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  • Alckmin e os Sem-Teto

     

    O acampamento Carlos Lamarca foi expulso de Osasco pelo governador Geraldo Alckmin de Osasco, sob um enorme temporal. As famílias foram levadas, à força, para outra área em Guarulhos. Como resultado dessa ação de violência e que descumpriu acordo realizado antes das eleições (veja manifesto do MTST), os moradores tiveram seus pertences destruídos pela repressão da polícia do governador e pela chuva.
    Agora, eles estão precisando, urgentemente, de toda ajuda possível: cestas básicas, roupas, calçados, cobertores, colchonetes, lonas, medicamentos, material de limpeza (sabão, detergente, etc), material de higiene (sabonete, papel higiênico, absorventes, escova de dente e creme dental, etc.) e de material de construção (pregos, arames, madeiras, etc.). E as crianças precisam de material escolar: caderno, lápis, canetas, borrachas, livros, etc.

     

    Locais para entrega de doações
    · Sindicato dos Trabalhadores da USP, fones: (011) 3091-4380 e (011) 3815-2660;
    · Instituto Mário Alves, fones (011) 3159-0233 e (011) 3159-2532.

     

    Contamos com todas as formas de ajuda. Lembrando que é muito importante se fazer uma visita ao novo acampamento, agora em Guarulhos, para que os acampados sintam que não estão sozinhos.

     

    Como chegar
    Pela Via Dutra, no sentido São Paulo/Rio de Janeiro, do lado direito, km. 206 – Guarulhos, Bairro Jardim Aracília. Ponto de referência: passando o posto da Polícia Rodoviária e a Fábrica da Ypiranga, entrar na 1ª à direita – fábrica da Panco.

     

    MTST
    Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto

     

    INFORME SOBRE O ACAMPAMENTO CARLOS LAMARCA: CHAMADO À ORGANIZAÇÃO DA SOLIDARIEDADE

     

    Reeleito, Alckmin envia Tropa de Choque para solucionar problema da falta de moradia

     

    O governo do Estado de São Paulo descumpriu, arbitrariamente, um acordo feito durante o período eleitoral com cinco mil famílias sem-teto do Osasco, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Antes, quando Geraldo Alckmin disputava a reeleição, prometeu agir para solucionar o problema de moradia dessas famílias. Agora, reeleito, o governador aciona a Tropa de Choque da Polícia Militar para usar da violência policial e despejar os moradores do Acampamento Carlos Lamarca, em Osasco.
    Em 12 de agosto, mil trabalhadores sem-teto marcharam pela cidade de São Paulo até o Palácio dos Bandeirantes. Os sem-teto haviam ocupado uma área em Osasco que estava em disputa por duas empresas. Queriam que o governo do Estado cumprisse seu papel de promover habitação e assumisse sua responsabilidade na questão social.
    Os manifestantes foram recebidos no Palácio pelo Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Rubens Lara, pelo secretário de Segurança, Saulo Gomes de Castro, e pelo secretário de Habitação, Francisco Prado. Na reunião, foi aberta uma negociação para discutir o assentamento das cinco mil famílias do acampamento Carlos Lamarca. Geraldo Alckmin, então em disputa eleitoral, pediu para ser representado no processo pelo secretário de Justiça, Alexandre de Moraes.
    Para agir na questão, o governo firmou um acordo que acabaria no dia 6 de outubro, primeiro turno das eleições. O poder público pediu que os sem-teto indicassem terrenos na região para que as famílias fossem assentadas. Cobrou que fosse feito um cadastro com as famílias que estavam na ocupação. E exigiu que ninguém mais entrasse na ocupação. Em contrapartida, os sem-teto pediram o fornecimento de água, o recolhimento do lixo e a não-entrada da Polícia no acampamento.
    Os sem-teto indicaram, então, quatro terrenos, deram o nome dos proprietários e forneceram os telefones para o Governo tomar uma atitude. Um deles, em Itapevi, estava em disputa na Justiça por suspeita de grilagem e tinha quase R$ 11 milhões em dívidas com o poder público. Foi feito um cadastro com as cinco mil famílias que moravam no acampamento. Muitas não resistiram às condições precárias e, hoje, o número caiu para duas mil.
    Por trinta dias, o secretário de Habitação não tomou atitude alguma e o prazo do acordo venceu. Geraldo Alckmin foi para o segundo turno. As negociações continuaram. Os sem-teto solicitaram, então, que o Instituto de Terras do Estado do São Paulo (Itesp) entrasse na negociação para que ela pudesse evoluir. Os técnicos do Itesp passaram a fazer relatórios das reuniões entre o governo do Estado e as famílias acampadas. Os relatórios, no entanto, eram sigilosos e não podiam ser divulgados. Ou seja, os sem-teto não tinham acesso a esses documentos.
    No dia 25 de outubro, dois dias antes do segundo turno das eleições, houve uma reunião com a prefeita de Itapevi, Dalvani Caramês (PSDB), o subsecretário de Justiça do Estado, os proprietários da terra e os advogados das famílias sem-teto.
    O governo do Estado tornou oficial o interesse na compra da área. A prefeitura e os proprietários ficaram de conversar para continuar o processo. Pediram quinze dias para solucionar a questão. Os sem-teto apresentaram um projeto de assentamento que foi bem aceito pelo Itesp.
    Geraldo Alckmin foi reeleito. Depois disso, não foi feito algum contato com as famílias sem-teto. O fornecimento de água foi suspenso. Por essa razão, os acampados fizeram uma marcha até a Prefeitura de Osasco para pressionar o governo. Um dia depois, em 22 de novembro, o secretário de Justiça voltou a fazer contato com os sem-teto. Marcou uma reunião e, nela , ofereceu 125 apartamentos para as duas mil famílias. Nessa mesma reunião, o secretário da Justiça ofereceu uma área em Itapeva, na divisa com o Estado do Paraná, e, outra, em Iaras, próxima de Avaré – onde os trabalhadores sem terra (MST) esperam há mais de cinco anos um assentamento sem que haja solução proposta pelo governo do Estado. Os sem-teto, trabalhadores urbanos, recusaram a proposta. Como áreas rurais serviriam para pintores, funileiros, mecânicos, pedreiros, serralheiros? Indicaram mais duas áreas: uma em Embu e outra, do CDHU, perto do Rodoanel.
    Dois dias depois, houve outra reunião. Nela, o secretário de Habitação disse que havia esquecido da área em Embu. O secretário de Justiça não participou mais da conversa.
    Passaram-se mais três dias e o secretário de Justiça, Alexandre de Moraes, por um contato telefônico, disse que as áreas não estavam disponíveis. Ofereceu, então, uma carta de crédito ou a construção de 200 casas em sistema mutirão em Guarulhos (área do CDHU) para 200 famílias, desde que as outras 1.800 deixassem imediatamente o local. Caso a proposta não fosse aceita, o despejo ocorreria. Disse ainda que, pelo número de famílias, não mandaria a Polícia Militar, mas sim o Batalhão da Tropa de Choque.
    Durante todas as conversas, o secretário de Justiça, Alexandre de Moraes, deixou claro, diversas vezes, que a postura do governo Alckmin não era eleitoreira. E que o assentamento daquelas duas mil famílias seria uma prioridade do governo Geraldo Alckmin. Questão de princípio, dizia ele. Porém, o tempo provou a distância entre discurso e prática do governo reeleito.
    Na última reunião, o secretário de Justiça disse que haveria dois despejos. Um, de uma área no Rodoanel; o próximo, do acampamento sem-teto em Osasco. O prometido foi cumprido. Hoje, as famílias da ocupação na linha do Rodoanel, que são poucas (menos de 300 e vivem em condições muito precárias, em pequenos barracos de madeira, em frente e ao ponto final do ônibus Cohab Raposo Tavares, no Jardim Santa Maria), estão sendo colocadas na rua, com um fortíssimo aparato policial, uma operação liderada pelo Tenente Cansian, que está com cerca de 200 PMs e 20 viaturas, além da cavalaria, helicópteros, polícia civil, caminhões, ônibus, 18 cavalos, armas. Portanto, dentro de poucos dias o mesmo deverá ocorrer no Acampamento Carlos Lamarca.
    Essa atitude, por parte do governo, demonstra que ele trabalhou no intuito de desmobilizar o movimento social no período eleitoral para fins de campanha do PSDB, para posteriormente aplicar uma política de desocupação com a aparato militar, expondo população civil indefesa e, socialmente excluída, a violência e derramamento de sangue, e risco de morte de seres humanos, que além de excluídos socialmente podem passar a ser exterminados fisicamente.
    No dia 02/12 saiu uma marcha do acampamento, com mais de 1000 pessoas, as quais se juntaram mais 200/300 do Acampamento Anita Garibaldi e se dirigiu para a porta do Palácio do Morumbi e ela acampou. Diante disso, o MTST foi chamado para negociar. O Chefe da Casa Civil, o Secretário da Habitação e o da Justiça apresentaram uma proposta de uma outra área em Guarulhos, onde caberia todas as famílias, mas recusaram informar onde precisamente se localizava a área. Queriam que o movimento aceitasse a área no escuro.
    O movimento respondeu que desta forma não poderia haver negociação e, finalmente na 3ª feira (03/12) eles informaram a área, e ficou marcado que na 4ª (04/12) iria uma equipe do Itesp e do MTST até a área para verificá-la. Isto foi feito e se constatou que a viabilidade da área, apesar de exigir um deslocamento muito grande das famílias de Osasco para lá (75 km.).
    Avaliou-se a situação e se verificou que:

     

    a) não era do projeto ter mais um acampamento em Guarulhos. Mas sim em Osasco.
    b) as famílias são de Osasco, sua vida está lá, seus laços também.
    c) a prefeitura de Guarulhos (PT – Eloi Pietá) é contra a ida de mais um acampamento para lá, o movimento manteve um contato com a prefeitura de Guarulhos na manhã dia 04/12 para se verificar a possibilidade de construção de uma alternativa conjunta e se recebeu resposta negativa.
    d) que, apesar de tudo isso, não se tinha condições de resistência no local ou de ir para outra área na região de Osasco.
    e) diante de tudo o movimento aceitou a proposta do Governo do Estado, com as seguintes condições:

    e.1) garantia de transporte da mudança de Osasco para Guarulhos;
    e.2) fornecimento pelo governo de lona e materiais para a construção do novo acampamento;
    e.3) fornecimento pelo governo de cestas básicas por um período de 6 meses;
    e.4) garantia de transporte de crianças em idade escolar entre Guarulhos e Osasco, até o final do ano letivo; e,
    e.5) suspensão da ação policial para reintegração de posse.

     

    Na noite do dia 04/12 foi feita uma reunião com os secretários e o MTST e foi assinado um acordo com todos os itens acima (temos cópia assinada em nosso poder) e ficou acertado que a mudança se iniciaria na manhã do dia 05/12. Diante do acordo o acampamento na porta do palácio foi levantado e se retornou para Osasco, para começar a preparar a mudança. Na manhã do dia 05/12, no entanto, o estado mostrou a sua verdadeira face. 850 homens da Tropa de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo, acompanhados de oficiais de justiça e dos advogados do proprietário da área de Osasco se apresentaram para executar a ordem de despejo. Ou seja, a ordem de reintegração de posse não havia sido suspensa. Agressões, ordens de prisão, tratores derrubando barracos com as pessoas e seus pertences dentro se seguiram em uma escala onde se via claramente a possibilidade de um confronto sangrento, tudo isso debaixo de muita chuva, fome, desespero e o mais completo abandono.
    De qualquer forma, se conseguiu um mínimo de apoio, pressionar os secretários e conseguir afastar a policia, acelerar a mudança e arrumar pelo menos comida. A mudança começou a se feita e se iniciou a transferência das famílias para Guarulhos, isto se desenrolou durante toda a 5ª feira (05/12) e a 6ª feira (06/12). A mudança feita em ônibus e caminhões da prefeitura de Osasco e alguns contratados pelos proprietários da área de Osasco ocorreu debaixo de uma intensa pressão da PM e dos proprietários e só foi concluída no dia 06/12. A prefeitura de Guarulhos, por outro lado procurou impedir a chegada dos acampados em Guarulhos e está pressionado pela sua remoção.
    A situação hoje é que, apesar de tudo isto, o acampamento começa a se consolidar em uma permanente luta com o governo estadual, para que este cumpra todos os itens do acordo firmado, o que ocorre em partes, com muita demora e discussão. Os acampados praticamente perderam tudo o que tinham no processo de mudança e, deste modo, tudo é necessário, toda solidariedade é bem vinda. Necessita-se de dinheiro, de comida, de roupas, de móveis e utensílios, de lona, de ferramentas, de madeiras, de pregos, etc.

     

    Organizar esta solidariedade é uma necessidade imediata, urgente!

     

    MTST – Movimento do Trabalhadores Sem Teto
    10 de dezembro de 2002
     

  • 366- Os ganhadores em setembro dos tocadores MP4 e dois MP3

     

     

    Premiação corresponde à extração da Loteria Federal de 29 de setembro último

     

    Uma companheira trabalhadora associada no Centro Organizativo dos Trabalhadores (COT), na Regional de Campinas do Sindicato Químicos Unificados, foi a ganhadora do MP4; e outra trabalhadora na JR Veterinária, em Campinas, e um trabalhador na 3M do Brasil, em Sumaré, foram os dois ganhadores dos MP3 sorteados no mês de setembro entre aqueles que cadastraram seu e-mail para receber informativos do Sindicato Químicos Unificados.

     

    A premiação correspondeu aos números referentes ao primeiro, segundo e terceiro prêmios da extração de 29 de setembro último da Loteria Federal.

     

    A ganhadora do MP4 recebeu o aparelho devido à aproximação de seu número de cadastro com o primeiro prêmio da loteria, que foi 11.042; a companheira da JR Veterinária ganhou o MP3 pela aproximação com o segundo prêmio da loteria, que foi 61.920; e o companheiro trabalhador na 3M pela aproximação com o número extraído no terceiro prêmio, que foi o 59.002.

     

    Os três companheiros foram comunicados e agendaram data para o recebimento dos aparelhos. Com o objetivo de manter o sigilo das companheiras e companheiros que se relacionam com o sindicato, os nomes dos contemplados nas promoções não são divulgados.

     

    Incentivar a troca de informações

     

    Com o objetivo de incentivar a que as trabalhadoras e trabalhadores do ramo químico cadastrem seu e-mail para que possam receber informativos de interesse da categoria, até dezembro próximo o Sindicato Químicos Unificados sorteará um MP4 e dois MP3 entre os que tomarem esta iniciativa. O sorteio será sempre pela última extração de cada mês da Loteria Federal.

     

    Veja mais informações sobre esta promoção no endereço do sindicato na internet: www.quimicosunificados.com.br 

  • Resolução do II Encontro Nacional da Intersindical

    Diante da perspectiva do aprofundamento ainda mais dos ataques promovidos pelo capital às conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras, no segundo mandato do governo Lula, através de leis, medidas provisórias e administrativas e das reformas da Previdência, Trabalhista e Sindical, entre outras e da total capitulação dos setores majoritários do movimento sindical a estas políticas neoliberais, A Intersindical, reunida em seu II Encontro Nacional em São Paulo, nos dias 2 e 3 de dezembro, com centenas de militantes sindicais, representando 12 estados, resolve:

    1) Desenvolver a Campanha “Nenhum direito a menos, avançar nas conquistas”, visando intensificar a discussão, conscientizar, mobilizar e unificar os lutadores e lutadoras sociais para derrotar a política dos governos neoliberais, que retiram as conquistas e direitos históricos da classe trabalhadora, bem como destruir as suas formas e possibilidades de organização como classe.

    2) Construir com as demais organizações e movimentos sociais que estão resistindo ao neoliberalismo um Encontro Nacional Sindical e Popular Contra as Reformas Neoliberais, no início de 2007, com o objetivo de criar um Plano de ações e lutas comuns para o enfrentamento ao ataque do capital e do governo Lula. Para isto propomos uma reunião preparatória com as demais iniciativas, que possa avançar na construção e preparação do Encontro.

    3) Nossa concepção sindical esta baseada no enfrentamento ao Estado Capitalista, com autonomia e independência com relação aos governos, patrões e partidos no sentido da organização autônoma e independente dos trabalhadores e trabalhadoras, sustentada em suas organizações de base, visando romper com o corporativismo e combatendo a burocracia, o assistencialismo e o aparelhismo sindical. Resgatando os princípios históricos da classe trabalhadora, tais como: classismo, liberdade e autonomia sindical, a unidade, democracia operária, o internacionalismo, independência e solidariedade de classe, na perspectiva do socialismo.

    4) O desafio que assumimos na Intersindical é reorganizar os trabalhadores a partir dos locais de trabalho, com os que se encontram, também, desempregados, precarizados e na informalidade. Sem a pretensão de substituir o movimento, mas de ser parte desse processo de reorganização da classe.

    5) A Intersindical busca a unidade de todos os setores que querem lutar, que estejam ou não organizados em Centrais Sindicais, que tenha compromisso classista e a prática mais ampla e democrática nas tomadas de decisões.

    Entendemos que o próximo período exigirá de nós firmeza e ousadia. Portanto, temos como instrumentos a formação, a ação, a organização na base e a reorganização para superar a fragmentação e dar um salto de qualidade para que nos reconheçamos mais do que como categorias, mas como classe.

     

    Link para a Intersindical: www.intersindical.org.br

  • Contribuição do Sindicato Químicos Unificados ao debate

    CONCEPÇÃO SINDICAL (*)

    1. Após um longo processo de lutas vivido no final dos anos 70 e durante os anos 80, contra a ditadura militar e pela democratização do país e por melhorias da qualidade de vida, que serviu de combustível para o surgimento do “novo sindicalismo” e para importantes avanços nas conquistas sociais e trabalhistas naquele período, o sindicalismo brasileiro novamente chegou a um impasse.

    2. Com a chegada de Lula à presidência da república, este quadro se agravou ainda mais, com grande parte das direções sindicais (representados pelo setor majoritário da CUT – Articulação Sindical) convertendo-se em verdadeiros apêndices da estrutura e da política governamental. Com isso, o ciclo aberto pelo “Novo sindicalismo” – a partir das grandes greves de 78/79 – parece ter chegado ao seu fim.

    3. Em meio a esta crise, nosso papel é fundamental na discussão do sindicalismo e do sindicato que queremos, portanto não é preciso adjetivar a importância desta plenária da Intersindical. Devemos resgatar as partes fundamentais da história do movimento dos trabalhadores no Brasil e de suas concepções; analisar como o movimento sindical reagiu à conjuntura de hegemonia neoliberal; o que explica o processo de acomodação e de capitulação que atingiu grande parte de seus dirigentes; quais os desafios para uma retomada do sindicalismo combativo e classista na atual conjuntura; e como a Intersindical e seus sindicatos, oposições e militantes se inserem neste processo.

    4. Pela limitação de tempo da plenária e para construir uma contribuição mais acessível aos participantes, tivemos que “sacrificar” parte da analise, pulando riquíssimos e importantes momentos do sindicalismo, como: o período do inicio do século; o atrelamento ao estado a partir de 30; o sindicalismo na ditadura militar; o novo sindicalismo. Mas não faltará oportunidade na Intersindical de abordarmos isto nos textos e cursos de formação.

    Optamos em abordar o período mais recente:

    ANOS 90: O SINDICALISMO FRENTE À HEGEMONIA NEOLIBERAL.

    5. A partir dos anos 90 as lutas sindicais entram em um novo contexto histórico no Brasil. A abertura da economia para o capital estrangeiro, o aumento das importações, o desmantelamento do parque industrial nacional e o crescimento da miséria e do desemprego, somados à reestruturação do processo produtivo com base na aplicação de novas tecnologias, colaboraram para a precarização das relações de trabalho no Brasil.

    6. Esta reestruturação é focada principalmente na organização da produção, nas formas de gerenciamento e relacionamento, com o trabalho em grupo, a polivalência, a terceirização focalizada, e na tentativa de fazer os trabalhadores “vestirem a camisa da empresa”, através da política da parceria. As conseqüências são dramáticas: grande redução no numero de postos de trabalho, o ritmo de trabalho e volume de produção é cada vez mais acelerado, a jornada de trabalho é flexibilizada, seja através de horas extras ou da implantação de turnos de trabalho, seja através do banco de horas. As LER/DORT crescem assustadoramente.

    7. Estas transformações também têm como objetivo controlar diretamente nosso cotidiano enquanto classe trabalhadora, o tempo disponível para que possamos interagir e administrar o ritmo de trabalho fica cada vez mais restrito, tornando o ambiente de trabalho cada vez mais estressante. O tempo para se dedicar à vida fora do mundo do trabalho também se espreme a cada dia. Aumentam a o individualismo, a desunião; diminuem as lutas e os sindicatos se enfraquecem.

    8. Com a intensificação do projeto de reestruturação avança também a ofensiva embutida neste projeto com o objetivo de flexibilização e precarização nas relações entre capital e trabalho Esta precarização se reflete diretamente no ataque às conquistas e direitos históricos e no ataque ao trabalho de carteira assinada, criando o imenso exército de reserva do trabalho terceirizado, temporário e informal. Isso tem, entre outras conseqüências, forte impacto no enfraquecimento das formas organizativas e de luta da classe trabalhadora.

    9. O sindicalismo classista e unificado que havia sido obstáculo ao crescimento da exploração durante os anos 80, nos anos 90 desarticula-se e perde capacidade de movimentação e organização da classe trabalhadora, o que permitiu uma investida mais dura do capital sobre os trabalhadores. Na década de 90, logo no início é fundada a Força Sindical, a central sindical neoliberal. A CUT – enquanto expressão do “novo sindicalismo” – passa por um processo de mudança na sua atuação, cedendo às pressões ideológicas do neoliberalismo. A maioria da direção da CUT (Corrente Articulação sindical) abandonou o sindicalismo combativo e baseado na independência de classe, que marcou a luta sindical nos anos 80, para aderir a uma concepção sindical baseada no “sindicalismo propositivo”.

    10. Em essência, nos anos 90, mais que a idéia de participar de organismos tripartites, privilegiar a conciliação de classes e negociação em detrimento da mobilização dos trabalhadores, predomina na CUT, uma concepção de atuação baseada na lógica do mercado. À prática sindical, sob o argumento da necessidade de apresentar propostas “viáveis”, são incorporadas “preocupações” com a produtividade, competitividade e lucratividade das empresas. Essa nova estratégia, ao contrário da anterior, desestimula e desvaloriza a mobilização e a luta de massa, privilegiando os pactos e a ação institucional. Em 1992, a concepção da Articulação se explicita, ameaçando de expulsão quem levantasse a bandeira do “Fora Collor”. A greve geral de 22 e 23 de maio deste ano e as grandes movimentações contra Collor aconteceram na contracorrente das posições da direção majoritária da CUT.

    11. Apesar da oposição de outras correntes dentro da Central, a Articulação Sindical apostou na negociação com os governos neoliberais. Um dos episódios mais marcantes deste período foi à postura de Vicentinho (presidente da CUT naquela época) em apoio à reforma da previdência apresentada por FHC – que compreendia o aumento do tempo de contribuição e da idade para a aposentadoria dos trabalhadores do setor privado.

    12. Em relação à base do movimento, isto é, os sindicatos, essa estratégia de um “sindicalismo mais participativo” estimulou o isolamento corporativo dos diferentes setores do movimento sindical e um certo desinteresse pela defesa dos direitos sociais ameaçados pela política neoliberal. A concepção que valorizava a luta sindical unificada das massas por direitos sociais e trabalhistas foi substituída por uma visão cada vez mais coorporativa e fragmentada da ação sindical.

    13. Em meados da década de 90 o setor que elabora a política do setor majoritária da Central (a articulação) aprofundou e incorporou o sindicalismo Europeu, os sindicalismo co-gestor do capital, capacitando dirigentes, formando quadros e elaborando políticas na concepção do “dialogo social”, são criadas as mesas de negociação permanentes com a patronal independente da mobilização e das lutas dos trabalhadores.

    14. Um outro exemplo desta política são as Redes de trabalhadores patrocinadas pelas empresas. Elas patrocinam e monitoram todo processo de viabilização das mesmas, inclusive bancando seus custos, inclusive os deslocamentos dos dirigentes através de convênios. Estas redes ficam estritamente limitadas à dinâmica do Capital, nos metalúrgicos, químicos, papel, nos químicos tem varias redes uma que consideram modelo é a rede Basf. Há inclusive um instituto no Brasil, que tem um dos principais quadro jurídicos da articulação a sua Frente, que visa propagandear esta concepção.

    O SINDICALISMO NO GOVERNO LULA

    15. Logo após a eleição de Lula, a CUT realizou seu 8º congresso e aprovou, por maioria, uma série de resoluções que de certa forma davam um “cheque em branco” para o governo, debilitando ainda mais a autonomia da central frente ao governo.

    16. A idéia da parceria com os empresários ganhou ainda mais força por parte do campo majoritário da CUT, o que se refletiu na realização de um “Ato” no 1º de Maio (Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores) financiado por multinacionais. Outra expressão do abandono da independência de classe pelo campo majoritário da Central foi o apoio que seus dirigentes deram ao texto da Reforma Sindical (elaborado no Fórum nacional do Trabalho – junto com representantes do governo e do empresariado) sem nem mesmo fazer uma consulta aos sindicatos de base, e abandonando várias bandeiras históricas que a CUT sempre sustentou neste debate.

    17. Seguindo a tendência dos anos 90, com a posse de Lula o “sindicalismo propositivo” passou a ter uma ação ainda mais institucionalizada e assistencialista, adotando em muitos casos o modelo de sindicatos-agências de empregos, ou estabelecendo convênios com setores do grande capital, a exemplo do projeto das universidades privadas, em que o presidente Marinho e o ex-presidente Vicentinho se prestaram ao papel de trabalhar como “garotos propaganda UNIBAN” – fortalecendo assim a lógica da Educação enquanto mercadoria. A participação de dirigentes sindicais em cargos de direções ou conselhos de empresas estatais com altíssimos salários, a “titulo de ajuda de custo”, é outra face dessa institucionalização que muitas vezes passa de forma desapercebida por grande parte da base da central.

    18. Esta “nova” concepção sindical, representada pela maioria da CUT, levou a Central Única dos Trabalhadores, construída na luta e no ascenso da classe, a uma postura de subordinação ao governo Lula e um imobilismo frente às reformas neoliberais do governo. Nem as deliberações de criticas a política econômica neoliberal do governo, por diversas vezes reafirmadas nas reuniões da sua direção nacional foi encaminhada! Na prática a cúpula engavetou em nome das boas “relações” com o governo Lula.

    19. Mais recentemente, a indicação do presidente da CUT, Luiz Marinho, para o Ministério do Trabalho, não representou o fortalecimento das reivindicações dos trabalhadores frente ao governo, mas sim um atrelamento ainda maior do campo majoritário da Central. Isto ficou patente no caso recente do reajuste do Salário Mínimo, onde a maioria da direção da CUT abandonou sua proposta original de aumento de R$400 reais – votada por consenso na executiva da central – para defender na última hora a proposta rebaixada do governo, de R$350 reais (o governo havia destinado dias antes cerca e 150 bilhões de reais para zerar sua dívida com o FMI).

    20. A concepção sindical “propositiva” e “governista” adotada pela maioria da direção da CUT tem sido responsável por uma desorientação dos sindicatos de base e pela desarticulação das lutas unificadas dos trabalhadores contra o modelo econômico neoliberal, que teve continuidade no governo Lula. O que, por sua vez, contribui para que a correlação se forças seja ainda mais favorável aos ataques do governo e do grande capital, produtivo e financeiro, que busca avançar ainda mais na precarização do trabalho e na retirada de direitos. A Intersindical contrapõem a está política e propõem um resgate das concepções sindicais classistas e socialistas nas propostas abaixo:

    Nossos desafios
    Reconstruir a unidade, contra o neoliberalismo!

    21. Precisamos contribuir, de forma efetiva, na construção de uma alternativa que ajude na disputa de rumos do sindicalismo brasileiro. Neste sentido, é preciso mostrar com vigor que o sindicalismo brasileiro não se restringe aos “sindicatos de carimbo”, nem ao sindicalismo de resultados da Força Sindical. Tampouco, à forma proposta pela Articulação de “Sindicato Cidadão”, do sindicalismo do “dialogo social” sem envolver os trabalhadores, que se burocratizou a ponto de se tornarem apêndices do Estado – especialmente agora, durante o governo Lula.

    22. E a forma mais eficaz para disputarmos os rumos do movimento sindical neste momento é reconstruirmos a unidade dos trabalhadores contra o neoliberalismo, buscando uma ação coordenada do movimento sindical combativo, através de uma Intersindical. O que, em nosso ponto de vista, pode se dar independentemente de qualquer divergência organizativa que tenhamos no momento. Pois a crise atual do movimento sindical – que é de concepção, mas também reflete a situação objetiva de defensiva de nossa classe – não será “resolvida” por ações na superestrutura, pela criação deste ou daquele “novo” aparelho ou estrutura sindical. A resolução desta crise depende, isto sim, de nossa capacidade em colocar realmente em prática uma ação sindical democrática, plural, autônoma, socialista e baseada na independência de classe. O que exigirá, em primeiro lugar, uma postura autocrítica e generosa de nossa parte, oposta a qualquer tipo de sectarismo ou autoproclamação.

    23. Neste sentido, não desconsideramos a existência de um duplo movimento, com os quais devemos manter o diálogo. Por isso reconhecemos que, ao mesmo tempo em que é legítima a posição daqueles setores de esquerda que continuam batalhando no interior da CUT, fazendo a disputa, mostrando as contradições, disputando sua base para uma concepção sindical de independência de classe, mesmo sabendo que ela não é mais a alternativa de saída e organização para os que vivem do trabalho. Em alguns setores econômicos, ainda é possível um certo dialogo e uma unidade classista, para garantir uma unidade de ação. Mas temos claro que é uma unidade pontual e tática nos limites conjunturais, pois a CUT tem trilhado um caminho sem volta na institucionalidade. É legitimo também a posição dos setores, igualmente de esquerda, que optaram pelo seu desligamento da Central. Este debate para nós da Intersindical é um debate superado, pois seria um grave erro termos esta questão organizativa como justificativa para a nossa não unidade neste momento, em que uma das questões fundamentais é justamente superar a fragmentação imposta à classe trabalhadora.

    24. Os sindicalistas, homens e mulheres de esquerda e socialista, que tomam a iniciativa de organizar a Intersindical têm um papel importante nesta conjuntura para unidade da esquerda, devemos contribuir com o desenvolvimento de ações e espaços de unidade, pela nossa própria história e prática. Assim, esta plenária se compromete com a dinamização da construção da Intersindical Nacionalmente, em todos os estados e categorias. Com o objetivo de organizar e mobilizar os (as) trabalhadores (as) do campo e da cidade para o enfrentamento de classe. E que, para isso, retome, junto com as ações conjuntas, a preocupação militante com a formação e a organização no local de trabalho; que dialogue e atue com os movimentos sociais; que possa na diversidade construir a unidade daqueles que não se renderam à conciliação de classes e que reafirmam a necessidade de construir um sindicalismo autônomo e independente dos patrões, dos governos e dos partidos e que faça de suas ações cotidianas a busca por uma sociedade socialista.

    25. Neste sentido, os princípios fundamentais que devem nortear nossa atuação e a busca da unidade no próximo período devem compreender as seguintes questões:

    Recuperar e reafirmar o referencial socialista – Os patrões usam tudo que têm – redes de TVs, imprensa, todos os meios, para difundir o individualismo, a competitividade e a divisão entre os trabalhadores, com a insistente propaganda de que não há alternativas a não ser o próprio capitalismo, cujo Deus é o mercado. A Intersindical e seus sindicatos signatários deve colocar todos os seus instrumentos a serviço da luta contra este tipo de ideologia e sistema, defendendo claramente que existe alternativa ao capitalismo e denunciando fortemente as conseqüências de sua política neoliberal contra os trabalhadores. Neste sentido, nossa ação política deve estar referenciada no socialismo, enquanto um novo modelo de organização da sociedade e dos meios de produção, onde a riqueza produzida seja compartilhada igualmente por todos os trabalhadores, segundo suas necessidades e de acordo com sua capacidade.

    Vinculação ativa entre a luta sindical e a luta pelo socialismo: a luta sindical não pode estar desassociada da luta pelas transformações mais gerais na sociedade. Não podemos reproduzir a mesma prática do sindicalismo coorporativo que não enxerga um palmo além das reivindicações específicas de cada categoria. A luta por salário, emprego e melhores condições de vida devem estar permanentemente associadas à luta anticapitalista, a uma estratégia de construção de uma nova sociedade, sem explorados e exploradores, uma sociedade socialista.

    Defesa da independência de classe: um dos princípios fundamentais de nossa concepção sindical deve ser a defesa da independência da classe trabalhadora frente à burguesia e o Estado capitalista. Não devemos semear ilusões, de que patrões e empregados possam compartilhar dos mesmos interesses. Isso pressupõe, por um lado, uma independência organizativa, rompendo com a estrutura sindical atrelada ao Estado tal como atualmente. E, por outro, a independência política, que significa uma intervenção na conjuntura a partir de um projeto que atenda aos interesses dos explorados e oprimidos, para combater o projeto de poder das classes dominantes.

    Solidariedade internacional entre os trabalhadores: uma de nossas tarefas neste contexto de globalização capitalista é fortalecer os laços de solidariedade entre os trabalhadores de todo o mundo, buscando unificar as lutas e reivindicações, contra a exploração das multinacionais e dos governos neoliberais.

    Autonomia e liberdade de organização dos trabalhadores: somos contrários a qualquer intervenção do Estado e dos patrões na organização sindical. Conseqüentemente, devemos lutar pela eliminação na legislação de todos os mecanismos que definem a unicidade sindical imposta pelo Estado – no Art. 8º da Constituição e Cap. V da CLT. A unidade que defendemos não é fruto de uma imposição legal, mas resultado de um processo democrático, consciente, de que precisamos unir forças para enfrentar os ataques dos patrões e do governo. Defender a Unificação dos Sindicatos política e estrutural, visando romper com o corporativismo.

    Democracia operária e respeito à pluralidade: a democracia e o pluralismo são bandeiras fundamentais na luta contra a burocratização do movimento sindical. Entendemos os sindicatos como organismo de frente única da classe trabalhadora, enquanto espaço privilegiado para se construir a unidade, a partir de uma ampla participação das bases.

    Defesa do meio-ambiente: O capitalismo implica necessariamente uma relação predatória e irracional com a natureza, seja pela superexploração das matérias brutas ou mesmo pela guerra. Nossa luta em defesa do meio-ambiente e de um modelo de desenvolvimento ecologicamente sustentável é parte fundamental de nossa luta contra o capitalismo e por melhores condições de vida.

    Luta das mulheres, combate ao racismo e a discriminação sexual: A luta contra a opressão das mulheres, a discriminação sexual e o combate ao racismo são partes fundamentais da luta pela emancipação humana. Construir estas lutas é uma tarefa para todas e todos que estão comprometidos com um projeto emancipatório. O movimento sindical e os sindicatos devem ter a clareza de que não há separação entre a luta contra a exploração e as lutas diversas por liberdade. Não existe liberdade humana no capitalismo e não poderá existir socialismo sem a mais profunda forma de liberdade dos homens e mulheres.

    Estreitar a relação com os movimentos sociais: defendemos um sindicalismo e um sindicato engajado no conjunto das lutas populares, em unidade com os movimentos sociais, na luta pela terra e a reforma agrária, na luta pela habitação popular, por saúde e educação públicas e de qualidade, por transporte público de qualidade para o conjunto da população. É ampliando nossos horizontes de mobilização e luta que poderemos constituir um movimento social verdadeiramente forte, amplo, combativo e transformador, pois também somos vítimas de todas as demais mazelas e problemas enfrentados pela maioria da população.

    Interlocução com os desempregados e a juventude: Este é um desafio para Intersindical e seus sindicatos ser um espaço de organização mais amplo, que não esteja restrito apenas aos trabalhadores da ativa. Precisamos pensar e criar formas de luta, que incentivem a organização dos terceirizados e desempregados, promovendo reuniões para debater o assunto, criando formas de associação dos mesmos e tornando o sindicato em uma referência para estes setores. Da mesma forma com a juventude, que é a parcela da sociedade que mais sofre com a miséria e o desemprego.

    (*) Texto fruto de acumulo coletivo dos debates da Intersindical, com uma grande contribuição do III Congresso dos Químicos Unificados.

  • Manifesto Intersindical

    Link para a Intersindical: www.intersindical.org.br

     

    Veja o Manifesto Abaixo.

  • Festa de Inauguração

     

     

     

    Das 9 às 18 horas, cerca de dois mil trabalhadores químicos e familiares estiveram na festa

     

     

     

    A primeira fase do Cefol – Centro de Formação e Lazer do Sindicato Químicos Unificados foi inaugurada ontem (dia 11 de dezembro), juntamente com a festa em comemoração aos 50 anos de fundação da Regional de Campinas. Cerca de 2 mil trabalhadores(as) químicos sindicalizados e seus familiares estiveram no local das 9 às 18 horas, participando das diversas atividades programadas. O Cefol tem 36,5 mil m² de área e fica na Rodovia D. Pedro I, km 118, na pista do sentido Campinas/Via Dutra. A partir de agora ele estará aberto para uso dos sindicalizados e seus dependentes todos os sábados, domingos e feriados, inclusive nos dias 25 e 31 de dezembro próximos.

     

     

     

    Etapa concluída

     

    Ontem foi inaugurada a primeira etapa das obras: três piscinas, sendo uma para adultos, outra para crianças e uma para bebê; a sauna, o campo de futebol; o restaurante/lanchonete e o espaço para shows. As piscinas de adultos e crianças têm toboáguas (um com 21 metros de extensão) e a de bebês um cogumelo com queda de água.

     

    Na segunda fase da construção, que terá início no próximo ano, serão erguidos o espaço de curso/formação, 28 apartamentos para estadia dos sindicalizados, quadra poliesportiva, campo de bochas e quiosques.

     

     

     

    Regional de Campinas completa 50 anos

     

    A festa ontem também comemorou os 50 anos de vida da Regional de Campinas do Sindicato Químicos Unificados. Ela foi fundada em dezembro de 1955 e, antes da unificação com Osasco e Vinhedo, chamava-se Sindicato dos Químicos de Campinas e Região.

     

     

     

    Veja aqui as fotos da festa.

  • Sindicato dos Químicos Unificados entra com a Ação Civil Pública contra a Basf

    Conforme a legislação, enquanto perdurar essa interdição todos os trabalhadores não podem ser demitidos e possuem seus direitos assegurados, entre eles o pagamento dos salários. A multinacional alemã Basf continua ignorando esta autuação do Ministério do Trabalho e além de não pagar os salários ainda tentou, num total desrespeito a lei, realizar homologações destes trabalhadores, primeiro no Sindicato e depois no próprio Ministério do Trabalho.

    Exames médicos

    Os 162 trabalhadores da Basf S.A. de Paulínia, demitidos arbitrariamente, se recusam a assinar a rescisão contratual amparados pela lei que ordena que a multinacional realize os exames médicos determinados pela DRT quando de sua interdição, motivada por contaminação ambiental e humana produzida no local pela Shell Brasil S.A. que anteriormente ocupava essa planta industrial. Além dessas 162 demissões de trabalhadores diretos, o encerramento das atividades decidido pela Basf S.A. provocou o fechamento de mais 200 postos de trabalho contratados a empresas terceiras.

  • Basf é autuada duas vezes


    Por se recusar a realizar exames no estado de saúde de todos os seus trabalhadores, conforme determinação da Delegacia Regional do Trabalho, a multinacional alemã Basf S.A. foi autuada imediatamente pelo órgão do Ministério do Trabalho. A recusa da empresa bem como a autuação ocorreram em reunião realizada no dia 15 de janeiro na SEDDMA – Secretaria de Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente, da Prefeitura do Município de Paulínia/SP, na qual estavam presentes médicos do Ministério Público do Trabalho, da Secretaria do Meio Ambiente de Paulínia, da Secretaria de Saúde de Paulínia, dirigentes da Regional de Campinas do Sindicato Químicos Unificados, o advogado do sindicato, o corpo médico da Basf, representantes da direção da Basf na América Latina e comissão de trabalhadores da empresa. Essa é a segunda autuação que a multinacional recebe em menos de dez dias, já que no dia 07 de janeiro, por se recusar a permitir a entrada de dirigentes sindicais para acompanhar e fiscalizar o cumprimento de preceitos legais e regulamentares sobre segurança e medicina no trabalho em sua planta em Paulínia, em um frontal desrespeito a Normas da OIT – Organização Internacional do Trabalho das quais o Brasil é signatário, havia recebido um auto de infração emitido também pela DRT.

  • DRT interdita Basf e setor da Kraton

    Delegacia Regional do Trabalho interdita Basf e setor da Kraton

    Audiência na Procuradoria Regional do Trabalho – 15ª Região, com a presença do Ministério Público, representantes da Basf, Kraton, Prefeitura de Paulínia e Sindicato Químicos Unificados

    A Sub Delegacia Regional do Trabalho de Campinas interditou, em 26 de dezembro de 2002, qualquer atividade na Basf S.A., situada em Paulínia, devido ao grave e iminente risco para os trabalhadores. Pelo mesmo motivo foi também interditado o setor de Ionol da Kraton S.A que, anteriormente, estava em condição de isolamento. O risco aos trabalhadores decorre de comprovada contaminação ambiental provocada no Bairro Recanto dos Pássaros, onde estão instaladas essas duas empresas, pela Shell Brasil S.A. Os detalhes das razões da interdição, a responsabilidade pela vigilância do cumprimento da decisão, as conseqüências da desobediência dessa determinação, os direitos assegurados aos trabalhadores e as condições para a desinterdição constam do TERMO DE INTERDIÇÃO.

    As interdições ocorreram em audiência realizada na Procuradoria Regional do Trabalho – 15ª Região, na qual estiveram presentes representantes das empresas, secretários de Saúde e de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Paulínia e dirigentes da Regional de Campinas do Sindicato Químicos Unificados, além de representantes do Ministério Público do Trabalho. Ao final, foi redigido o TERMO DE AUDIÊNCIA.

    Enquanto durar a interdição todos os direitos dos trabalhadores estão garantidos e fica suspenso o acordo firmado entre a Basf S.A., o sindicato e a empresa para a demissão coletiva prevista para hoje em virtude do fechamento da planta em Paulínia, em 31 de dezembro próximo, e a transferência da produção para sua unidade de Guaratinguetá. Esse acordo previa condições melhores do que a prevista em lei para as demissões e havia sido conquistado pelos trabalhadores após uma greve de ocupação na empresa nos dias 02 e 03 de dezembro. Agora, para a realização de uma demissão e conseqüente homologação da rescisão contratual é necessária uma autorização judicial. Para a garantia da saúde dos trabalhadores ficou também determinada uma séria específica de exames a serem neles realizados. Esses exames constam do TERMO DE NOTIFICAÇÃO.

    A Basf S.A. tem cerca de 200 trabalhadores e a Kraton Polymeres do Brasil S.A. cerca de 100. Ambas estão localizadas na avenida Roberto Simonsen, nº 1.500, no Bairro Poço Fundo, no município de Paulínia/SP

    TERMO DE INTERDIÇÃO

    TERMO DE AUDIÊNCIA

    TERMO DE NOTIFICAÇÃO

  • Trabalhadores fazem passeata em protesto contra a afronta da Basf, que está até tentando chantagear

    Trabalhadores da Basf protestam enfrente ao Fórum de Paulínia, em passeata realizada no último dia 20

    De forma arbitrária, a Basf S.A. está desrespeitando e descumprindo as determinações a ela impostas pela DRT – Subdelegacia Regional do Trabalho em Campinas por ocasião de sua interdição da unidade da empresa em Paulínia, devido à contaminação ambiental no local. Em protesto contra essa prática da empresa, os trabalhadores da Basf fizeram uma passeata no Centro de Paulínia, com atos em frente ao Fórum Trabalhista e à Câmara Municipal, com o objetivo de denunciar essa situação e alertar os poderes públicos para que façam com que a multinacional alemã cumpra com sua obrigação e deixe de considerar o Brasil (e nossa região), como terra de ninguém onde ela pode fazer o que bem entende.

    Direitos garantidos

    Conforme determina a legislação, os trabalhadores têm todos os seus direitos assegurados e não podem ser demitidos sem que haja, para isso, manifesta autorização judicial. A Basf está tentando, mas não vem conseguindo derrubar a interdição determinada pelo DRT. Em afronta às leis, ao DRT e aos próprios trabalhadores, a empresa não fez o pagamento do vale de seus funcionários neste mês de janeiro, o que tradicionalmente ocorre sempre no dia 15. Além disso, a empresa está intimada pelo Ministério do Trabalho a realizar, e custear, uma série de exames nos trabalhadores para que seja apurado o real estado de saúde dos mesmos.

    Chantagem

    De forma absolutamente indigna, a Basf S.A. está tentando uma chantagem contra seus trabalhadores. Ela está lhes propondo, em contatos pessoais e individuais, que aceitem fazer a homologação de seu contrato de trabalho a troco de neles realizar os exames médicos. Mas ela sempre deixou bem claro, publicamente, que de forma alguma se responsabilizará pelo tratamento médico necessário nas alterações encontradas no organismo em virtude de contaminação no local de trabalho. A decisão tomada pelos trabalhadores em assembléia realizada antes do início da passeata foi a de não aceitar essa chantagem da Basf, de lutar por direitos trabalhistas e legais, de lutar para que a empresa faça os exames médicos e se responsabilize pelos tratamentos necessários e de pressionar os órgãos e poderes públicos para que obriguem a multinacional alemã a cumprir sua obrigação e a respeitar as leis brasileiras.