 1999, p. 90).

     

    A atuação das mulheres nas décadas de 1920 e 1930, mais a ação dos Promotores Públicos e do Juiz Nelson Hungria, apontam o gravíssimo problema do assassinato de esposas e companheiras, até hoje não resolvido, se é que não foi incrementado.

     

    O movimento dos Promotores e das feministas alcançou êxito relativo, embora o assassinato por amor continuasse a ocorrer e os assassinos a serem absolvidos.

     

    “Quem ama não mata”

     

    Um forte movimento pela defesa da vida das mulheres e pela punição dos assassinos voltou a ocorrer na década de 1970, tendo seu auge após 30 de dezembro de 1976, quando Angela Diniz foi morta por Doca Street, de quem ela desejava se separar.

     

    A morte de Angela e a libertação de seu assassino levantaram um forte clamor das mulheres que se organizaram em torno do lema: “quem ama não mata”.

     

    Pela segunda vez na história brasileira, repudiava-se publicamente que o amor justificasse o crime.

     

    Acostumado à subserviência conservadora, Lins e Silva, defensor de Doca, revelou seu espanto ante a extraordinária pressão popular que acompanhou o julgamento. O caso teve enorme repercussão não só no Brasil, mas também no exterior, havendo “publicidade nunca vista” sobre este caso, reclamou Lins e Silva (1991, p. 295). Grande controvérsia ocupou a imprensa (Blay, 2003) acirrando-se a polêmica contra os direitos humanos das mulheres.

     

    Os jornalistas Paulo Francis e Tristão de Ataíde mostraram-se indignados contra as feministas e suas manifestações públicas que, segundo eles, pré-condenaram o réu; Lins e Silva (1991, p. 295) irritou-se com a repercussão que transformou uma “briga entre amantes em acontecimento nacional”. Referiu-se ao “incidente” como se a vítima estivesse viva. Os prestigiados jornalistas e o advogado consideraram ilegítima a pressão da opinião pública nestes crimes contra mulheres justificados pelo amor.

     

    Dentre as matérias publicadas na época, artigo de Carlos Heitor Cony na revista Fatos e Fotos – Gente, assim descrevia o crime:

     

    “Eu vi o corpo da moça estendido no mármore da delegacia de Cabo Frio. Parecia ao mesmo tempo uma criança e boneca enorme quebrada… Mas desde o momento em que vi o seu cadáver tive imensa pena, não dela, boneca quebrada, mas de seu assassino, que aquele instante eu não sabia quem era” (grifo meu).

     

    O jornalista titubeia em sua opinião sobre o crime. De um lado, cita a Promotoria que acusava Street de libertinagem, cafetinagem, e conclui: “Mas outros cafetões, outros libertinos e safados não se tornaram assassinos”. Por outro lado, em benefício do assassino, Cony entrevista o delegado Sérgio Paranhos Fleury, que afirma “[…] o único crime respeitável, que não condenaria com rigor, era o passional… Crime passional qualquer um comete, até eu”.

     

    Cony conclui: “A chamada privação de sentidos provocada pela paixão pode fazer do mais cordial dos homens um assassino”.

     

    Ensinando a defender os que matavam “por amor”

     

    Dentro do princípio inquestionável de que todos têm direito a defesa, a culpa deve ser provada, ensina a academia como mecanismo da argumentação. O modelo paradigmático da didática de defesa dos assassinos “por amor” encontra-se no livro de Evandro Lins e Silva A defesa tem a palavra (1991). Nele, o jurista ensina os jovens advogados a defender um assassino, mesmo que confesso, e toma como modelo a defesa que ele próprio fizera de Doca Street, o assassino de Angela Diniz. Doca Street matou Angela Diniz e confessou o crime alguns dias depois.

     

    Convivera com ela apenas três meses. Argumentava a Promotoria (auxiliada pelo advogado Evaristo de Morais, contratado pela família de Angela), que ela não suportava mais sustentar um companheiro ciumento, agressivo e violento.

     

    Depois dos poucos meses de conturbada convivência, durante os quais houve várias tentativas de rompimento, Angela mais uma vez mandou Doca sair de sua casa em Cabo Frio (Estado do Rio de Janeiro). Este fingiu se retirar da residência, arrumou as malas, colocou-as em seu automóvel mas, minutos depois retornou munido de uma Bereta. Perseguiu-a no banheiro e a matou com vários tiros, especialmente no rosto e no crânio.

     

    A Promotoria descreve Doca como pessoa que não trabalhava, sem endereço fixo, e que tivera várias mulheres, filhos dentro e fora do casamento, problemas criminais na juventude, homem violento e possessivo.

     

    Como se contrapor ao perfil descrito pela Promotoria? Como demonstrar que Doca era pessoa absolutamente idônea, trabalhadora, bom pai, bom marido e com residência fixa?

     

    O hábil defensor ensina, passo a passo, a construção desta imagem. São duas as principais estratégias. Primeiro era necessário demonstrar o “bom caráter do assassino”. Segundo, era importante denegrir a vítima, mostrar como “ela o levara ao ato criminoso.”

     

    Doca, que não tinha profissão conhecida, passou a ser descrito como pessoa que vivia de comissões obtidas pela venda de letras de câmbio ou títulos para Bancos de Investimento. Bastaram uns três depósitos bancários para atestar esta fonte de renda. Quanto a ter se relacionado com várias mulheres, isto não é negado, porém, afirma-se que ele só amara uma: Angela Diniz.

     

    Mas restava ainda uma pergunta: como foi possível que pessoa tão correta matasse uma mulher que conhecera há apenas três meses e pela qual nutria paixão tão fulminante? Como defender este impulso criminoso perante o Tribunal do Júri? Ensina Evandro Lins e Silva (1991, p. 27): “no Tribunal do Júri, o que se julga é o homem, muito mais do que o crime”. Cabe ao defensor, portanto, munir-se de todas as informações possíveis para defender seu cliente. O bom advogado deve penetrar nos sentimentos que o levaram a cometer o crime, e, para captar estas emoções, deve servir-se da literatura. Evandro conta ter se preparado lendo A servidão humana, onde reviu as “penas de Philip, sofrendo pelo amor da insensível Mildred”. “Para entender a rejeição sentida pelos amantes, medi a extensão do martírio dos apaixonados repelidos pela mulher amada. Reli a defesa de Ferri, bela, magistral, do jovem chileno Carlo Cienfuegos, que matou em Roma a amante, Bianca Hamilton, mulher fatal e sedutora, que o levou ao desvario, ao crime e à tentativa de suicídio…” (Lins e Silva, 1991, p. 24).

     

    Enfim, municiou-se para apresentar os sentimentos de rejeição, paixão, desvario, tudo o que pudesse comover o júri e levá-lo a inocentar o assassino da “mulher amada”, cujo maior pecado era não aceitar tal amor.

     

    Nas escolas de Direito, ensina-se o mecanismo da preparação da defesa. Mas será que é dada a mesma ênfase aos direitos humanos das mulheres, dos pobres, dos e das negras e demais minorias?

     

    As organizações não governamentais (ONGs) feministas

     

    Ao longo das décadas de 1960 e 1970, feministas de classe média, militantes políticas contra a ditadura militar e intelectuais foram se somando a sindicalistas e trabalhadoras de diferentes setores. Certamente, unia-as uma visão democrática e igualitária dos direitos da mulher que suplantava diferenças partidárias e ideológicas. Formou-se um vasto movimento unido de mulheres, se considerarmos que o inimigo era comum. (É claro que, em contrapartida, o movimento feminino conservador, ligado especialmente à igreja católica e ao movimento militar, também se organizou).

     

    Ao movimento feminista se aglutinou uma série de grupos que atuaram cotidianamente a favor dos direitos a melhores condições de vida, pela anistia, pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. A formação de entidades voltadas a abrigar mulheres vítimas de violência doméstica não tardou a se formar. Por todo o Brasil grupos de ativistas, voluntárias, procuravam enfrentar todos os tipos de violência: estupros, maus tratos, incestos, perseguição a prostitutas, e infindáveis violações dos direitos humanos de mulheres e meninas. Diferentemente das décadas de 1910 e 1920, agora as denúncias destes crimes escondidos na e pela família tornaram-se públicos.

     

    Recebidos inicialmente com descrédito e sarcasmo pela mídia em geral, aos poucos foram reconhecidos (ver mais adiante essa transformação na imprensa escrita).

     

    Muito esforço custou às mulheres da sociedade civil arcar com esta fundamental atividade.

     

    Os Conselhos da Condição Feminina e as Delegacias de Defesa da Mulher

     

    Com a anistia de 1979, a eleição direta de governadores em 1982 e a reorganização partidária, o cenário feminista se fortaleceu, mas se segmentou em grupos partidários.

     

    Para fazer frente às demandas de igualdade de gênero foi criado, em 1983, o primeiro Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo. Em 1985, criou-se a primeira Delegacia de Defesa da Mulher, órgão eminentemente voltado para reprimir a violência contra a mulher (Massuno, 2002).

     

    Concomitantemente, na sociedade civil, como já apontamos, vigoravam vários grupos feministas de apoio às mulheres vítimas. Intenso trabalho, quase sempre com escassos recursos e muito voluntariado, tentava suprir uma lacuna que agora, timidamente, começava a ser encampada pelo Estado.

     

    Nos anos anteriores, as mulheres que recorriam às Delegacias em geral sentiam-se ameaçadas ou eram vítimas de incompreensão, machismo e até mesmo de violência sexual. Com a criação das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) o quadro começou a ser alterado. O serviço nas DDMs era e é prestado por mulheres, mas isto não bastava, pois muitas destas profissionais tinham sido socializadas numa cultura machista e agiam de acordo com tais padrões. Foi necessário muito treinamento e conscientização para formar profissionais, mulheres e homens, que entendessem que meninas e mulheres tinham o direito de não aceitar a violência cometida por pais, padrastos, maridos, companheiros e outros.

     

    Esta tarefa de reciclagem deve ser permanente, pois os quadros funcionais mudam e também os problemas.

    Alterar essa relação de subordinação de gênero foi o início de uma revolução parcialmente bem-sucedida nos papéis sociais. Os crimes de gênero continuaram.

     

    Cada vez mais estudos verificaram que não eram apenas maridos, mas outros parceiros também agrediam e matavam as mulheres sob os mais diversos pretextos.

     

    Direitos humanos e homicídio de mulheres

     

    Em 1995, dei inicio à pesquisa sobre homicídio de mulheres para verificar como este crime era tratado: 1. pela mídia (especialmente jornais de 1991 e de 2000); 2. nos Boletins de Ocorrência das Delegacias de Polícia da capital de São Paulo (do ano de 1998); 3. nos Processos Judiciais, por meio de uma amostra representativa dos cinco Tribunais do Júri da Capital de São Paulo (de 1997).

     

    Desejava saber como a mídia, tão resistente a princípio, comportava-se na passagem do século XXI, o que os BOs registravam e como eram julgados os assassinos(as) de mulheres.

     

    Diferentemente dos inúmeros estudos existentes, de excelente qualidade, esta pesquisa buscava investigar não apenas a chamada violência doméstica, mas os vários tipos de homicídio – tentativa ou consumação – de mulheres de todas as faixas etárias.

     

    Entre os resultados alcançados verificou-se:

     

    Pelas notícias de jornais

     

    – Matam-se pessoas do sexo feminino de todas as idades, desde bebês até mulheres com mais de setenta anos. Prevalece a faixa compreendida entre 22 e trinta anos.

     

    – Os jornais de 1991 indicavam que 22% dos crimes eram motivados por tentativas de separação, ciúme, ou suspeita de adultério. Em 2000, estes mesmos motivos cresceram e foram responsáveis por 28% dos crimes.

     

    – O filicídio, cometido por pais ou mães, não é raro no Brasil e nem em São Paulo. Em 1991, 8% das meninas assassinadas tinham menos de dez anos; a percentagem é quase igual em 2000: 7%. Pais e mães nem sempre matam pelas mesmas razões. No caso das mães, o filicídio é atribuído, em geral, a dificuldades econômicas, abandono pelo pai da criança, a chamada e pouco conhecida depressão pós-parto, ou por vingança ao companheiro. No caso dos homens, o filicídio aparece, quase sempre, associado à vingança contra a mulher: um homem abandonado não se contenta em se vingar da companheira, ele mata também os(as) filhos(as) e eventualmente outras pessoas que tentam detê-lo.

     

    – A “violência urbana” (balas perdidas, assaltos e sobretudo crimes em áreas de lazer) que, em 1991, era responsável por 17% dos crimes noticiados, reduziu-se relativamente, sendo substituída pelo aumento das ocorrências ligadas à droga (18% em 2000).

     

    – O conteúdo do noticiário mostra uma clara tendência de mudança de linguagem. Se até a década de 1980 as vítimas eram apresentadas como causadoras de sua própria morte e havia um visível apoio aos assassinos – que seriam “levados” ao crime pela suposta conduta infiel da mulher ou por ela querer romper um relacionamento, na última década do século XX o noticiário se tornou mais investigativo, relativamente neutro e com certa tendência a questionar julgamentos que facilitavam a fuga dos réus.

     

    – Destaco ainda que o espaço destinado a estas notícias, o local da publicação no jornal assim como aspectos da linguagem, refletem a classe social da vítima e do agressor.

    Rádio e televisão

     

    – Contraditoriamente, o rádio e a televisão continuam a reproduzir em seus programas musicais os antigos sucessos em que o homem mata a mulher que não mais quer a “felicidade” que ele lhe proporcionava. Veja-se como exemplo a antiga e sempre tocada canção Cabocla Teresa (Raul Torres e João Pacífico) cujos versos cantam, sem remorso, o assassinato de Teresa:

     

    “Vancê, Tereza, descansa/ Jurei de fazer vingança/ Pra mordi de nosso amor

    Há tempos eu fiz um ranchinho/ Pra minha cabocla morar

    Pois era ali nosso ninho/ Bem longe desse lugar/ No alto lá da montanha

    Perto da luz do luar/ Vivi um ano feliz/ Sem nunca isso esperar

    E muito tempo passou/ Pensando em ser tão feliz/ Mas a Tereza, dotô

    Felicidade não quis/ Pus meus sonhos nesse olhar/ Paguei caro meu amor

    Por mordi de outro caboclo/ Meu rancho ela abandonou/ Senti meu sangue

    ferver

    Jurei a Tereza matar/ O meu alazão arriei/ E ela fui procurar/ Agora já me vinguei

    É esse o fim de um amor/ Essa cabocla eu matei/ É a minha história doto”.

     

    Os programas televisivos, que dramatizam os crimes passionais, estupros seguidos de morte, incesto, trazem uma dupla mensagem: de um lado acusam o criminoso mas, ao mesmo tempo, romantizam esse tipo de crime. Esses veículos tendem a reproduzir a antiga versão de que a “vítima é responsável por sua morte” e, muitas vezes, ao reiterarem imagens e reconstituições dos supostos fatos exaltam os crimes.

     

    Assim, o noticiário mostra um processo contraditório de mudança: ao mesmo tempo em que não mais se aceita o “matei por amor” noticia-se um incremento nos crimes que tem tais justificativas.

     

    Boletins de ocorrência (BOs)

     

    Pesquisamos os Boletins de Ocorrência (BOs) nas Delegacias Gerais e não nas Delegacias de Defesa da Mulher pois estas, em razão da competência legal, estavam impedidas de registrar homicídios de mulheres até 1996. A Secretaria de Segurança recebe uma cópia de todos os BOs, mas, ao divulgar suas análises estatísticas, não informa o sexo da vítima, uma grande dificuldade para o conhecimento dos fatos que bem indica a desimportância das relações de gênero e a predominância de uma visão apenas masculina. Foi um longo e penoso trabalho separar, manualmente, dentre os milhares de BOs de 1998, aqueles em que havia vítimas femininas.

     

    – Resultou o levantamento de 623 ocorrências com 964 vítimas, das quais 669 mulheres e 294 homens (em um BO o sexo não estava identificado). Entre as 669 vítimas mulheres, 285 eram vítimas de homicídio e 384 de tentativa de homicídio (ver notas).

     

    – A análise dos BOs mostrou que, na metade das ocorrências, o(a) agressor(a) é desconhecido. Entre os identificados, quando a vítima é mulher, 90% dos autores são homens.

     

    – A maioria das vítimas – 62% – são mulheres brancas, 7% são negras e 30% pardas.

     

    – Constatamos que a maioria tem alfabetização de nível primário (74%), embora 14% tenham o secundário e 3% o universitário.

     

    – Confirmando os dados da imprensa, as vítimas estão na faixa etária dos 22 aos trinta anos.

     

    – O perfil socioeconômico e etário dos agressores assemelha-se ao das vítimas.

     

    – Apesar das inúmeras lacunas que os BOs apresentam, observou-se que cinco em cada dez homicídios são cometidos pelo esposo, namorado, noivo, companheiro, “amante” (sic). Se incluirmos ex-parceiros, este número cresce: em sete de cada dez casos as mulheres são vítimas de homens com os quais tiveram algum tipo de relacionamento afetivo. É marcante a dificuldade com que homens aceitem que a mulher rompa um relacionamento (cerca de dois em cada dez crimes são cometidos por ex-parceiros).

     

    – Embora perdure a ideologia de que o lar é um lugar seguro, as relações familiares não são pacíficas: 12% dos homicídios ou tentativas são de responsabilidade do pai, mãe, filho, padrasto, sogra, ou seja, entre os agressores conhecidos, 66% são parentes da vítima feminina.

     

    – Qualquer instrumento serve para agredir – facas, ácido, fogo, madeira, ferro, além das próprias mãos – mas em sete de cada dez casos o revólver é usado.

     

    Processos Criminais nos Tribunais do Júri

     

    Os BOs, nos casos de homicídio e tentativa de homicídio, e depois Inquéritos Policiais – fase de instrução policial – quando encerrados são remetidos ao Poder Judiciário, onde nova fase de instrução será aberta para final julgamento.

     

    Para facilidade de compreensão, denomino Processo Criminal (PC) essa fase que se abre na Justiça. A localização dos processos demandou cerca de dois anos de pesquisa, a partir do exame dos livros de registro dos Fóruns Criminais da Capital, e mais um ano e meio para localização e exame dos mesmos nos Tribunais do Júri da Barra Funda, Jabaquara, Santo Amaro, Pinheiros e Penha. De um total de 8.805 processos, após procedimentos de seleção de uma amostra representativa, deveríamos analisar cem casos. Prevendo problemas, que de fato ocorreram, resultou uma amostra representativa de 81 Processos Judiciais.

     

    – Consistentemente com os achados anteriores, observamos que as vítimas são mulheres jovens, de 22 a trinta anos predominantemente, de cor branca, cuja escolaridade é 1º grau incompleto, com profissão “não qualificada” originárias do Estado de São Paulo.

     

    – Viviam em casas precárias de alvenaria ou apartamentos tipo conjunto habitacional, predominantemente na Zona Leste.

     

    – São solteiras, na maioria, têm filhos, sendo que uma em cada quatro teve filhos com os companheiros com quem viviam quando foram vitimadas.

     

    – Apenas 9% destas vítimas tinham antecedentes criminais.

     

    – Cerca de 2% estavam grávidas quando foram assassinadas ou sofreram tentativa, fato que não impediu ou até motivou o crime.

     

    – Agressores, mais do que vítimas, têm nível educacional de 1º grau incompleto (33% e 28%) e estão na mesma faixa etária delas.

     

    – Cerca de 5% das vítimas têm nível universitário (completo ou não) o qual não aparece entre os réus, o que não deve ser interpretado literalmente mas merece cuidadosa análise. Não estariam os criminosos de nível universitário entre os que fugiram?

     

    – As informações contidas nos processos são muito incompletas: em 30% dos casos não se tem informação sobre o nível educacional das vítimas, suas profissões, condição de moradia, antecedentes criminais e até mesmo se elas estavam grávidas ou não. Também não há informação se tinham filhos.

     

    – Constatou-se que a maioria das vítimas (28%) tinha profissão “não qualificada” seguidas pelas “do lar” (23%). Cerca de 8% eram estudantes de vários níveis. Entre os réus, havia igual porcentagem de qualificados e não-qualificados (20%), 10% eram comerciantes. Praticamente não havia desempregados declarados.

     

    – Os réus têm uma posição socioeconômica um pouco mais elevada do que as mulheres. De modo geral, trata-se de uma população de baixa ou média renda.

     

    – Observa-se que em 50% dos casos o criminoso é desconhecido, o que, associado às informações da imprensa e aos Bos, permite sugerir que são homens de condição socioeconômica que lhes permite contratar advogados, fugir do flagrante e eventualmente nunca serem encontrados.

     

    – Embora haja inúmeras contradições entre as informações dos BOs e dos processos, observou-se consistência quanto à cor: em 50% dos casos a vítima era branca. No caso dos réus, a percentagem é um pouco menor (29%) embora ainda predominem os brancos. Cerca de 36% das vítimas eram pardas e 1% negras. Entre os réus, 21% eram pardos e 8% negros. Num país de racismo oculto como o Brasil, em que se atribui quase sempre a responsabilidade da violência aos negros, estes dados vêm desmentir aquele preconceito.

     

    – Quase a metade das vítimas era solteira. Uma em cada quatro era casada legalmente. Uma em cada dez vivia junto a um companheiro. Não importa o estado civil, portanto, todas tiveram um destino semelhante, foram vítimas de tentativa ou de homicídio.

     

    – No caso dos réus, apenas um em cada quatro eram solteiros, 13% eram casados e outros 13% tinham uma companheira. Isso indica que os réus eram casados, mas não com as suas vítimas.

     

    Constatamos que, do total de processos enviados aos Tribunais e que não foram a Júri ou estão sem julgamento definitivo: 50% foram arquivados (basicamente porque os criminosos não foram identificados); 24% estão suspensos (porque o réu está foragido), em dois casos foram impronunciados (pois as provas eram insuficientes) e em três foram absolvidos. Apenas 14% dos réus foram julgados e condenados.

     

    Em média, os processos não ficam muito tempo nos Tribunais: 46% ficam de um a dois anos. Mas o andamento, o excesso de vezes que as testemunhas devem ser ouvidas, as possibilidades de idas e voltas certamente facilita a fuga dos réus e a perda de contato com as testemunhas.

     

    O problema, então, não está na suposta morosidade da justiça, mas nos trâmites legais que deveriam ser mais ágeis e limitados. Em nome da ampla defesa dos réus certos setores dos aplicadores do Direito subestimam a extensão e gravidade da violência praticada contra a mulher. É urgentíssima uma revisão do procedimento jurídico se quisermos, de fato, alterar a impunidade que cerca estes crimes, como expressaram vários juizes, promotores e advogados entrevistados.

     

    Conclusão

     

    Homicídios de mulheres fazem parte da realidade e do imaginário brasileiro há séculos, como mostra variada literatura de caráter jurídico, histórico, sociológico, revistas, notícias de jornal, além da dramaturgia, literatura de cordel, novelas de rádio e televisão, música popular, e a presente pesquisa. Depois de trinta anos de feminismo, que impôs à sociedade o “quem ama não mata” como repulsa ao assassinato justificado pelo “matar por amor” e de consistentes mudanças na posição socioeconômica e nos valores relativos à relação homem x mulher, como explicar que crimes de gênero continuem a ocorrer?

     

    Reunindo-se os vários dados analisados, depreende-se que essa contradição perdura por várias razões, tais como: a persistente cultura de subordinação da mulher ao homem de quem ela é considerada uma inalienável e eterna propriedade; uma recorrente dramatização romântica do amor passional, sobretudo na televisão e no rádio, em que realidade e imaginário se retro-alimentam; na facilidade com que os procedimentos judiciais permitem a fuga dos réus; na pouca importância que as instituições do Estado dão à denúncia e ao julgamento dos crimes contra as mulheres e meninas.

     

    Para enfrentar esta cultura machista e patriarcal são necessárias políticas públicas transversais que atuem modificando a discriminação e a incompreensão de que os Direitos das Mulheres são Direitos Humanos. Modificar a cultura da subordinação de gênero requer uma ação conjugada.

     

    Para isso é fundamental estabelecer uma articulação entre os programas dos Ministérios da Justiça, da Educação, da Saúde, do Planejamento e demais ministérios. Exemplo dessa desarticulação está na proposta de criação de mais Delegacias de Defesa da Mulher, instrumento muito importante mas que tem de ser aparelhado em sua estrutura física, equipamento e ligação com as demais delegacias, com a Secretaria de Segurança, da Justiça, da Educação e demais órgãos do governo estadual e federal. Assim como o pessoal desta importante instituição precisa ser treinado permanentemente, as Delegacias pouco podem fazer se não estiverem inseridas em um programa de transformação da cultura da força e da violência de gênero.

     

    Nos programas escolares – desde o ensino fundamental até o universitário – precisa haver a inclusão da dimensão gênero mostrando como a hierarquia existente na cultura brasileira de subordinação da mulher ao homem traz desequilíbrios de todas as ordens – econômico, familiar, emocional e incrementa a violência.

     

    Mas a escola não pode ficar isolada de um processo amplo de transformação para alcançar a equidade de gênero. O que pode fazer uma professora, de qualquer nível da escala educacional, se ela própria é violentada? O que pode ensinar um professor que é um violador? O que pode fazer a escola se estiver desligada de um processo de transformação cultural? Políticas públicas transversais visando ao mesmo objetivo – a equidade entre homens e mulheres – constitui um caminho para alterar a violência em geral e de gênero em particular. A Secretaria dos Direitos da Mulher pode desempenhar este papel articulador, associando-se aos Conselhos ou Secretarias da Mulher em todos os Estados.Destaque-se, sobretudo, que um planejamento de políticas públicas transversais só funcionará com a total participação da sociedade civil.

     

    Nota:

     

    A pesquisa teve de incorporar a complexidade dos BOs, pois eles podem conter mais de uma vítima, referir-se a uma chacina com diversas vítimas, conter vítimas dos dois sexos, de várias idades. Podem, também, incluir mulheres agressoras.

     

    Referências bibliográficas:

     

    – BESSE, Susan K. Modernizando a desigualdade. São Paulo, Edusp, 1999.

     

    – BLAY, Eva Alterman “Direitos humanos e homicídio de mulheres”. Projeto de Pesquisa Integrada apoiado pelo CNPq. Concluída em 2003. ainda não publicada. Resumo dos dados encontra-se na página do NEMGE (www.usp.br/nemge).

     

    – CONY, Carlos Heitor em Fatos e Fotos – Gente. Brasília, 22 de outubro de 1979, nº 948, ano XVII. Rio de Janeiro, Bloch Editores.

     

    – KOERNER, Andrei “Posições doutrinárias sobre direito de família no pós-1988. Uma análise política”. Em FUKUI, Lia (org.). Segredos de Família. São Paulo, Annablume, 2002.

     

    – MASSUNO, Elizabeth. “Delegacia de Defesa da Mulher: uma resposta à violência de gênero”. Em BLAY, Eva A. Igualdade de oportunidades para as mulheres. São Paulo, Humanitas, 2002.

     

    – SILVA, Evandro L. A defesa tem a palavra. 3ª ed., Rio de Janeiro, Aide Editora, 1991.

     

    – ONU. World Conference on Human Rights. Vienna 14-25 June 1993. Vienna Declaration and Programme of Action.

     

    RESUMO:

     

    Diferentemene dos inúmeros estudos existentes, de excelente qualidade, esta pesquisa busca investigar não apenas a chamada violência doméstica mas os vários tipos de homicídio – tentativa ou consumação – de mulheres, de todas as faixas etárias.

     

    Ela investigou e procurou comparar como este crime era tratado: 1. pela mídia (especialmente jornais de 1991 e de 2000); pelo rádio e televisão; 2. nos Boletins de Ocorrência das Delegacias de Policia da capital de São Paulo (do ano de 1998); 3. nos Processos Judiciais, através de uma amostra representativa dos cinco Tribunais do Júri da Capital de São Paulo (de 1997). Desejava saber como a mídia tão resistente a principio se comportava na passagem do século XXI face à violência contra a mulher, o que os BOs registravam e como eram julgados os assassinos/as de mulheres. Os complexos resultados obtidos revelaram mudanças em alguns segmentos e um concomitante mecanismo que retroalimenta a antiga violência nas relações sociais de gênero. Concluindo propõe-se a implantação de uma política transversal de gênero para enfrentar a violência.

     

    Eva Alterman Blay é professora titular de Sociologia na USP e coordenadora científica do Nemge (Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero).

     

    A autora agradece especialmente ao presidente do Tribunal Superior, dr. Nigro Conceição, que compreendeu o interesse da pesquisa e facilitou o trabalho nos cinco Tribunais do Júri da capital de São Paulo. Agradece também o apoio obtido dos juízes presidentes dos Tribunais do Júri, dr. Claudio Emanuel Graciotto, dra. Maria Cristina Cotrose, dr. Luiz Tolosa Neto, dr. Camili Lellis dos Santos Almeida e dr. João Carlo Sá Moreita de Oliveira. E à dra. Adriana Gragnani pela colaboração na seleção e orientação das bolsistas de Direito e pela primeira leitura do resumo. E ao CNPq pelo apoio integral.

     

    Publicação do Instituto de Estudos Avançados da USP www.usp.br/iea/revista/ 

  • LER/DORT

    – Dia 7 de março em Campinas

    – Dia 8 de março em Osasco

     

    Nova técnica de exame é uma maneira objetiva de se avaliar a dor. Dr. Marcos Brioschi, pioneiro no uso do método, fará explanação nas regionais de Campinas e de Osasco do Químicos Unificados.

     

     

     

    Tendinite no braço direito (área em vermelho); à dir: no punho direito. Diagnósticos realizados por exame de termografia

     

    O exame termográfico por imagem de radiação infravermelha é uma nova técnica médica para o diagnóstico da LER – Lesões por Esforços Repetitivos, que hoje é uma verdadeira “epidemia” entre os trabalhadores de diversas categorias profissionais, entre elas a dos químicos. Segundo o Dr. Marcos Brioschi, pioneiro e referência no Brasil na aplicação da técnica, ela trata-se de “uma maneira objetiva de se avaliar a dor”. A termografia infravermelha é feita com uma câmera especial que filtra os raios infravermelhos e filma o paciente. Analisando a distribuição térmica do corpo na imagem, o médico faz o diagnóstico com base em pontos de temperatura anormal. Segundo o Dr. Brioschi, a técnica se mostra eficaz na detecção de dores sem marcas físicas, que muitos consideram subjetivas, como por exemplo a tendinite, e também comprova casos de lesão por esforço repetitivo. “Ela não substitui os métodos atuais, como ultra-sonografia ou tomografia, mas complementa a análise”, explica o Dr Brioschi.

     

    O método não é invasivo, não tem contra-indicações e não provoca desconforto ou dores nos pacientes.

     

    O Dr. Marcos Brioschi é médico do Centro de Dor do Hospital de Clínicas, e faz os exames no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, e no Centro Médico MAB, em Curitiba. Ele é certificado pelo American Board of Thermology; Doutor em Clínica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paranágia; Formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná; Médico pesquisador do Centro de Dor da Clínica de Neurologia do HC-FMUSP; Especialista em Cirurgia Geral e do Trauma pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Com estágios de imagem infravermelha em diversos hospitais de especialidades diferentes: Hospital Universitário de Viena, Áustria; Ville Marie Centro Médico e da Saúde da Mulher, Montreal, Canadá; Ludwig Boltzmann Research Institute for Physikal Diagnostics, Viena, Áustria; Hospital de Ilsan, Seoul, Coréia do Sul. É membro da American Academy of Thermology e docente do curso de Medicina na Faculdade Evangélica do Paraná (FEPAR) pela disciplina de Termologia Médica.

     

    Atualidades sobre a LER

     

    As palestras também contarão com a presença do Dr. Roberto C. Ruiz, médico do trabalho e assessor de Saúde do Sindicato Químicos Unificados, que falará sobre Atualides da LER no Brasil. O Dr. Ruiz é especialista em saúde do trabalhador e participou na construção do Protocolo para Abordagens de LER/DORT do Ministério da Saúde, que será lançado oficialmente pelo governo federal ainda este ano. Segundo o Dr. Ruiz, apesar do diagnóstico da LER ser eminentemente clínico, é muito importante ampliar o conhecimento sobre a termometria cutânea, uma vez que a mesma pode se constituir em um importante auxílio diagnóstico aos médicos.

     

    Dia e hora

     

    Em Campinas:

     

    Dia 07 de março, com início às 14 horas. Na sede da Regional de Campinas do Sindicato Químicos Unificados, avenida Barão de Itapura, 2022, Guanabara, Campinas/SP, fone (019) 3231.5077, e-mail quimicosunificados@terra.com.br

     

    Em Osasco:

     

    Dia 08 de março, com início às 15 horas. Na sede da Regional de Osasco do Sindicato Químicos Unificados, praça Joaquim dos Santos Ribeiro, n.º 265, km 18, fones: (11) 3608-5411,e-mail plasquiluta@uol.com.br

     

    As atividades são gratuitas e podem participar todos os interessados.

     

    LER/DORT

     

    Saiba tudo e fique bem informado sobre a LER/DORT, suas causas, consequências, estatísticas e formas de prevenção. Visite a página do Instituto Nacional de Prevenção às LER/DORT: http://www2.uol.com.br/prevler/

  • Ato em defesa do Aterro Mantovani

    Os próximos passos da luta
     

     

     

    Ato religioso é realizado no encerramento do acampamento

     

    Para exigir a retirada do lixo tóxico despejado no Aterro Mantovani e a punição das empresas que cometeram esse crime ambiental, diversas organizações e entidades realizaram de 26 a 29 de maio um acampamento junto ao km 150 da rodovia SP 340, na pista sentido Mogi Mirim-Campinas. O acampamento esteve montado dia e noite durante os quatro dias, e houve apresentação de atividades culturais e palestras. O Sindicato Químicos Unificados e a Comissão de Ex-Trabalhadores Shell/Basf participam da organização da atividade e estiveram presentes no acampamento.

     

    Ao final da mobilização, no dia 29, as entidades organizadoras definiram os seguintes passos para a continuidade da luta:

     

    DELIBERAÇÕES DO ACAMPAMENTO

     

    – Recomendar a participação de todos, no próximo dia 3 de junho, da passeata de protesto dos trabalhadores contaminados da Shell/Basf em Campinas e Paulínia-SP;
    – Apoiar as ações do Instituto Brasileiro do Direito Ambiental – IBRADA, que realizará – dia 5 de junho – ato comemorativo do DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, no Parque das Bicicletas – Ibirapuera – São Paulo – SP, concedendo uma barraca de divulgação das atividades e lutas do Comitê de Solidariedade às Vítimas de Áreas Contaminadas;
    – Apresentar oficialmente, no próximo dia 7 de junho a partir das 14 horas, à Promotoria de Justiça de Jaguariúna nosso REPÚDIO à decisão de concessão de mais 30 dias para que as indústrias criminosas apresentem novo relatório sobre a retirada total e imediata dos resíduos depositados no aterro Mantovani;
    – Apresentar oficialmente, também no próximo dia 7 de junho, a partir das 14 horas em frente ao Fórum de Jaguariúna, nossa defesa no processo aberto pela RENOVIAS, denunciando o abuso policial ocorrido durante o acampamento, sob a escolta da liminar concedida à RENOVIAS por uma Juíza local;
    – Participar, em bloco, no mesmo dia 7 de junho a partir das 19 horas, da sessão da Câmara Municipal de Holambra, onde nosso companheiro Leonardo Moreli (Secretário Geral da DEFENSORIA DA ÁGUA) fará uma palestra;
    – Propor o dia 20 de junho, como data indicativa para a realização da AUDIÊNCIA PÚBLICA da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa;
    – Organizar todas as comunidades envolvidas com problemas de áreas contaminadas para exercer pressão sobre a Assembléia Legislativa para o início dos trabalhos da CPI das Áreas Contaminadas com efetiva investigação e punição dos responsáveis;
    – Os manifestantes, em assembléia geral, deliberaram ainda declarar-se em ESTADO DE ALERTA , prevendo paralisações relâmpago da Rodovia SP 340, caso os encaminhamentos não apresentem resultados e o voto de confiança dado às autoridades e à Assembléia Legislativa não produzam frutos.
    – A partir de junho, o Comitê passará a manter – no local do ACAMPAMENTO DA SOLIDARIEDADE (KM 147 da Rodovia SP 340) – uma exposição permanente nos finais de semana, de forma a procurar conscientizar os turistas com a distribuição de materiais informativos e coleta de assinaturas no abaixo-assinado pela retirada imediata do lixo tóxico do aterro MANTOVANI.
    – Por fim, foi deliberada uma intensa campanha de divulgação dos nomes das empresas, com objetivo de que os consumidores conheçam os responsáveis pela principal área de contaminação industrial do país, ainda impune há 31 anos.

     

    Veja na matéria abaixo a história do Aterro Mantovani.

     

    maio/2005

     

    Aterro Mantovani

     

    Acampamento de protesto contra contaminação no Aterro Mantovani vamos acabar com essa impunidade!

     

    Acampamento de protesto para exigir a retirada do lixo tóxico

     

    De 26 a 29 de maio, às margens do km 150 da rodovia SP 340, sentido Mogi Morim/Campinas

     

    Faça uma visita e leve sua solidariedade e participe da luta pela construção de um mundo melhor. Haverá palestras e atividades culturais.

     

    Mapa da localização do acampamento

     

     

    Para exigir a retirada do lixo tóxico despejado no Aterro Mantovani e a punição das empresas que cometeram esse crime ambiental, diversas organizações e entidades estarão realizando de 26 a 29 de maio um acampamento junto ao km 150 da rodovia SP 340, na pista sentido Mogi Mirim-Campinas. O acampamento estará montado dia e noite durante os quatro dias, e haverá a apresentação de atividades culturais e palestras. O Sindicato Químicos Unificados e a Comissão de Ex-Trabalhadores Shell/Basf participam da organização da atividade e estarão presentes no acampamento. Aproveite o feriado para participar da luta pela construção de um mundo melhor. Faça uma visita ao acampamento, fique bem informado sobre esse crime ambiental e leve sua solidariedade aos moradores da região, vítimas da ganância das empresas que colocam seu interesse pelo lucro acima do direito à vida.

     

    A história do Aterro Mantovani

     

     

    Foto aérea do Aterro Mantovani, com lavoura e plantações ao redor 

     

    O Aterro Mantovani é um dos maiores crimes ambientais cometidos no Brasil. Nele foram despejadas, de forma irresponsável e consciente, principalmente por indústrias multinacionais, cerca de 500 mil toneladas de resíduos tóxicos, o que causou a contaminação do solo, da água e doenças na população de toda a região. Passados trinta anos de sua abertura, até hoje poucas medidas efetivas foram tomadas para recuperar a degradação ambiental e nenhuma das cerca de 60 empresas que cometeram esse crime foi severamente punida.

     

    O Aterro Mantovani está localizado em uma área de 31 hectares, entre os municípios de Santo Antonio de Posse e Holambra, na região de Campinas. Entre 1974 e 1987 (ano em que foi fechado pela Cetesb), ele recebeu todo tipo de resíduo industrial perigoso, como por exemplo metais pesados, sem qualquer tipo de tratamento ou precaução. Essa área, contaminada, está situada na Bacia Hidrográfica dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. No seu subsolo encontra-se o Aqüífero Bauru, que contribui para a alimentação do famoso Aqüífero Guarani, que é a maior reserva subterrânea de água doce do mundo.

     

    Durante anos, nada disso foi levado em conta pelas multinacionais, que criminosamente continuaram a despejar lixo tóxico, e nem pelo governo do Estado, que se manteve omisso e até chegou a autorizar o depósito.

     

    E até hoje não há uma solução definitiva para o problema, cuja poluição continua a avançar e a população a sofrer com seus efeitos a partir do solo que vive, da água que bebe e do ar que respira.

     

    Basta de impunidade! Quem poluiu deve ser responsabilizado, pagar e reparar o dano. Além da punição às multinacionais que fizeram do Mantovani seu quintal de depósito de lixo tóxico, também deve ser investigada a omissão, durante anos, do governo estadual, e da mesma forma seus responsáveis devem responder na Justiça por esse crime.

     

    Exigimos que seja traçado um plano de recuperação ambiental sério e urgente para a remoção de todo o lixo, para a recuperação do solo e da água, e que as pessoas vitimadas sejam assistidas, atendidas e reparadas por todos os danos que sofreram, na saúde, econômica e psicologicamente.

     

    A lista das empresas que cometeram o crime ambiental no Aterro Mantovani

     

    – Acebras Acetatos do Brasil
    – Arzo Indústria e Comércio
    – Asfalto Vitória
    – Basf
    – Boehringer Ingelheim
    – Brazão Lubrificantes
    – Buchmann Laboratórios
    – Cagigo
    – Carioquímica
    – Cargil Agrígola
    – Ciquini Plasbaté
    – Citrospectina
    – CBTI Equip Industriais
    – Du Pont do Brasil
    – Embraer
    – Fairchild Semicondutores
    – Filtros Mann
    – Huzicromo Galvanoplastia
    – Hydrosol Produtos Químicos
    – Ibrasol Petróleo
    – Sabão e Glicerina
    – Itelpa Screens
    – Itol Óleos Isolantes
    – Yanmar do Brasil
    – Johnson & Johnson
    – Lubrasil Lubrificantes
    – Lubrinasa Lub Nacionais
    – Marangoli Ind Elétrica
    – Mercedes Benz do Brasil
    – Midland Ross
    – Mont D’Este Ind e Comércio
    – Montecril
    – Nobel Química
    – Pardar Produtos Químicos
    – Partington Chemicals
    – Petroil Lubrificantes “Igo”
    – Plestin Indústria Química
    – Petronasa Petróleo Nacional
    – Prosint Produtos Sintético
    – Quimpil Piracicabana
    – Quimitex Indústria e Comércio
    – Rainha Materiais Esportivos
    – Recicla Indústria Química
    – Redestil
    – Refinaria de Petróleo Manguinhos
    – Regenera Indústria e Comércio
    – Rhodia
    – Robert Bosch
    – Servind Produtos Químicos
    – Sinterbras Indústria e Comércio
    – Supre Mais Química
    – Texas Indústria de Eletrônicos
    – Texaco do Brasil
    – Vasilhame São Matheus
    – Vasoil Recup de Óleos Lubrificantes

     

    A pergunta que precisa ser respondida: Onde essas empresas estão jogando hoje o seu lixo?

  • Explosões e incêndio na Adere Fitas, em Sumaré

     

    O barracão de fitas adesivas atingido na Adere Fitas Auto Adesivas, localizada em Sumaré.

     

    Três explosões seguidas de incêndio ocorreram na Adere Fitas Auto Adesivas, em Sumaré, na manhã de hoje (19/05/05). Apesar da proporção do acidente, segundo informações iniciais somente um trabalhador recebeu ferimentos leves ao tentar fugir do local para se proteger. Diversos acidentes com explosões e incêndio já foram registrados na Adere, sendo o último em setembro de 2002.

     

    O acidente de hoje foi em um barracão de aproximadamente 400m² do setor de adesivos. Com as explosões, o teto ruiu parcialmente e as chamas que se seguiram atingiram cerca de 40 metros de altura e foram contidas pelo Corpo de Bombeiros de Sumaré. Não foi permitida a entrada de jornalistas, do sindicato, e os aproximadamente 170 trabalhadores foram dispensados.

     

    Segundo Luis Gustavo Dias, diretor comercial da Adere, a explosão inicial foi em um anel de ruptura, tipo válvula de pressão, no tanque de adesivo na forma líquida, que posteriormente usado na produção de fitas auto-adesivas. Ele diz que os danos materiais foram significativos e que a estrutura do barracão terá que ser totalmente periciada.

     

    Testemunhos de funcionários garantem que o alarme de incêndio não funcionou. Eles dizem que há uma brigada de incêndio, mas que nunca ocorreu treinamento para situações de risco e que não há ponto de encontro demarcado para essas situações. De início, alguns trabalhadores tentaram dominar as chamas com extintores manuais, impotentes para a situação.

     

    O sindicato está na portaria da empresa e exige participar das investigações sobre o acidente. A Adere Fitas Auto Adesivas está localizada no bairro Santo Antonio, em Sumaré, em uma planta inaugurada no início do mês de abril último.

     

    No dia 3 de setembro de 2003, na planta da Adere então situada em Campinas, quatro trabalhadores se feriram com gravidade após explosões e incêndio em um tanque contendo aproximadamente 5 mil litros de compostos solventes e borracha. A área, com cerca de 300m² foi totalmente destruída nesse acidente. Em fiscalização a pedido do sindicato realizada pelos ministérios Público e do Trabalho e pela Vigilância Sanitária de Campinas, no dia 9 de setembro, diversas máquinas foram interditadas por apresentarem riscos aos trabalhadores.

  • DIA DO TRABALHADOR

     

    1º de Maio de Lutas, na praça da Sé, em São Paulo

     

    Um 1º de Maio, classista, de lutas e contra as reformas sindicais e a política econômica do governo Lula foi realizado pela FES – Frente de Esquerda Socialista e diversos partidos de esquerda e movimentos sociais e populares na praça da Sé, em São Paulo. Cerca de três mil pessoas estiveram presentes no ato, que foi precedido de uma missa na Catedral da Sé e que se encerrou com uma passeata pelas ruas centrais da capital paulista. O Sindicato Químicos Unificados esteve presente nesta manifestação.

     

    Além das questões pontuais, o ato também se pautou pela lembrança de que o 1º de Maio é um marco na luta de toda a classe trabalhadora, em todo o mundo, contra a exploração que sofre da burguesia e das elites.

     

    O ato na Praça da Sé foi também um protesto contra as megafestas organizadas pela CUT (na avenida Paulita) e pela Força Sindical (na praça Campos de Bagatelle – zona norte), ambas em São Paulo. O orçamento desses dois atos, que tiveram como base para atrair público a realização de shows e sorteios de prêmios, foi de quase R$ 6 milhões.

     

    Após o ato houve uma passeata que saiu da praça da Sé por volta das 11h30m e realizou percurso até a Delegacia Regional do Trabalho, na rua Martins Fontes, em São Paulo, contra as reformas trabalhista e sindical.

    abril/2005

     

    PARTICIPE DO 1º DE MAIO!

     

    Leia sobre o 1º de Maio no informativo do Sindicato Químicos Unificados. O arquivo está em anexo no formato pdf.

     

    Clique na imagem para obter os arquivos e poder vê-los no programa Acrobat Reader. Caso não o tenha, clique no link http://www.brasil.adobe.com/products/acrobat/readstep2.html para baixá-lo no seu computador.

     

     

    Compareça aos atos públicos!

     

     

  • Greve total na Unilever.

    A greve realizada ontem e que parou totalmente a produção e a administração da unidade da Unilever Brasil em Vinhedo fez com que a multinacional aceitasse negociar com o sindicato, o que até então ela se recusava. Após a greve de ontem, uma outra série de mobilizações já estava programada pelo sindicato e pelos trabalhadores. Uma primeira rodada de negociações foi realizada na manhã de hoje (11 de março de 2005) entre representantes do sindicato e da Unilever.

     

    Nessa reunião, por escrito, ficou definido que as 48 demissões realizadas pela multinacional no dia 28 de janeiro serão revistas sob as seguintes condições:

     

    a) haverá consulta individual a cada um desses 48 trabalhadores no sentido de ser aferida sua vontade de integrar ou não um plano de demissão voluntária;

     

    b) para todos os trabalhadores que se encontram em fase de aposentaria e nela tiverem interesse a empresa irá agilizar a documentação necessária para isso;

     

    c) será contratado um profissional habilitado, de confiança da Unilever e do sindicato, para examinar os trabalhadores que foram demitidos e que apresentam queixa de serem portadores de doenças profissionais ou que foram vítimas de acidentes no trabalho. Na hipótese de serem constatadas situações que legalmente impeçam a demissão, esse trabalhador será reintegrado e feita a abertura de CAT – Comunicação de Acidente no Trabalho.

     

    d) Caso após os passos acima ainda houver trabalhador excedente do total de 48 então demitidos, caminhos alternativos à demissão serão buscados.

     

    Quanto ao comunicado interno da Unilever que oferece o 0800 para que os trabalhadores deixem o sindicato, uma decisão que comete crime contra o direito de livre organização de classe, a multinacional se compromete a fazer uma retratação junto a seu quadro de trabalhadores.

     

    Abaixo, veja sobre a greve de ontem (10 de março de 2005) que paralisou em 100% as atividades da produção e da administração da Unilever em Vinhedo.

     

    10 DE MARÇO/2005

     

    Produção e administração 100% paradas

     

    Crime da Unilever contra organização dos trabalhadores e demissões provocam greve de protesto

     

    Uma greve que paralisou totalmente a produção e a administração na unidade da Unilever Brasil em Vinhedo, no dia de hoje (10 de março de 2005), foi a resposta de seus funcionários e do sindicato contra um crime praticado pela empresa contra o livre direito de organização dos trabalhadores e contra as 48 demissões realizadas pela multinacional em 28 de janeiro último, rompendo assim um acordo assinado no qual ela se comprometia a não praticar demissões em massa sem antes abrir negociações em busca de alternativas.

     

     

    Reprodução do comunicado interno do Recursos Humanos da Unilever, dirigido aos trabalhadores da unidade de Vinhedo

     

    Em um comunicado interno, sob o título “Exclusão de associados ao sindicato” a Unilever oferece a seus trabalhadores um telefone 0800 e sua estrutura funcional para que eles solicitem a exclusão dos descontos (para o sindicato) na folha de pagamento. Isso consta como crime no Código Penal Brasileiro que, em seu Título IV – Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho – Artigo 199, prevê “Constranger alguém… a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional”. A pena estipulada é de detenção de um mês a um ano, além de multa. Além do Código Penal, essa medida da Unilever fere a Constituição Federal, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, convenções da OIT – Organização Internacional do Trabalho, a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e o Global Compact, da ONU – Organização das Nações Unidas. Em todos está claramente expressa a garantia do direito dos trabalhadores se organizarem livremente e é proibida qualquer iniciativa patronal no sentido de impedir e ou dificultar essa vontade da classe.

     

    A greve também foi em protesto contra as 48 demissões efetuadas pela multinacional no dia 28 de janeiro último. Com essas demissões, a Unilever Brasil em Vinhedo rompeu um acordo que havia assinado com o sindicato e com os trabalhadores no início de 2004, quando então uma greve de 24 horas a fez rever as 150 demissões que havia anunciado em razão da transferência de uma linha de produção para o município de Ipojuca, em Pernambuco. Nesse acordo agora rompido, a Unilever se comprometia a não realizar demissões em massa sem antes negociar com o sindicato e com os trabalhadores a busca de soluções alternativas.

     

    Tanto em relação às demissões quanto ao constrangimento ao direito de livre organização dos trabalhadores, o sindicato está tomando todas as medidas políticas e jurídicas cabíveis, em todas instâncias. A paralisação de hoje faz parte de um processo de mobilizações que agora se inicia e que terá continuidade até que a direção da Unilever aceite negociar esses problemas com o sindicato. Hoje, durante toda a greve a direção se recusou a receber a direção sindical para conversar.

     

    Em apoio à paralisação e em solidariedade aos trabalhadores da Unilever, na manifestação de hoje estiveram presentes sindicalistas de diversas categorias de Campinas, Osasco, Vinhedo, Valinhos, Jundiaí, São Paulo, do ABC e do MST – Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e do MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto e o deputado estadual Renato Simões (PT).

     

    Para maiores informações, favor contatar a Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados pelos telefones (19) 3886.6264 ou (19) 3876.2915, pelo e-mail sindibase@terra.com.br, e também pelos celulares (19) 9119.4242 e (19) 7850.8898, com os sindicalistas Rodrigo Paixão e Pedro Possidônio, que estão na portaria da Unilever em Vinhedo.

     

    22 DE FEVEREIRO/2005

     

    No Centro Empresarial, em São Paulo

     

    Químicos protestam contra Unilever por romper acordos e demitir 48 trabalhadores, em Vinhedo

     

     

     

    Deputado estadual Renato Simões (PT) e prefeito João Donato (PL), de Vinhedo, por iniciativa do sindicato, vão cobrar responsabilidades da multinacional

     

    O Sindicato Químicos Unificados e outros sindicatos da categoria integrantes da CNQ – Confedereção Nacional do Ramo Químico realizaram na manhã de hoje (22 de fevereiro de 2005), no Centro Empresarial de São Paulo, um ato de protesto contra a demissão de 48 trabalhadores no dia 28 de janeiro pela Unilever Brasil, em sua unidade de Vinhedo-SP. Os sindicalistas exigem da Unilever, que tem seu escritório central no Centro Empresarial, o cumprimento do acordo assinado em 2004 entre a multinacional e os trabalhadores de que não haveria demissões coletivas sem que antes fossem abertas negociações em busca de alternativas.

     

    Entre os demitidos há portadores de lesões ocupacionais adquiridas durante o período de trabalho na própria Unilever. Há também demissões de trabalhadores em um prazo inferior a 15 dias do retorno das férias, uma estabilidade que está garantida na convenção coletiva da categoria. O Sindicato Químicos Unificados vem tentando abrir negociações com a multinacional, mas não recebe qualquer retorno ou resposta.

     

    O ato de protesto foi fortemente intimidado pela Polícia Militar, com policiais portando metralhadoras, revólveres na mão, cães e sobrevôos de helicóptero.

     

     

     

    O acordo rompido

     

    O acordo assinado entre o Sindicato Químicos Unificados e a Unilever Brasil, agora rompido pela multinacional, foi estabecido no início de 2004, após uma greve no dia 11 de fevereiro que paralisou em 100% a produção da unidade de Vinhedo. À época, a Unilever fez um comunicado público de que demitiria 150 trabalhadores devido ao fechamento de postos de trabalho em razão da transferência de parte de sua linha de produção para o município de Ipojuca, em Pernambuco. Após diversas mobilizações e paralisações promovidas pelo sindicato e pelos trabalhadores, que culminou na greve, a empresa reverteu sua decisão de fazer as 150 demissões.

     

    Deputado e prefeito
    vão cobrar a Unilever

     

    Na manhã de hoje (22 de fevereiro) dirigentes da Regional de Vinhedo do Sindicato Quimicos Unificados estiveram reunidos com João Carlos “Kalu” Donato (PL), prefeito de Vinhedo e com o deputado estadual Renato Simões (PT), na prefeitura da cidade. Na reunião, realizada a pedido do sindicato, foi levantado o histórico de dificuldades no relacionamento da dificuldade com o município, como por exemplo o passivo ambiental criado, demissões constantes e até mesmo de desrespeito aos poderes executivo e legislativo local.

     

    Durante a reunião, o prefeito Donato e o deputado Simões falaram por telefone com a assessoria do presidente da Unilever Brasil Vinicius Prianti, e foi marcada preliminarmente uma reunião para discutir a questão, a ser realizada no dia 24 de fevereiro, em Vinhedo. Na conversa, ficaram definidos algumas alternativas a serem estudadas, tais como: reintegração imediata dos lesionados, reintegração imediata de quem já está próximo à aposentadoria e encaminhar esse processo, abrir discussão com os trabalhadores para apurar desejo de deixar espontaneamente a empresa. Durante a conversa, um dos assessores do presidente da Unilever afirmou haver a possibilidade de ser instalada uma nova linha de produção da multinacional em Vinhedo, a qual criaria 50 novos postos de trabalho.

     

    O prefeito Donato diz estar indignado com a política da Unilever de produzir em Vinhedo e recolher impostos em Louveira, desde que a partir do ano de 2002 a multinacional transferiu seu Centro de Distribuição para a cidade vizinha, promovendo uma guerra fiscal entre os municípios e causando um rombo de cerca de R$ 2 milhões por ano no orçamento da cidade por ele administrada.

     

    Independente do encaminhamento destas negociações, o deputado Simões garantiu que irá protocolar na Assembléia Legislativa uma denúncia contra a Unilever para que a empresa seja convocada para explicar sua constante prática de abuso do poder econômico e de constante desrespeito às leis trabalhistas.

     

    As infrações trabalhistas
    na Unilever Vinhedo

     

    Em um relatório de 180 páginas preparado pelo Sindicato Químicos Unificados e entregue em novembro de 2003 ao então ministro do Trabalho e Emprego Jaques Wagner, constam documentos que comprovam a ocorrência de doenças ocupacionais nos trabalhadores da Unilever em Vinhedo, como o estresse e LER – Lesões por Esforços Repetitivos entre outras, principalmente com origem no excessivo ritmo exigido na produção e por falta de medidas preventivas. Essas doenças ocupacionais já foram ratificadas em estudo promovido pelo Observatório Social (www.observatoriosocial.org.br). Constam também comprovações de que a multinacional desrespeita os direitos básicos dos trabalhadores e de liberdade dos mesmos de organização em entidade de classe previstos no Global Compact (que define princípios para as multinacionais, propostos pela ONU – Organização das Nações Unidas), as diretrizes para empresas multinacionais da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e principalmente as normas da OIT – Organização Internacional do Trabalho. Estas denúncias também foram encaminhadas à ONU.

     

    Pesquisa do Observatório Social constata “graves problemas” na Unilever

     

    Entre abril de 2002 e março de 2003, o Instituto Observatório Social (IOS) realizou uma extensa pesquisa sobre o desempenho social e trabalhista da Unilever no Brasil.

     

    O problema mais grave identificado na pesquisa é o fato de a companhia não respeitar integralmente a liberdade sindical e a livre organização dos trabalhadores. Também foi constatada pouca capacidade da empresa em transmitir informações importantes para os trabalhadores, diretamente ou por meio do sindicato.Quanto às políticas de promoção de igualdade racial e de gênero, a Unilever pratica a chamada discriminação passiva. Isto é, nada faz para mudar, no âmbito da empresa, as desigualdades raciais e de gênero que caracterizam o mercado de trabalho brasileiro. Segundo a percepção dos trabalhadores entrevistados, o número de mulheres e de negros em cargos de chefia é inexpressivo.

     

    O relatório completo da pesquisa realizada pelo Instituto Observatório Social (IOS) pode ser encontrado no sitio: www.observatoriosocial.org.br

     

    Perfil da Unilever

     

    Faturamento mundial US$ 56,28 bilhões (2002).
    Faturamento no Brasil R$ 7,3 bilhões (2002).
    Ranking de empresas 1a. no mundo em bens de consumo, 2a. em alimentos (a 1a. é a Nestlé).
    Número de trabalhadores 247 mil (2002).
    Empregados no Brasil 15.000.
    Participação no mercado brasileiro 0,57% do PIB (2002).
    Marcas mais conhecidas Chá Lipton, sorvete Magnum, margarinas Doriana e Becel, suco de soja Ades, sabonete Dove, xampus Organics e Timotei, sabão em pó Omo, pastas de dente Close Up, Signal, Gessy e Mentadent, linha de produtos Rexona, linha de fragrâncias Calvin Klein.

     

    A unidade da Unilever Brasil em Vinhedo tem cerca de 550 trabalhadores, produz produtos para higiene pessoal e cosméticos, e está localizada na Avenida das Indústrias nº 315, Distrito Industrial de Vinhedo.

     

    Histórico e mais informações sobre o ato e a reunião de hoje

     

    O histórico de toda a mobilização dos trabalhadores da unidade de Vinhedo da Unilever Brasil pode ser encontrado abaixo. Para mais informações sobre o ato de hoje em São Paulo e a reunião entre o sindicato o prefeito Donato e o deputado Simões, favor entrar em contato com a Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados, com Rodrigo Paixão ou Pedro Possidônio, pelos telefone (19) 3886.6264 ou (19) 3876.2915, e pelo e-mail: sindibase@uol.com.br

     

    FEVEREIRO/2005

     

    Unilever rompe acordos, descumpre leis e demite 48 trabalhadores, em Vinhedo

     

    48 trabalhadores já foram demitidos pela Unilever Brasil, em processo que teve início na noite do dia 28 de janeiro e que ainda está continuidade. Essa demissão coletiva foi feita pela multinacional de forma arbitrária, sem qualquer negociação prévia com os próprios trabalhadores e com o sindicato de classe, o que fere acordo estabelecido no início de 2004 quando a Unilever tentou fechar 150 postos de trabalho, descumpre o acordo coletivo da categoria, a legislação trabalhista e também acordos com entidades internacionais dos quais a Unilever é signatária.

     

    Entre os demitidos estão trabalhadores portadores de lesões adquiridas dentro da própria Unilever, e outros que retornavam do período de férias e com os quais não foram respeitados os 15 dias de estabilidade prevista nessa situação.

     

    O Sindicato Químicos Unificados vem tentando abrir negociações com a multinacional, mas não recebe qualquer retorno ou resposta, o que indica que os únicos caminhos que restam são o da mobilização política e o jurídico.

     

    A unidade da Unilever Brasil em Vinhedo tem cerca de 550 trabalhadores, produz produtos para higiene pessoal e cosméticos, e está localizada na Avenida das Indústrias nº 315, Distrito Industrial de Vinhedo.

     

    Acordos internacionais

     

    Além de ferir acordos específicos assinados com o sindicato, descumprir o acordo coletivo da categoria e a legislação trabalhista, a Unilever rompe acordos internacionais de defesa do trabalhador do qual é signatária, como por exemplo: o Global Compact (que define princípios de atuação pelas multinacionais, definidos pela ONU – Organização das Nações Unidas), as diretrizes para multinacionais da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e, principalmente, as normas da OIT – Organização Internacional do Trabalho.

     

    As infrações trabalhistas
    na Unilever Vinhedo

     

    Em um relatório de 180 páginas preparado pelo Sindicato Químicos Unificados e entregue em novembro de 2003 ao então ministro do Trabalho e Emprego Jaques Wagner, constam documentos que comprovam a ocorrência de doenças ocupacionais nos trabalhadores da Unilever em Vinhedo, como o estresse e LER – Lesões por Esforços Repetitivos entre outras, principalmente com origem no excessivo ritmo exigido na produção e por falta de medidas preventivas. Essas doenças ocupacionais já foram ratificadas em estudo promovido pelo Observatório Social (www.observatoriosocial.org.br). Constam também comprovações de que a multinacional desrespeita os direitos básicos dos trabalhadores e de liberdade dos mesmos de organização em entidade de classe previstos no Global Compact (que define princípios para as multinacionais, propostos pela ONU – Organização das Nações Unidas), as diretrizes para empresas multinacionais da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e principalmente as normas da OIT – Organização Internacional do Trabalho. Estas denúncias também foram encaminhadas à ONU.

     

    Histórico

     

    Todas as informações sobre as mobilizações no final de 2003 e início de 2004 que fizeram com que a Unilever revertesse sua intenção de transferir parte da produção para o estado de Pernambuco e fechar 150 postos de trabalho na unidade de Vinhedo podem ser encontradas abaixo.

     

    Mais informações sobre as atuais demissões favor entrar em contato com a Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados, telefones (19) 3886.6264 e 3876.2915, com os dirigentes sindicais Pedro Possidônio e José Roberto de Oliveira (Beto).

     

    abril/2004

     

    Acordo aponta para o fim da ameaça de 150 demissões na Unilever em Vinhedo

     

    A Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados e a direção nacional da Unilever chegaram a um acordo que indica a reversão do projeto da multinacional em fechar 150 postos de trabalho da unidade em Vinhedo, com a conseqüente demissão dos trabalhadores. Esse acordo foi definido no dia 26 de abril, após a retomada das negociações no mês de março.

     

    Entre as alternativas encontradas estão alguns projetos em estudos pela Unilever, que ainda dependerão de alguns meses para a plena definição. Entre estes, a possibilidade real e concreta de ampliação da capacidade produtiva e o estudo de uma jornada de trabalho alternativa na planta em Vinhedo.

     

    Enquanto não houver a definição destes projetos, o sindicato e a Unilever definiram que a fábrica de Vinhedo não efetivará dispensas para redução de seu quadro funcional. Estas dispensas seriam realizadas em conseqüência da transferência de parte da linha de produção para Pernambuco e a implementação de paletizadores automatizados. Qualquer dispensa não relacionada à reestruturação da empresa será efetivada normalmente, sendo observada a legislação vigente.

     

    Outra questão definida no acordo é que enquanto perdurar a análise dos projetos ora em andamento pela Unilever, será garantida a manutenção de um canal de comunicação entre a empresa, os trabalhadores e o sindicato. Para isso, inclusive, com a periodicidade mínima de quinze dias, com início em 05 de maio próximo, serão realizadas reuniões entre a Unilever e o sindicato com o objetivo de avançar nas negociações, bem como de informar ao conjunto dos trabalhadores sobre o andamento dos projetos.

     

    Todos os detalhes sobre essa questão do fechamento de postos de trabalho na unidade da Unilever em Vinhedo estão em nosso endereço na internet: www.quimicosunificados.com.br

     

    Para mais informações, favor contatar a Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados:

     

    telefone: (19) 3886.6264 e 3876.2915

     

    e-mail: sindibase@uol.com.br

     

    12/fevereiro/2004

     

    Trabalhadores da Unilever Vinhedo fazem greve na defesa do emprego e de direitos

     

     

    Diretor da Regional Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados fala a trabalhadores em greve, em assembléia na porta da empresa

     

    Os trabalhadores da Unilever em Vinhedo fizeram uma greve que paralisou em 100% a produção e o setor administrativo por 24 horas, no dia 11 de fevereiro de 2004, em um movimento em defesa de seus empregos e seus direitos. Em outubro do ano passado a Unilever anunciou que irá demitir 150 trabalhadores a partir de março próximo, em razão da transferência para Ipojuca, no estado de Pernambuco, da fabricação de creme dental e também por automatização na linha de produção na unidade em Vinhedo. Esse número representa quase 20% do total de trabalhadores na planta industrial.

     

    Em assembléias realizadas na portaria da empresa nos horários de entrada dos três turnos (06, 14 e 22 horas), a greve foi aprovada praticamente pela unanimidade dos 650 trabalhadores da planta industrial. No início da greve, no turno das 6 horas, a direção local da Unilever impediu a saída de alguns trabalhadores que haviam entrado às 22 horas do dia anterior, em uma tentativa de manter em operação parte da produção. Com a decisão do sindicato em registrar boletim de ocorrência policial contra a Unilever pela prática de cárcere privado, a empresa os liberou. Em apoio aos trabalhadores da Unilever estiveram integrando a mobilização representantes de oito sindicatos de diversas categorias, do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, da CNQ – Confederação Nacional do Ramo Químico, da CUT – Central Única dos Trabalhadores e caminhoneiros.

     

    Essa greve de 24 horas fez parte de uma mobilização mais ampla que o sindicato e os trabalhadores vêm realizando desde outubro do ano passado no sentido de pressionar a Unilever a abrir negociações e a rever sua decisão de cortar os 150 postos de trabalho, entre outras reivindicações. Veja a íntegra em anexo da pauta de reivindicações protocolada pelo sindicato junto à empresa no dia 5 de fevereiro. Após diversas paralisações dos trabalhadores e interferências dos poderes públicos, inclusive do governo federal, a Unilever sinalizou que reverteria sua decisão sobre as 150 demissões, mas, recentemente, voltou a reafirmar que elas irão ocorrer e de forma intransigente se recusa a abrir diálogo com os trabalhadores e o sindicato.

     

    No encerramento da greve o sindicato divulgou um comunicado aos trabalhadores, com um balanço do resultado das 24 horas de paralisações e a lembrança de que o estado de greve se mantém podendo vir a ocorrer novas paralisações ou manifestações a qualquer momento. Veja o comunicado em anexo.

     

    17/dezembro/2003

     

    Unilever é denunciada no Ministério da Fazenda por violar diretrizes para multinacionais

     

    A Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Químicos Unificados (Regional Vinhedo) e a Confederação Nacional dos Químicos (CNQ) denunciaram a Unilever ao Ponto de Contato Nacional (PCN) por violar as Diretrizes da OCDE para as empresas multinacionais. O PCN foi criado pelo Ministério da Fazenda este ano para promover e implementar as diretrizes da OCDE; responder a pedidos de informação; ajudar a resolver questões que possam surgir; participar de conversações entre as partes interessadas; cooperar com os Pontos de Contato Nacionais dos demais países; acompanhar e implementar as Decisões do Conselho da OCDE sobre as Diretrizes.

     

    Na denúncia, a CUT afirma que no dia 02 de outubro a Unilever anunciou que sua unidade de produção de cremes dentais seria transferida para o município de Ipojuca (PE), provocando uma redução de 100 postos de trabalho na planta de Vinhedo (SP). A empresa noticiou também que mais 50 postos de trabalho serão reduzidos devido à automação das linhas de produção da planta de Vinhedo, o que levará a 150 demissões de trabalhadores.

     

    Leia em anexo, na íntegra, o documento denúncia entregue no Ministério da Fazenda.

     

    19/novembro/2003

     

    Sindicato vai a Brasília e ministro do Trabalho promete ação para rever demissões na Unilever. Denúncias contra empresa serão apuradas.

     

     

    Sindicalistas da Regional de Vinhedo e o ministro Jaques Wagner no início da audiência, em Brasília

     

    O ministro do Trabalho e Emprego Jaques Wagner irá tomar iniciativas no sentido de reverter as 150 demissões anunciadas pela Unilever Brasil em sua unidade de Vinhedo. Além disso, irá orientar as DRTs – Delegacias Regionais do Trabalho dos municípios onde a multinacional tem plantas industriais no Brasil no sentido de fiscalizar e apurar as diversas denúncias sobre a multinacional de desrespeito aos direitos dos trabalhadores, inclusive de prevenção a doenças ocupacionais. O ministro Wagner tomou essa decisão em audiência realizada ontem (18 de novembro) no Ministério do Trabalho e Emprego, em Brasília, com dirigentes da Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados (Campinas, Osasco e Vinhedo), com os deputados federal Luciano Zica e estadual Renato Simões, ambos do PT. A audiência ocorreu em razão da decisão da Unilever de demitir 150 trabalhadores da unidade em Vinhedo e de se recusar a negociar com o sindicato a busca de alternativas para manutenção dos postos de trabalho.

     

    Caso nos próximos 15 dias a Unilever não abra negociações objetivas com o sindicato, a empresa será convocada para audiência no Ministério do Trabalho e Emprego na qual serão pedidas explicações sobre o fechamento dos 150 postos de trabalho em Vinhedo e sobre as denúncias de infrações à legislação trabalhista. No mesmo sentido, o deputado federal Zica protocolou na Câmara dos Deputados um pedido para que a Unilever seja questionada na Comissão do Trabalho.

     

    Infrações trabalhistas

     

    Em um relatório de 180 páginas entregue pelos sindicalistas ao ministro Wagner constam documentos que comprovam a ocorrência de doenças ocupacionais nos trabalhadores da Unilever em Vinhedo, como o estresse e LER – Lesões por Esforços Repetitivos entre outras, principalmente com origem no excessivo ritmo exigido na produção e por falta de medidas preventivas. Essas doenças ocupacionais já foram ratificadas em estudo promovido pelo Observatório Social (www.observatoriosocial.org.br). Constam também comprovações de que a multinacional desrespeita os direitos básicos dos trabalhadores e de liberdade dos mesmos de organização em entidade de classe previstos no Global Compact (que define princípios para as multinacionais, propostos pela ONU – Organização das Nações Unidas), as diretrizes para empresas multinacionais da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e principalmente as normas da OIT – Organização Internacional do Trabalho. Assim, estas denúncias sobre a Unilever também serão encaminhadas à ONU.

     

    Guerra fiscal

     

    A Regional de Vinhedo também demonstrou, documentalmente, ao ministro Wagner que a Unilever é uma das empresas que hoje mais contribuem com o desemprego no Brasil, por duas razões básicas: a) uma agressiva reestruturação produtiva na qual os trabalhadores e as conseqüências sociais são desconsiderados, e b) estímulo à guerra fiscal entre estados e municípios. Das 150 demissões anunciadas, 100 se referem à transferência das linhas de produção de creme dental para Ipojuca, no estado de Pernambuco e 50 por causa da nova reestruturação produtiva que introduzirá paletizadores automáticos nas linhas de produção. A transferência da linha de produção de creme dental para Ipojuca tem o objetivo de reduzir salários e direitos dos trabalhadores pois, em Pernambuco, a empresa paga de 3 a 5 vezes menos os salários praticados em Vinhedo que estão na faixa de R$ 900,00 a R$ 2.000,00.

     

    Os deputados Simões e Zica reforçaram ao ministro Wagner a necessidade de o governo Lula tomar medidas concretas para evitar que essa guerra fiscal entre estados e municípios e que a introdução de novas tecnologias e reestruturação produtiva não levem ao fechamento de postos de trabalho, agravando assim o já inaceitável índice de desemprego no Brasil.

     

    13/novembro/2003

     

    Ato contra as 150 demissões na Unilever em Vinhedo paralisa a produção por 4 horas

     

    Com uma paralisação na produção durante quatro horas, os trabalhadores da Unilever Brasil em Vinhedo deram continuidade em 13 de novembro de 2003, à programação de mobilização para reverter as 150 demissões já anunciadas pela multinacional na unidade industrial. A paralisação teve início às 6 horas e teve a adesão total dos funcionários dos setores de produção e da administração, além dos contratados por meio de empresas terceirizadas.

     

    O ato de protesto, organizado pela Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados (Campinas, Osasco e Vinhedo), previa ainda uma passeata pela cidade que se encerraria com novo ato em frente à Prefeitura Municipal para pressionar o poder público local que, até o momento, não tomou qualquer iniciativa contra o fechamento destes 150 postos de trabalho em Vinhedo. No entanto, isso não foi possível devido às fortes chuvas. Essa programação será realizada nos próximos dias, juntamente a outras atividades que se desenvolverão no sentido de fazer com que a Unilever reverta as demissões anunciadas. Essas 150 demissões representam cerca de 20% do atual quadro de 700 trabalhadores da empresa. Do final de 2001 a março de 2002 ela já havia demitido 170 trabalhadores da unidade em Vinhedo.

     

    A manifestação também fez parte da campanha salarial de 2003 da categoria, na qual a Unilever se recusa a abrir negociações específicas com o sindicato, não tendo nem mesmo respondido à pauta de reivindicações já protocolada pela entidade sindical.

     

    Estiveram presentes representantes da CUT – Central Única dos Trabalhadores, da CNQ Confederação Nacional do Ramo Químico, sindicalistas da categoria de Campinas, Osasco, São José dos Campos, São Paulo e do ABC, do Sindicato dos Vidreiros de São Paulo e da Flaskô (fábrica ocupada pelos trabalhadores em Sumaré).

     

    11/novembro/2003

     

    Dia 13 (quinta-feira), início às 6 horas

     

    Ato de protesto na Unilever contra as demissões

     

    Em protesto contra o arbitrário fechamento de 150 postos de trabalho pela unidade da Unilever Brasil em Vinhedo e pela defesa do emprego de 150 trabalhadore(as) que serão demitidos, será realizado um ato de protesto na portaria principal da empresa, no dia 13 de novembro, com início às 6 horas. No decorrer do dia, o protesto também se estenderá para a frente da Prefeitura Municipal (Paço Municipal) de Vinhedo devido à absoluta inoperância, apatia e omissão do poder público local frente a essa grave situação que pesa sobre os trabalhadores da Unilever, e seus familiares, como também para economia do município. As 150 demissões agora anunciadas representam cerca de 20% do atual quadro de 700 funcionários da unidade industrial.

     

    Em menos de dois anos, é a segunda vez que a Unilever Vinhedo promove demissões em massa. Do final de 2001 a março de 2002 ela demitiu 170 trabalhadores que, somados aos atuais 150 totalizam 340 postos de trabalhadores eliminados na unidade.

     

    O ato está sendo organizado pela CUT – Central Única dos Trabalhadores em conjunto com a Regional de Vinhedo do Sindicato Químicos Unificados(Campinas, Osasco e Vinhedo). Estão com presença confirmada deputados federais e estaduais, vereadores da região, sindicalistas de várias categorias de trabalhadores e movimentos sociais e populares.

     

    O Sindicato Químicos Unificados está convocando a população de Vinhedo e da região a participar do ato, por meio de uma Carta Aberta (veja abaixo).

     

    A unidade da Unilever Brasil está localizada na Avenida das Indústrias nº 315, Distrito Industrial de Vinhedo. O acesso mais fácil é pelo trevo localizado no km 75 da rodovia Anhanguera e pegar a rodovia Vinhedo/Viracopos no sentido Vinhedo. A entrada para o Distrito Industrial está a cerca de 500 metros do trevo.

     

     

    20/outubro/2003

     

    Câmara de Vereadores de Vinhedo aprova Moção contra demissões na Unilever

     

    Em razão das demissões anunciadas pela Unilever, os vereadores de Vinhedo aprovaram a seguinte moção de apoio aos trabalhadores:

     

    “Considerando que:

     

    A Unilever está no Brasil desde 1929, sendo hoje uma das maiores multinacionais em território brasileiro;

     

    No último dia 02, quinta-feira, a Unilever anunciou que irá demitir 150 trabalhadores da unidade de Vinhedo;

     

    É a segunda vez em um período de dois anos que a companhia anuncia uma demissão em massa em sua empresa instalada na cidade de Vinhedo, sem contar os diversos trabalhadores contratados por prazo determinado que não tiveram seus contratos renovados;

     

    No anúncio anterior, quando 170 trabalhadores foram demitidos a empresa investiu em reestruturação produtiva na unidade de Vinhedo R$ 28.000.000 (vinte e oito milhões de reais);

     

    Tal medida faz parte de uma estratégia mais ampla da empresa denominada “Caminho para o crescimento”.

     

    Esta política objetiva enxugar a empresa para, paradoxalmente, crescer. No início de 2001 seu presidente mundial anunciou que estaria cortando 25000 postos de trabalho pelo mundo e fechando 100 empresas.

     

    E estão cumprindo. Nos últimos três anos, diversas fábricas da Unilever no Brasil estão fechando, sofrendo reestruturação e demitindo trabalhadores;

     

    Além disso, a meta da empresa é reduzir as 1600 marcas que detinha no ano de 2000, chegando a 400 até o final de 2004.

     

    Ao contrário do que se possa imaginar a empresa aumenta seus lucros ano a ano. No Brasil, no ano passado faturou R$ 7.300.000.000 (sete bilhões e trezentos milhões de reais).

     

    Como se percebe, o movimento da empresa é no sentido de desconsiderar quem realmente gera seus lucros, tratando-os como meros apêndices das máquinas, números a serem analisados em planilhas na Holanda e na Inglaterra (países onde ficam os executivos detentores do capital da multinacional);

     

    Das 150 demissões anunciadas, 100 se referem à transferência das linhas de produção de creme dental para Ipojuca, no estado de Pernambuco e 50 por causa da nova reestruturação produtiva que introduzirá paletizadores automáticos nas linhas de produção.

     

    A empresa alega que a mudança foi motivada pelas facilidades de logística e transporte além de ser um pólo exportador, localizado perto do porto de Suape. As contradições da empresa são ridiculamente evidentes.

     

    Primeiro: Vinhedo está localizado muito próximo de três grandes rodovias (Bandeirantes, Anhanguera e Dom Pedro), do aeroporto de Viracopos, além de estar perto de portos e de grandes centros urbanos.

     

    Segundo: o forte da empresa é o mercado interno, uma quantidade mínima de sua produção é destinada a exportação.

     

    Terceiro: É preciso lembrar os dirigentes da Unilever que em outubro de 2002, com uma desculpa parecida, promoveram uma “guerra fiscal” entre os municípios de Louveira e Vinhedo, o que levou a empresa a mudar seu centro de distribuição para a cidade vizinha, causando um impacto negativo de R$ 1.819.267,01 (um milhão, duzentos e dezenove mil, duzentos e sessenta reais e um centavo) no orçamento municipal.

     

    Quarto: é sabido que os salários pagos pela Unilever em Pernambuco são
    de três a cinco vezes menores do que os pagos aqui em Vinhedo;

     

    Quinto: outra coisa que está por trás de todo o falso discurso da multinacional é o incentivo fiscal oferecido no nordeste brasileiro.

     

    Causa tristeza a maneira irresponsável como a Unilever está operando estas demissões. Todos os acordos internacionais que ela ratificou estão sendo frontalmente desrespeitados. O Global Compact (que define princípios para as multinacionais, proposto pela ONU), as Diretrizes para empresas multinacionais da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e principalmente as normas da Organização Internacional do Trabalho.;

     

    A empresa não consultou os trabalhadores e seu sindicato, nem as autoridades da cidade antes de decidir que iria cortar postos de trabalho e o pior já saiu na imprensa definindo critérios para um Programa de Demissão Voluntária (PDV);

     

    Das “vantagens” anunciadas, boa parte já se encontra de maneira parecida na Convenção Coletiva de Trabalho e ela teria que fazer querendo ou não. O item relativo a “suporte” para recolocação se trata de uma grande venda de ilusão.

     

    Quase totalidade das pessoas que passaram por essa experiência ainda hoje se encontram com sérias dificuldades;
    Por estas e outras razões os trabalhadores da Unilever (inclusive do setor administrativo) resolveram rejeitar a proposta de PDV e nos dias 07 e 08 paralisaram por aproximadamente 09 horas as atividades na empresa;

     

    Por unanimidade foi votada uma pauta de reivindicação que centralmente exige a criação de um quarto turno, com redução da jornada de trabalho sem redução de salários para garantir os empregos;

     

    Apesar das pressões de chefias e gerentes que ficaram na portaria da empresa para tentar constranger o movimento todos os trabalhadores se mantiveram firmes com a disposição de luta;

     

    Há um clima de imensa insatisfação não só no interior da empresa, como também na cidade já que as últimas atitudes da empresa têm demonstrado que não existe nenhum tipo de garantia para os moradores de Vinhedo, principalmente para aqueles que nela trabalham;

     

    A política que a empresa chama de “Caminho para o crescimento” quase nunca significa crescimento para seus trabalhadores. O crescimento dos seus lucros, tem significado demissões, fechamento de empresas e prejuízos para os países onde ela vem a procura de mão de obra farta e barata. Uma lógica amarga na qual não se divide os lucros e o crescimento, mas causa danos, exploração e prejuízos.

     

    Além de todas as arbitrariedades do ponto de vista trabalhista é preciso dizer que no Brasil a Unilever comete vários outros absurdos constatados por pesquisas do Observatório Social: Desrespeito a liberdade sindical e a livre organização dos trabalhadores, reforço da heterogeneidade da realidade social dos trabalhadores nas diversas regiões do país onde localizam-se suas 16 empresas, precariedade na transmissão de informações para os trabalhadores e seus sindicatos e discriminação passiva de raça e gênero, terceirização, vários problemas com a saúde do trabalhador como L.E.R. e estresse;

     

    Do ponto de vista da questão ambiental é importante tornar público que a Unilever apesar de ter certificação ISO 14001 e possuir um Sistema de Gerenciamento Ambiental, comete acidentes ambientais. No mês passado, contaminou a lagoa que fica no fundo de suas instalações promovendo uma matança de quase toda a fauna aquática e por conseqüência poluindo o Rio Capivari, um dos rios que abastece a região;

     

    Além de tudo o que foi exposto, na Unilever de Vinhedo o ritmo de trabalho tem sido ampliado de maneira alucinante, aumentado o número de doenças de trabalho, o que na maioria dos casos não são reconhecidos pela empresa.
    Mesmo assim, a empresa continua destratando aqueles que por anos geraram suas riquezas, inclusive fazendo ameaças e pressão psicológica nas linhas de produção.

     

    A Câmara Municipal de Vinhedo vem através da presente prestar solidariedade a luta dos trabalhadores da Unilever de Vinhedo, que juntamente com seu Sindicato representativo exigem a manutenção dos postos de trabalho.

     

    Por todo o exposto, repudiamos a prática da empresa e solicitamos que a mesma negocie uma alternativa para a situação.”

     

    Vinhedo, 13 de outubro de 2003

     

    10/outubro/2003

     

    Unilever anuncia 150 demissões em Vinhedo

     

    Quase 20% do atual quadro de 700 trabalhadores na planta

     

     

     

    Diretores do Unificados falam sobre demissões e sobre a Campanha Salarial 2003 a trabalhadores da Unilever

    A Unilever em Vinhedo anunciou que irá demitir 150 trabalhadores a partir de março de 2004 em razão da transferência para Ipojuca, no estado de Pernambuco, da fabricação de creme dental e também por automatização na linha de produção na unidade. Esse número representa quase 20% do total de trabalhadores na planta de Vinhedo. O processo de demissão está sendo implantado de forma arbitrária, inclusive de um PDV – Plano de Demissão Voluntária, sem qualquer negociação com o sindicato e com os trabalhadores. Por essa razão, nos dias 7 e 8 de outubro os trabalhadores pararam a produção por 9 horas nos três turnos, exigindo a abertura de negociações para a preservação dos postos de trabalho.

     

    O sindicato e os trabalhadores não aceitam as demissões e nem mesmo o PDV, pois este pouco avança além das obrigações rescisórias já garantidas em lei, e querem a implantação de um quarto turno e a redução da jornada, sem redução nos salários, o que evitaria as demissões. Do final de 2001 a março de 2002 a Unilever Vinhedo também promoveu a demissão de 170 trabalhadores.

     

    Redução dos salários

     

    A transferência da linha de produção de creme dental para Ipojuca tem o objetivo de reduzir salários e direitos dos trabalhadores. Em Pernambuco, a empresa paga de 3 a 5 vezes menos os salários praticados em Vinhedo que estão na faixa de R$ 900,00 a R$ 2.000,00. A justificativa oficial da empresa é que Ipojuca apresenta “facilidades de logística e transporte, além de ser pólo exportador localizado próximo ao porto de Suape”. No entanto, essa razão não se sustenta pois é irrelevante a produção para exportação na Unilever e Vinhedo é servida pelas rodovias Anhanguera, Bandeirantes e D. Pedro I, além da proximidade do Aeroporto de Viracopos e do porto de Santos.

     

    “Caminho para o crescimento”

     

    As atuais demissões na Unilever Vinhedo bem como as realizadas em 2001/2002 e a transferência da linha de produção para Pernambuco fazer parte de uma estratégia mais ampla da empresa, denominada como “Caminho para o Crescimento”. No início de 2001, quando anuncio este plano, a Unilever divulgou que fecharia cerca de 25 mil postos de trabalho em vários países, que fecharia cerca de cem unidades de produção e que reduziria as cerca de 1.600 marcas que detinha para 400 até o final de 2004. Após esse anúncio, foram fechadas fábricas da Unilever em Jundiaí, Rio de Janeiro e em Vespasiano. No Brasil, o lucro da Unilever em 2002 foi de R$ 7,3 bilhões, mantendo a média de crescimento de 6% ao ano.

     

    Rompendo acordos

     

    A forma como a Unilever Vinhedo está fazendo essas demissões fere diversos acordos internacionais por ela ratificados, que dizem respeito aos direitos dos trabalhadores, como por exemplo o Global Compact (que define princípios de atuação pelas multinacionais, definidos pela ONU – Organização das Nações Unidas), as diretrizes para multinacionais da OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, e, principalmente, as normas da OIT – Organização Internacional do Trabalho.

     

    Pesquisa realizada pelo Observatório Social (O projeto de criação do Observatório Social surgiu a partir do debate sobre a adoção de cláusulas sociais e ambientais nos acordos de comércio internacional – www.observatóriosocial.org.br) denunciam sobre a Unilever, entre outros: a) desrespeito à liberdade sindical e à livre organização dos trabalhadores, b) reforço da heterogeneidade da realidade social dos trabalhadores nas diversas regiões do país onde se localizam suas 16 empresas, c) precariedades na transmissão de informações para os trabalhadores e seus sindicatos, d) discriminação passiva de raça e gênero, e) terceirização, f) vários problemas de saúde dos trabalhadores por excessivo ritmo da produção, como por exemplo estresse e LER – Lesões por Esforços Repetitivos.

     

    Caminhos

     

    O Sindicato dos Químicos Unificados, por sua Regional de Vinhedo, e os trabalhadores não irão aceitar passivamente essa unilateral decisão da empresa, que também causa prejuízos ao município de Vinhedo e à região. Novas manifestações estão programadas e serão realizadas até que a Unilever aceite negociar uma alternativa que não leve mais famílias ao desemprego, em uma prática arbitrária que prioriza o lucro sempre em sacrifício da sociedade, da vida e dos trabalhadores.

  • 8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER

     

    – Programação em Campinas –

     

    Dia 5 de março (sábado)

     

    Na Praça da Catedral

     

    09 horas: Início das atividades – Apresentação da peça “Dessa Vez Nunca Mais”, com o Grupo Cna 1. A peça retrata a violência contra a mulher;

     

    10 horas: Apresentação da música “Elas”, pelo grupo Sem Medo do Amanhã;

     

    11 horas: Visitas às barracas das diversas entidades que estarão na praça;

     

    12 horas: Encerramento, com o Grupo CEPROMM que apresentará a peça “As Três Porquinhas e o Lobo Sedutor”, que aborda o tráfico humano.

     

    Leia mais nos artigos abaixo:


    – 8 de Março: conquistas e controvérsias
    – O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas
    – Violência contra a mulher e políticas públicas